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Texto

Uma frase de Geraldo Vandré..."quem sabe faz a hora não espera acontecer", que mesmo fora do contexto político da época em que foi divulgada resume de forma muito feliz a necessidade de se fazer o que deve ser feito.


Eu acho que nada acontece por acaso. Ao menos sei que muitas vezes o universo conspira a favor do individuo e determinadas atitudes deflagram ações para um bem maior. Há tempos venho pensando em como conseguir ajudar a mudar o cenário da saúde entre nós. Mas me limitei apenas a escrever sobre saúde e doença na expectativa de despertar pelo menos curiosidade a respeito.  Seguida depois de força de vontade para mudar e união de muitos de nós em torno de projetos em várias comunidades, cidades, estados e assim por diante. Um efeito dominó...que não tem acontecido nas questões da saúde.


Tivemos o exemplo das redes sociais e o impacto da massa nas mudanças sociais necessárias (Egito, Líbia). Aqui entre nós o chamamento para protestos, no dia da independência, contra a corrupção no governo e nas entidades públicas.Aqui também foi deflagrado pelo facebook. Uma mulher indignada imaginou ser possível fazer acontecer.

Hoje,sábado, no Globo, coluna da Cora Ronai uma foto, entre outras me chamou atenção: uma mulher com uma frase estampada na camisa, durante o protesto contra a corrupção. Ela dizia: “Até quando voe vai ficar sem fazer nada?”

Algumas horas depois, ao ler os email, me deparo com uma carta escrita por uma médica pediatra do Rio de Janeiro dirigida ao governador Sergio Cabral a respeito do caos na saúde pública e da catástrofe anunciada da epidemia de dengue no estado. Quem é a autora da carta? Há um nome e alguns endereços (com telefone) para confirmar a autenticidade.

Mas mesmo que fosse um grupo de indivíduos, médicos e/ou não médicos interessados em alertar e impor um “choque de ordem” no governo (do Rio e federal) a respeito do caos anunciado na saúde. No momento em que se discute de onde sairá a verba necessária para injetar vida  no projeto que cuida da saúde do cidadão, no momento em que se reconhece a necessidade mas ninguém quer pagar a conta, é mais que oportuno ver divulgado um rompante de rebeldia política. É urgente e necessária não apenas reflexão a respeito, mas ação!

Mesmo que alguns vejam apenas a inconseqüência do desrespeito ao poder instituído, mesmo assim terá valido a pena. A que preço para ela, médica (ou eles no seu entorno) posso ter uma idéia... Mas alguém tinha que iniciar o protesto. Quem sabe se muitos reclamarem juntos, se todos os que se sentem esmagados pelo sistema de saúde (sem querer politizar ainda mais a discussão),ou os que sentem na própria carne a dor e o desespero da ausência de saúde e da falta do conforto e cuidado necessários e legitimados na contituição se derem as mãos e iniciarem uma luta continua e responsável pela restauração da qualidade da saúde pública.
 
Se nos mobilizarmos poderemos fazer a diferença! Esse é o momento! A médica que teria escrito a carta ao governador termina o texto com uma frase que reproduzo aqui:
 
 
“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons". Martin Luther King
 
A carta está disponível, na íntegra, em outro texto postado aqui neste espaço (Recanto das Letras). Façamos todos uma profunda reflexão!

E vale a pena retomar a pergunta que deveria encabeçar todos os protestos sejam eles a respeito da corrupção, da ingerência da saúde, da educação ou qualquer outra percepção da sociedade em relação aos seus direitos não respeitados:

“Até quando você vai ficar sem fazer nada?”
elizabeth navarrete
Enviado por elizabeth navarrete em 10/09/2011
Reeditado em 10/09/2011
Código do texto: T3211615
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
elizabeth navarrete
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/09/14 16:53)