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CORDEL DO SANTINHA ENCANTADO

Vi nesse campeonato
Uma torcida complexa,
Dizendo que era côncava
Uma figura convexa.
E elogiando o Sport
Ficou sem rumo e sem norte,
Choramingando e perplexa.

O Sport pra ser hexa
Foi até no Catimbó,
Pois quando enfrenta o Santinha
Sofre tanto que dá dó.
Mas já pode soltar fogos,
Pois em apenas três jogos
Levou seis de um time só.


A Cobrinha deu um nó
No desejo do Leão,
Que se juntou com um Boi
Pra tentar ser campeão.
Mas nem tudo foi perdido,
Pois ganhou o apelido
De Time do Boiolão.

Quando a cobra entra em ação
Na chuva a poeira voa,
O Timbu estando rouco
Até seu gemido ecoa.
E o Leão, que diz que é macho,
Se acocora, abaixa o facho
E logo vira Leoa.

O Santinha, numa boa,
Mostrou que não é pequeno.
E com garra e muita raça,
Em todos deu um empeno
E hoje o Timbu só chia,
Já o Leão chora e mia
Como um gato no sereno.

A Cobra, com seu veneno,
Comeu Tigre e Gavião,
Bode, Timbu, Patativa,
Periquito e Azulão.
E gostando do freguês,
A Coral “inda” deu três
Nesse tal de Boiolão.

Na primeira decisão
Foi um duelo truncado,
Lá na Ilha do Retiro,
Com o campo todo encharcado.
Mas com calma e com cautela,
Vou contar toda a novela
Pra chegar ao resultado.

O Santa bem arrumado
Mostrou que é um timaço.
Desarmou os rubro-negros
Sem medo e sem embaraço.
E na Ilha do Retiro
Ouviu-se o último suspiro
Do Leão, “Rei do Cansaço”.

Gilberto deu um chutaço
Que o Leão se apavorou.
Chutou de fora da área
E a defesa só olhou.
Magrão procurando a bola
Ficou ruim da cachola,
Sem ver por onde passou.

Marcelinho se irritou
E quase se descontrola,
Pois jogou o tempo todo
Quase sem pegar na bola.
Quem olhava tinha pena,
De ver o Éverton Sena
Jogando na sua cola.

Numa tomada de bola,
Têti deu pra Renatinho,
Que com a bola no pé,
Parecia estar sozinho,
Pois foi pra linha de fundo
Dando drible em todo mundo
Que ficasse em seu caminho.

Disparando, Renatinho,
Fez uma grande jogada.
Que cruzando pela esquerda
Deixou a zaga frustrada.
E num chute de primeira,
Pra sacudir a poeira,
Landu soltou a pancada.

Magrão, que não tá com nada,
Mais uma vez se ferrou,
Porque viu a bola dentro
Sem saber por onde entrou.
E olhando pro zagueiro
Falou pra seu companheiro:
Não vi, sequer, quem chutou.

O Leão desanimou
Levando surra onde mora
E a torcida constrangida
Quase toda foi embora.
Vi rubro-negros chorando
E outros se lamentando
Sem querer chorar na hora.

Porém no lado de fora
Eu vi a rua molhada
Com lágrimas de rubro-negros
Rolando pela calçada.
E a torcida tricolor
Lá dentro, tava um fervor
E muito mais empolgada.

Com a torcida animada,
E o time tão envolvente,
O Santinha começou
Só dando alegria a gente.
E até chegar à final
O Veneno da Coral
Não deixou ninguém na frente.

Se dizendo tão valente,
“Pra que isso” e “quero-quero”,
O Leão levou três surras
Pra deixar de lero-lero.
Pois enfrentando o Santinha
Foi uma leoazinha,
Três vezes, por dois a zero.

E para ser bem sincero
Vou falar do resultado
Do jogo de um campeão
Com um bicho atordoado.
Lá no Mundão do Arruda
Pedindo: Deus nos acuda!
O Leão foi derrubado.

Marcelinho já cansado
Como um jogador de asfalto
Na cobrança do escanteio,
Pipocou e deu um salto
A bola sobrou pra Bala,
Que como quem chuta a mala,
Mandou a bola pro alto.

Jogando de salto alto
Quando Renato cruzou,
Sem saber o que fazer
Bruno só se atrapalhou.
Chutou a bola pra cima
E pra não perde a rima
O Sport se lascou.

O Pai Carlo me enganou
O rubro-negro entendeu,
Porque Daniel Paulista,
Em mais um chute que deu,
Mandou a bola rasteira,
Bruno chutou de primeira,
Mas Thiago defendeu.

O Boiolão só gemeu
Em um desgosto profundo
Porque viu o Marcelinho
Sendo o pior do mundo.
Só sendo da Paraíba,
Pra jogar bola pra riba,
Ou para a linha de fundo.

Bala brigando com o mundo
Roubou a bola no meio
Chutou desequilibrado,
Igual a um carro sem freio;
Mas a bola sem ter firmeza
Escorregou na defesa
E saiu para o escanteio.

Marcelinho pelo meio
Pisando em casca de ovo
Deu um chute tão minguado,
Que levou vaia do povo.
E a zaga dos tricolores,
Que só tem bons jogadores,
Fez a defesa de novo.

Eu falo e até me comovo
Lembrando cada jogada
Que os rubro-negros fizeram
Parecendo uma pelada.
Sei que foi grande o empenho,
Mas como em jogo de engenho,
No final não dava em nada.

Fervendo na arquibancada,
A torcida tricolor,
Já gritava: é campeão!
Com todo seu esplendor.
Mostrando que é fiel
E em tempo bom ou cruel
É sempre a superior.

É torcida de valor
E fama internacional
O que faz do Santa Cruz
Um time sensacional.
E é essa a sua prenda,
Porque tem a maior renda
Do futebol nacional.

A torcida é sem igual
Você pode ter certeza.
E quem frequenta o Arruda
Sabe disso com clareza,
Pois lá dentro do Mundão
Quando chega a multidão
É um palco de beleza.

Com toda a sua firmeza
O Santa se garantiu
Formando um time de base
Como a gente nunca viu.
E com marcação cerrada
A meta tão desejada
O Santinha conseguiu.

Já o Boi, que o Pai pediu,
Pro Sport não valeu,
Pois ele foi finalista,
Mas a ninguém convenceu.
E no final do conflito
Com um pênalti esquisito
Fez um gol, mas não venceu.

Ele ganhou, mas perdeu
Porque não foi campeão
E o tal sonho de ser hexa
Já virou uma maldição.
Se a gente não fizer figa,
Pode ser que ele consiga,
Mas em outra encarnação.

O Santa foi campeão
Jogando com humildade
Tendo um time muito jovem,
Mas com criatividade,
Sem temer a experiência,
Mostrou que tem competência
E superioridade.        
Ismael Gaião
Enviado por Ismael Gaião em 18/06/2011
Reeditado em 18/06/2011
Código do texto: T3041903

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Sobre o autor
Ismael Gaião
Condado - Pernambuco - Brasil, 53 anos
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Ismael Gaião



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