PONTO FINAL


            Tô eu aqui pensando na vida e na morte da bezerra e ai de mim que nem bezerra eu tenho prá chorar a morte, mas ainda assim me dou por satisfeita de ter essa caminha aqui quentinha e esse travesseiro onde eu posso chorar as minhas mágoas sem ninguém ver, porque não quero que ninguém pense que eu sou uma babaca, uma fraca e uma chorona, mas eu sim, eu posso pensar tudo isso porque sou mesmo uma pessoinha insana às vezes, mas o que tenho de bom é ser engenhosa com as palavras e isso até que me envaidece, o que não gosto é ter que ficar pontuando toda hora e assim, meio a contragosto, fico só nas vírgulas, porque vírgula é uma coisinha boba que a gente põe para dar uma pausa entre uma fala e outra, já o ponto final é ponto e basta, acaba com tudo de uma vez e corta o meu barato, porque como sou faladeira, sou também escrevinhadeira e essa palavra que soou meio estranha, acabei de inventar agora e eu nem sabia que sabia inventar palavras, mas se vocês não gostarem dela, tudo bem, vocês não precisam concordar com o meu ponto de vista, eu entendo que esse texto sem pontuação está meio confuso, então “vou colocar os pontos nos is” e dizer claramente que não vou ficar aqui o tempo todo falando em ponto, senão vocês vão acabar descobrindo os meus pontos fracos e como eu sou uma pessoa que não dá ponto sem nó, acabei agorinha mesmo de me enrolar num deles e antes que eu me enrole toda nessa crônica, adeusinho e fui, ponto final.