ME TIRARAM OS ANÉIS

Andei por ruas errantes pedi carona, andei de charrete

A cavalo, bicicleta trem ônibus e metro

Meu destino se distanciava, por mais que a ele eu andasse...

A cada curva da estrada, mais distante me achava

Encontrei pegadas, no piche na areia e nas pedras.

Cantei, e chorei

Fiz rimas, prosas e versei.

Desfilei por veredas com meu pés desnudos

Fiz macio espinhos e já na madrugada

Afugentava o frio

Minha voz não saia, mesmo que ao vento clamasse

E de mim se escondia, como fora um petiz,

Eu já não ouvia o grito da alma,

A corruíra, do galho se foi em seu lugar,

O uivo do vento soprava um lamento de pura agonia

Pedindo passagem, por entre as folhas e flores

Que já despe talava chorando a primavera que de longe jazia.

Em meus dedos, anéis de ouro fosco,

Acinzentado, embotando o brilho,

Vou fazer deste anel, um pingente, em forma de sol!

Cida Cortes
Enviado por Cida Cortes em 25/01/2010
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