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Retrato de um pessimista

É fácil reconhecer o pessimista, apenas olhando sua postura de corpo: ombros tombados para a frente, testa franzida, cantos externos dos olhos para baixo, boca frouxa.
As palavras mais usadas por ele é o “mas... e se?”
“Mas, e se chover?” “Mas e se não der certo?” “Mas e se fizer muito sol?” “Mas e se eles não chegarem a tempo?”
Se está um dia radiante, céu azul, ele vai ver uma pequena nuvem isolada e vai dizer que virá um temporal. Se ao contrário, todos esperarem por uma chuva refrescante e surgirem no céu algumas nuvens cinzentas e pesadas, ele dirá que vai soprar um vento e levar embora a chuva. Se ele está gordo, dirá que não é gordura, é inchaço. Se magro, deve estar doente.
Você diz a ele que está com uma boa aparência. Ele vai responder “não sei não...”
No inverno, está frio demais, podia esquentar. Se está calor, diz que o calor o está matando, e prefere o frio. No inverno é tão difícil levantar-se da cama, e no calor é tão difícil dormir.
Para ele, uma aragem é um twister, uma onda na piscina, é um tsunami.
Você diz “bom dia”. Ele “assim fosse, só tive más notícias hoje”.
“Então vá caminhar um pouco”.
“Mas como, estou morrendo de dor nas pernas”.
“Então veja um bom filme”.
“Imagine, com essa enxaqueca que não me deixa”.
“Respire fundo”.
“Quando respiro fundo, sinto dor no peito”.
Ao ver uma pessoa bem disposta, praticando atividade física, ele vai dar um jeitinho de enxergar por trás, pela frente, sei lá, ele inventa um lado para dizer que a pessoa deve estar praticando por ordem médica, ou por frustração, ou por não ter mais o que fazer.
Não tente discutir com o pessimista. Ele é pródigo em contra argumentar.
Agora se você estiver diante de uma pessoa com um surto de pessimismo, ou de um pessimista crônico, e já usou todos os argumentos para melhorar o seu humor, então diga a ele que fique em seu quarto, entre dentro do guarda-roupas e morda a orelha, o dedinho do pé ou o cotovelo, mas que não entre em convívio com os outros. Se for a uma festa, vai achar a comida azeda, o peixe cru, a carne pimentada demais, o refrigerante quente, o bolo sem açúcar,, o sorvete doce demais.
Não azede a vida dos outros. Você não tem esse direito. Senão, quando você chegar perto e impuser sua companhia, alguém poderá dizer: “muito obrigado, já estou farto de comida estragada”.
Izabel Martho
Enviado por Izabel Martho em 01/06/2005
Código do texto: T21234

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Sobre a autora
Izabel Martho
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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Izabel Martho