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João? José?

João? José?

O telefone toca.
- Alô?
- Quem fala?
- Com quem você quer falar?
- João.
- É ele, quem fala?
- O João é o José!
- Fala Zé! Quanto tempo rapaz!
- Pois então João faz o que, uns cinco anos que a gente não se fala “home”.
- Deve ser! Mas e aí como vai a vida, a mulher os filhos?
- Hiii! Nem te conto João. Lembrei de você e te liguei porque estou precisando desabafar com um amigo de verdade.
- Pode falar, amigo é para estas coisas mesmo.
- Descobri que minha mulher tava colocando chifre na minha cabeça, João.
- Shiii!
- Pois é. Eu me matando de trabalhar para pagar todos os caprichos da vaca e ela saindo com um guri de vinte anos.
- Essa mulherada não presta mesmo Zé. Mas como você descobriu?
- Coloquei um detetive atrás da safada e descobri. Veio com foto, vídeo e o diabo a quatro, rapaz. O pior é que me custou olho da cara!
- E a safada o que disse?
- Disse que a culpa era minha, que eu não dava a atenção que ela precisava, e coisa e tal...
- É essa maldita televisão Zé. Essa mulherada fica vendo novela o dia inteiro e acha que pode tudo. Querem trabalhar fora, ter carreira, sair para beber com os amigos. Os bons tempos acabaram, amigo! Agora até na hora de transar agente tem que dar atenção para as preliminares, elas querem até gozar.Vê se tem cabimento.
- É verdade é o fim dos tempos. Mas isso não é tudo. Na mesma época me estoura as hemorróidas. Fiquei com o rabo que era uma couve-flor. Tive que operar e tudo.
- Nossa colega a maré não boa para o teu lado. Mas não te apoquente. Para mim também não esta sendo fácil.
- O que aconteceu? Pode falar amigo.
- Minha filha mais nova, a de quinze anos, ta grávida!
- Não diga rapaz! E o pai da criança?
- Esse é o problema! A cadelinha disse que “ficou” com um menino numa festa em um dia, com outro no outro dia, saiu com mais não sem quem, e não sabe quem é o pai. Disse que não quer ser injusta acusando ninguém. E que depois que nascer é só fazer o teste DNA.
- ...
- É eu também fiquei sem palavras amigo. Mas a culpa é da vaca da minha ex-mulher. Aquela cadela não educa a menina. Vem com aquele papo furado de pedagogia, psicologia infantil e o diabo. No nosso tempo era a psicologia da vara de marmelo nas pernas.
- O fim dos tempos realmente, amigo. Mas chega de coisas ruins. Como foi que você conseguiu meu telefone?
- Eu estava na fila do banco para pagar umas contas, sempre para pagar nunca para retirar dinheiro, e vi seu pai. Foi ele que me passou seu telefone. Ta forte o velho em João!
- O Zé, não brinca com essas coisas não rapaz. Você sabe muito bem que meu pai morreu faz cinco anos. Se não me engano foi no enterro dele a última vez que agente se viu.
- Que isso João ta maluco?
- Eu é que te pergunto?
- Pêra aí? Aí 3023-1320.
- Não! 3032-1320.
- Não é o João Agripino?
- Não. João do Carmo.
- Desculpe foi engano!




Mark Brunkow
Enviado por Mark Brunkow em 06/11/2007
Código do texto: T725560
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Sobre o autor
Mark Brunkow
Curitiba - Paraná - Brasil, 41 anos
24 textos (1384 leituras)
4 e-livros (72 leituras)
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Mark Brunkow