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INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA

                         
Quem tem coragem de admitir em público?  -Sou egocêntrico!  -Eu quero só pra mim!   -Não divido o que é meu com ninguém!  -Só eu que posso!   -Só eu que tenho!  -Tudo e todos giram em torno de mim!   -Eu sou o centro das atenções!  -Eu sou individualista e ninguém tem nada com isso!
O egocentrismo, visto com olhos clínico e científico, não é defeito nem virtude e sim, uma característica natural do ser animal e é claro, o ser humano não foge a esta regra!  Desafio a qualquer um provar o contrário!   Quando nascemos, essa característica é muito clara e evidente.
Necessitamos de proteção em tempo integral.  Procuramos pelo cheiro o peito da mãe logo após ter sofrido uma decepção.   Ter que sair de um lugar aparentemente seguro e tranquilo, para um mundo estranho e cheio de movimentos, onde até pra começar usar os pulmões, foi preciso um grande esforço físico!  Então... Cadê o alimento?    Cadê o prêmio?
Cadê aquela criatura que expulsou-me do cantinho quente e aconchegante?   Esses pensamentos no bebe, ainda que primário, já identifica um ser egocêntrico, mesmo que seja por instinto de sobrevivência, que na verdade é do que se trata realmente.   “O principio primário da necessidade animal”.  A partir daí, esse ser que chamamos de humano, mas poderia ser qualquer outro animal, vai precisar dessa progenitora por longos anos, física e sentimentalmente e fará de tudo se possível, pra tê-la somente pra si.    Chamaremos a partir de agora, esse protagonista que acabou de nascer, carinhosamente de: (João).   João agora com cinco anos, brinca com a sua irmã que acaba de completar dois.  Ele poderia até ser filho único, mas isso o tornaria um forte candidato, a uma maior dosagem de egocentrismo, pois normalmente, pais de filho único, dão uma educação sem muitas regras ao seu filho e não o prepara muito bem para compartilhar e sim para possuir, salvo raríssimas exceções.     João então com sua irmã, que chamaremos de Maria, está aprendendo com muito sacrifício e a troco de algumas chineladas, que deve compartilhar seus brinquedos e outras coisas com ela, e na hora de disputar a atenção de seus pais, deve aceitar as prioridades da mais nova, pois a sua vez já está garantida.   É duro para João compartilhar, pois seu instinto natural diz pra ele que é o mais velho, por tanto, tem mais privilégios.  E outra vez o egocentrismo impera, tanto da parte de João quanto agora de Maria.   Taí a explicação porque os irmãos brigam tanto na disputa de posição e poder e começa tudo bem cedo e dentro de casa.   Esse egocentrismo é levado para a fase adulta sem exceção.
 
Após o casamento, procura na esposa um pouco da mãe e às vezes, inconscientemente cobra isto.
Cobra também da companheira, a atenção que foi direcionada agora aos filhos, que antes era só dele.
O que vai definir o grau de egocentrismo de cada individuo, é a educação familiar que ele obteve ao longo de sua vida.   Vários fatores internos e externos, influenciarão na personalidade e caráter deste individuo, mas todos serão egocêntricos pelo resto de suas vidas.    Vários exemplos poderão ser citados para comprovar essa teoria:  Em uma família de X pessoas, vivendo em um ambiente de harmonia, cada individuo manifestará um grau tolerável de egocentrismo, desde que este individuo, não passe por privações como: falta de alimento, invasão de território, etc...      Agora, para aumentar o grau de intensidade do egocentrismo destes mesmos indivíduos, basta pôr neste mesmo espaço físico, onde havia somente X,  3X e verá que a harmonia irá de ralo a baixo, pois levando em consideração que o espaço físico ainda seria o mesmo e nada foi acrescentado para dar suporte a esse aumento populacional, cada um usaria o seu instinto natural de sobrevivência se adaptando ao novo ambiente desordenado, tanto aqueles que já estavam, quanto os novos, pois faltaria a infra-estrutura da manutenção individual e por mais harmoniosa que seja a convivência, as condições básicas de sobrevivência deixariam de existir e o caos egocêntrico tomaria o lugar da harmonia.    Isso é natural, pois este fenômeno é muito bem representado pelo provérbio:  “ Farinha pouca, meu pirão primeiro”  Pois o instinto de sobrevivência falará mais alto dependendo das circunstâncias e dificuldades.   Se você estivesse em um deserto ensolarado, contando somente com um cantil de água pra sobreviver e sabendo que não há água potável perto dali, certamente você pensaria duas vezes ou mais, para dividir essa água com alguém, mesmo sabendo que este alguém, poderia ser uma pessoa tão querida por você.    Este é um exemplo duro e cruel, que ninguém nesta vida deveria passar, mas, infelizmente é um mal necessário para demonstrar e exemplificar que, em casos extremos o egocentrismo também se torna extremo.

Nos casos mais comuns, observamos no comportamento dos animais,   exemplos do egocentrismo aflorado.   No caso da alimentação:  O cão, por mais amoroso que seja, não admite que ninguém mexa na sua comida, raramente com exceção do seu dono.   A pergunta que não quer calar:
O homem também tem este mesmo sentimento e comportamento?   Sim!
O que faz com que o homem compartilhe com outros o seu alimento é a consciência de que, pode buscar mais de onde veio aquele, mas isto também depende de vários fatores:  Da educação familiar, da disciplina consciente, de fatores externos etc...    Uma coisa é certa:  “Todos somos egocêntricos”! Todos somos regidos pela lei da autodefesa e sobrevivência natural!
Se alguém pedir um prato de comida na sua porta, o instinto natural de sobrevivência é pensar primeiro:  -Será que eu posso dar?    -Vai faltar pra mim?
A ação tomada dependerá de cada individuo e circunstância.  É claro que existirá aquele, que dividirá o pouco que tem.  Outro, por ser tão egocêntrico,  egoísta e avarento a resposta será:  -Não!  -Não posso!  -Não tenho!  Mesmo com as panelas e despensas cheias.   Haverá também aquele, que pensará na promessa da vida eterna e compartilhará o seu pão, mesmo sabendo que tem pouco, mas, Deus proverá...
Em fim, o procedimento e o comportamento humano, sempre estará ligado ao instinto de sobrevivência, por tanto, o egocentrismo é o elo mais forte e evidente dessa engrenagem, determinando seu espaço, sua posição, sua proliferação, sua conquista do poder e também de sua derrocada.

Via de regra, devemos nos policiar para que sejamos menos egocêntricos e que este sentimento, não interfira nos nossos relacionamentos, pois assim perderemos humanidade a cada vez que ele predominar.       Somos animais sim!   Egocêntricos, também!   Mas também sabemos amar e querer bem e estes nobres sentimentos é o que nos faz humanos e divinos e nos difere dos irracionais.   Por tanto, sejamos menos egocêntricos com mais amor no coração e quem sabe um dia, seremos todos, verdadeiramente chamados de: “Irmãos”.


 


Carlos Mambucaba
Enviado por Carlos Mambucaba em 17/02/2010
Reeditado em 22/11/2010
Código do texto: T2092616
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Carlos Mambucaba
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 52 anos
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