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Copa do mundo

Momento esperado por todo o globo terrestre, expectativas para uma possível vitória da seleção que representa o seu país, e no Brasil, mudança de horários nos órgãos públicos e privados, tudo isso, com o intuito de permitir que todos os brasileiros possam participar desta festa magnífica.

Emoção, adrenalina e tensão.... momento que só se pode ser vivido de quatro em quatro anos, acredito que seja esse longo tempo que cause tamanha agitação. Vemos pessoas venderem bens, fazerem economias para poderem ver de perto a sua seleção no país sede do evento.

Mas diante desta imensa festa que mobiliza os cinco continentes, paro para pensar: Tanta festa por um grupo de jogadores, um troféu e uma “estrela”. Não que eu seja contra ou não goste, pelo contrário, desde quando me entendo por gente não perco um jogo sequer, madruguei, gritei, berrei, agitei bandeiras e fiz muitas coisas que um torcedor faria. Quero chamar a atenção pelo “selecionismo” e não patriotismo.

Fazemos festas, “matamos e morremos” por nossa seleção, apostamos bens e dinheiro, uns tantos outros tira a própria vida por causa de uma derrota. Mas pergunto-lhe: E pelo nosso país, o que fazemos? Nada, - ouso-me a responder – nada. Ignoramos nossos direitos e passamos por cima dos deveres, procuramos sempre dar um “jeitinho brasileiro” sem se preocupar se alguém será prejudicado por tal ação, deixamos o nosso país nas mãos de hipócritas que dizem brigar pelos direitos da população brasileira, mas no fundo só o vemos brigar pelos seus próprios interesses.

A todo instante vemos “nascer” mais uma CPI. CPI disso, CPI daquilo e nada se resolve. Eles se acusam e se absorvem, eles lutam contra o aumento do salário mínimo e aumentam o salário deles. Vestimos verde e amarelo, mas esquecemos que o verde da bandeira que representa as nossas matas esta sumindo, pois, desmatamentos criminosos diminuem nosso tempo de vida, tirando o nosso transformador de Co2 em O2; esquecemos que o amarelo representa o ouro, e esse mesmo ouro é roído pelas “traças” que se dizem ser nossos governantes; o azul esta cada vez mais cinza, pois as indústrias lançam mais fumaças no ar do que deveriam, deixando-nos assim dentro de uma estufa, transformando nossos pulmões em depósito de químicas, nos lançando nos braços do câncer; os nossos oceanos gritam por socorro e são vítimas de seguidos acidentes ambientais; o branco que poderia ser o da paz, esta avermelhado pelo sangue dos inocentes e pelo sangue dos próprios marginais envolvidos em nossas guerras urbanas. Nossa vergonha é tão grande que nos encurvamos e a nossa corcunda assemelha-se ao personagem de Notre Dame.

Vamos lá seleção, traga-nos a sexta estrela, vamos lá brasileiros, vamos devolver o pudor ao nosso país, vamos trazer o prazer de dizer: Sou brasileiro, do contrário, desistamos de sermos pais, pois assim, nossos filhos viverão em um verdadeiro “inferno”.
Michel Leal
Enviado por Michel Leal em 31/05/2006
Reeditado em 13/11/2008
Código do texto: T166576

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Sobre o autor
Michel Leal
Salvador - Bahia - Brasil
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Michel Leal