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MESTRE NADINHO E A “FURIOSA” Série: Figuras de Poções...

MESTRE NADINHO E A “FURIOSA” - SÉRIE FIGURAS DE POÇÕES - BA.

Bernardo Fagundes Era o maestro da Filarmônica Primavera, de Poções, Bahia.
Muito competente e muito respeitado. Baixinho, magrinho e dinâmico, morava numa casa humilde no Gravatá, confluência da rua de Morrinhos com a estrada que vai para o povoado do mesmo nome. Enquanto viveu, a banda sobreviveu. Era bonita e garbosa a sua filarmônica.

A Sociedade União das Classes era a entidade maatenedora da
filarmônica, desativada com o passar dos anos. Nos seus tempos áureos, cheguei a assistir algumas reuniões, alguns ensaios e centenas de apresentações artísticas da "Furiosa"-apelido carinhoso que o povo de Poções emprestou à sua banda, mas que não agradava em nada ao Mestre Nadinho, tampouco aos músicos.

Os domingos eram cheios de retreta, algumas bandas de fora eram convidadas pelas autoridades; o povo prestigiava e fazia filas laterais bastante extensas para aplaudir os dobrados e as marchas executadas com entusiasmo e competência.

A famllià Fagundes era a base da banda e o Mestre Nadinho fundou uma escolinha para crianças, com algum sucesso.

Quando o prefeito Fernando Costa construiu a praça que leva o seu nome, bem no centro da cidade, ao lado da antiga Igreja do Divino Espírito Santo, preocupou-se em construir no centro da praça um coreto onde a banda tinha lugar e assento nas noites festivas.

Em todas as festividades a filarmônica estava presente, do inicio ao final e constituía-se em grande atração. Talvez por isso a cidade de Poções seja tão pródiga em músicos e poetas. As bandas eram a alegria da garotada e muito admirada pelo povo. Fardas impecáveis, instrumentos reluzentes e afinados, músicos de fino gosto.

Pessoas importantes da sociedade poçoense figuravam na ‘Furiosa”, a exemplo de Júlio da Rocha e Silva, Antonio Fagundes, Alcides Fagundes. Alcides Bordado, Arnaldo Fagundes, Otoniel Monteiro Costa, “Seu” Lote, alguns mais novos como Antonio Gonçalves Pia, Zelinho Fagundes, o nêgo Papu, Eráclito Fagundes e tantos outros.

Com a morte do Mestre Nadinho, revezaram-se no comando Alcides Bordado (Trombone de vara) e Antonio Fagundes (Contra-baixo). A decadência da banda já era demasiada e desde 1986 deixou de existir uma das mais tradicionais bandas de música da Bahia, graças ao descaso das autoridades governamentais a todos os níveis, mas principalmente pelo desinteresse do povo poçoense, uma espécie de caricatura de mau gosto do povo que fez a cidade crescer e deu à Bahia tantos nomes de indiscutlvel valor.

Hoje, a decadência cultural em Poções é evidente e lamentável, uma verdadeira tortura para nós que conhecemos o apogeu cultural da nossa cidade.

POUCAS E BOAS

Destes músicos, contam-se alguns fatos que merecem registro.

Um deles era sobre os exageros do Mestre Nadinho que dizia saber fazer de tudo. Até que um dia, cansado de ouvir os fenômenos do maestro um cidadão indagou-lhe:
- Ora mestre, se o Sr. sabe tudo mesmo, por acaso o Sr já fez alguma dentadura?

O mestre impassível, arreganhou os beiços mostrando a sua dentadura postiça e batendo com as costas dos dedos nos dentes, respondeu com outra indagação:
- E esta aqui, quem foi que fez?.
E sob o olhar perplexo do interlocutor, completou:
- Foi o Dega...

Dega era a maneira que o Mestre Nadinho tinha de se auto designar.
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 01/08/2005
Reeditado em 01/05/2006
Código do texto: T39507

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis