FALTA, ALGUÉM

Dia sombrio, tarde fria, pensamento num vagueio.

Sabe aquele vazio que o vendaval deixa, depois da tormenta ?

Como que procurando as folhas, os galhos caídos. Destroços

espalhados pelo chão e se nada há, que denuncie o desastre... Só, você sabe o que aconteceu - que a tormenta foi desastrosa.

Que houve, no mínimo um maré-moto, que o estrago foi de grande extensão.

Abalou as estruturas, desde o alicerce.

Aí você se da conta de que outras edificações foram apoiadas, sob seu alicerce, e não há arrimo, se a sua desabar outras tantas também o farão...

Então, vamos as escoras:

Um moirão, de 34 metros, cedro ou peroba; talvez pinos de categoria e procedência duvidosa...

Uma caixa de parafusos, com no mínimo seis bitelões acompanhados

por porcas e buchas.

Outra caixa com pregos de aço, hastes “antigas” tempo de quase uma vida,

com tantas porcas, buchas e parafusos, que incontáveis quase se tornaram...

Você também tem lembranças, de tardes de sol e calor, brisa amena,

manso perfume balançar de folhas, que como encantadas e cantando se desprendem, para que novas possam, surgir...

Tardes perigosas! – apesar de tanto canto e encanto...

Não se achava um só, que de fora ouvisse tal canto de ninar, a não ser você.

Então, caiu o manto da tarde sombria e o vendaval se iniciou

... E passou!

Passou .... Então você se dá conta de que contando o tempo, não se deu conta, de ainda faltar alguém... Ou algo...

Cida Cortes
Enviado por Cida Cortes em 01/05/2009
Reeditado em 03/05/2009
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