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Amrod e o Mestre Ent

Caminho livremente pela floresta sombria
Meus passos tem livre acesso à escuridão
E mesmo o ameaçador sussurro das árvores
É indiferente ao meu pálido estado de espírito

Procuro calmamente pela sabedoria anciã
Algumas respostas diretas e solitárias
Presas ao amanhecer da natureza fria
Que, ao contrário de minha pele,
Se aquece com o calor do sol...
E desperta com ferocidade e dedicação
Ao chamado rítmico do Pastor das Árvores.

"Acoooordemm, minhas crianças!!!"
A natureza me cerca, respiro lentamente e me rendo
"Hummm... O que faz um duende de Dorthonion em meus domínios? Quais seus propósitos, Senhor...?"
Numa reverência
"Amrod, mestre ent. Me chamo Amrod. Fico lisonjeado que saiba um pouco a respeito do meu humilde lar, a Terra dos Pinheiros é realmente um recanto de paz e conforto aos amigos das florestas."
"Muito bom... muito bom Senhor Amrod... Mas não existe necessidade em descrever ou dissertar a este ambiente, os atrativos ou agravantes de quaisquer floresta neste mundo... pois é de meu conhecimento cada pequena parte das mesmas... Portanto, atenha-se aos seus objetivos,  o que procuras à minha presença?"
Envergonhado, e numa nova reverencia continuo:
"Desculpe-me, mestre ent. Ou poderia chamá-lo de Fangorn?"
Indiferente
"Sim... continue."
Com entusiasmo, continuo
"Uma flor! Meus objetivos e propósitos se resumem basicamente na localização de uma simples e magnífica flor. Durante quase dez invernos tenho procurado por toda Terra-média por um rastro que seja da flor que chamam de önrete-röma, que meus olhos jamais tocaram, mas  seu perfume preside em meus sentidos de alguma forma mística."
"Ahh... a preciosa önrete-röma. Missão complicada a sua, meu caro Amrod. Tem certeza que desejas continuar?"
"Com minha eterna devoção!"
"Pois bem, jovem Amrod. Vejo que sua dedicação a este propósito é sincera. Sendo assim, darei minha contribuição a tal fardo. Primeiro, a lenda. Sente-se amigo da floresta. Acalme seu coração e escute."

Ventos antigos, promessas, sonhos, amor. Existiu há muito tempo atrás, um filho da floresta, que conhecia todos os perigos e armadilhas da vida. Era um guerreiro habilidoso, um líder nato. Lidava dia a dia com os mais diversos perigos, derrotava o cansaço e as lágrimas. Mas, como nenhuma muralha é indestrutível, ele também possuía uma rachadura,
um "ponto fraco". Um amor que não tinha limites, um amor eterno por uma senhora de cabelos dourados e olhar cativante. O amor é uma fonte inesgotável de fé, esperança e carinho. Só ele tinha a capacidade para baixar a guarda deste destemido guerreiro, pois se dedicava ao extremo em seus objetivos. Duas almas que se viram apenas uma vez, e se amaram do primeiro ao último instante que se passava lentamente em seus corações,
como se suas veias já possuíssem um laço de sangue, um com o outro. Um laço que jamais foi quebrado, pois um verdadeiro amor jamais se apaga. Qual o selo pra tão puro sentimento? Bem, como a vida guarda sempre suas surpresas, uma grande batalha se fez necessária, e a corda do destino se parte com a lâmina da guerra. No fim da batalha, a vitória para muitos, e a "derrota" para alguns. Dizem que no deserto campo de batalha, além dos corpos sem vida e os abutres pós-guerra, era possível contemplar o brilho
da cativante senhora elfa dos cabelos dourados, em sua canção de busca ao seu amado. Era uma presença de extrema força, e ao encontra-lo, abraçou seu corpo sem vida e beijou sua face fria, que ainda possuía um pequeno sorriso como se um ótimo pensamento estivesse presente em seu momento de despedida. E... num piscar de olhos, não se viu mais a senhora elfa, e nem o corpo do seu amado. No local em que jazia seu corpo, uma flor foi encontrada. Uma bela e magnífica flor de um ton dourado e cinza... muito, mais muito bonita! Não se sabe o que aconteceu com todo o amor destes dois elfos, mas acredita-se que nada do que sentiram se apagou com a chuva, e sempre que alguém encontra um sentimento forte e dedicado como o que envolveu tais amantes, a semente de uma nova flor nasce em cada um destes corações... para imortalizar com pétalas de luz, o eterno amor."

"Esta é uma história antiga meu caro Amrod, uma simples lenda talvez... Apenas a fé e o amor em seu coração podem comprovar a veracidade destes fatos... Não se trata apenas de uma decisão sua, mas de um completo contexto de conquistas e derrotas. Não caminhe com medo, mas sim com a esperança de que no final, não seja apenas o doce perfume que possa tocar vossas vestes solitárias."
Alguns segundos em reflexão, e:
"Todas estas palavras, eu acredito! Mas, creio que minha missão se manifeste na composição de outra melodia. Eu sinto o amor pulsar em minhas veias, mas é um amor puro, pelo ambiente que me cerca. Pelas plantas, as flores, os animais, todos que contribuem com seu universo, para o meu universo. Não sinto nada diferente em mim, a não uma sensação estranha, um vazio permanente."
"Acalme-se jovem duende de Dorthonion, as respostas que tanto busca já estão diante dos seus olhos, e assim que eles estiverem totalmente abertos, seu espírito estará completo, e terá sua recompensa nesta vida, antes de partir para uma outra."
"Creio que este seja meu maior desejo afinal...e meu maior desafio."
"Talvez por ser o desejo de todos, sem exceções."
"Desejos... você possui algum mestre Fangorn?"
"Com certeza jovem Amrod. Desejo ardentemente encontrar-me com as Entesposas mais uma vez. Algo me diz que elas ainda habitam a vastidão da Terra-média, e que um dia as verei novamente."
"Espero que estejas com a razão, e que a mesma jamais o abandone."
"Enfim, agora preciso ir. O dia avança e minha direção tende a seguir um novo rumo."

"Sim, pequeno da Terra dos Pinheiros. Que a boa sorte acompanhe seus passos rumo ao horizonte resplandecente. E que a benção das florestas conceda-lhe um pouco do ar que tanto procuras."
"Agradeço mestre ancião, por vossa sabedoria e atenção! Obrigado! E mantenho minha palavra de proteger cada espaço verde deste mundo, as árvores em conjunto ainda são o meu lar, e minha morada eterna! Obrigado novamente, mestre Fangorn!"
"És sempre bem vindo, senhor Amrod! Tu e tuas palavras. Vá em paz, e jamais desista do seu caminho!!"
E numa reverencia:
"Nunca!!"

Dou as costas ao meu conselheiro...
A harmonia perfeita prevalece ao meu redor...
Cavalgo novamente... ao horizonte resplandecente...?
LK
Enviado por LK em 12/09/2006
Código do texto: T238132
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Sobre o autor
LK
Paranavaí - Paraná - Brasil, 38 anos
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