POR QUE O AMOR É CEGO?

          Eu não sou burra. Dou conta de serviços técnicos da minha área, com uma tranquilidade tal, como se aquilo fosse fácil. E para mim é. Entendo de Piaget, Ausubel, Vallon, Vygotsky, Leontiev e o raio que o parta de tudo quanto é teórico da área.
          Tenho livro publicado, tenho participações em dezenas de antologias coletivas, saio para palestras na minha área, viajo, participo de cursos, ministro cursos.
          Sou graduada em Pedagogia, pós graduada em três áreas (Educação Infantil, Educação Especial e Pedagogia Hospitalar). Ainda assim, continuo estudando e pesquisando, num momento da minha vida em que eu poderia simplesmente estar em casa, de pernas para o ar. Mas eu sou assim: polivalente (e valente também). Aguerrida, guerreira, lutadora. 
           Trabalho à parte, administro muito bem minha casa: lavo louça, roupa, passo, limpo chão, vou ao supermercado, faço compras, “me viro” na cozinha, enfim, não deixo a desejar como "dona de casa". 
          Domino 100% meu lado profissional, dou conta de administrar a casa,  estou atenta aos acontecimentos que envolvem minha família (para ajudar, numa hora de necessidade), se os amigos precisam, me faço presente, "dou uma força" sempre que posso.
          A maioria dessas atividades exigem segurança, energia, pique, vontade, senso de organização, além de um certo quociente intelectual. E eu  dou conta.
          Então eu me pergunto: Porque eu não consigo, do ponto de vista emocional, conduzir as coisas com essa clareza? Porque quando estou amando eu fico “tapada”, “burra” e “cega” ?

          Vocês não tem noção da raiva que me dá quando passa esse momento de bobeira (ainda bem que passa...) e eu percebo o quanto “pintaram e bordaram” comigo, o quanto eu chorei inutilmente, o quanto eu me descabelei, quantas desculpas “esfarrapadas”” eu engoli. 
          E o que mais me intriga, o que faz “dar um nó” na minha cabeça é não conseguir entender como eu, com todo esse currículo, essa formação, fui “me deixar “engabelar” por um sujeitinho com “Q.I. de minhoca” ???
          Porque o amor nos deixa assim? Ou melhor dizendo: porque deixamos que ele nos domine assim? Sim, pois eu ainda acho que temos opção, que podemos exercer um certo controle sobre ele.           
          Isso eu estou falando agora, racionalmente. Mas quando estou no “auge” da emoção, a coisa me foge ao controle.

          Controle. É por aí que eu teria que me segurar daqui para a frente. Esse teria que ser o meu “freio”. Controlar o impulso, controlar a adrenalina, controlar a emoção. 
          Mas até parece que eu vou conseguir ficar me policiando 24 horas! Se  eu me conheço bem,  nada disso vai me conter, porque o bom da história é o inesperado, a adrenalina, a emoção!
          O bom mesmo é "se perder". Se perder de vista, se perder na emoção e se perder de paixão até não poder mais. Deixar o bonde andar até sair dos trilhos e quando não tiver mais jeito, eu venho aqui e digo: Eu não sou burra.
          E começo tudo de novo.