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O PODER MAQUIAVÉLICO

A frase célebre "l´étá c´est moi" (o estado sou eu) de Luis XIV, rei absolutista, não foi uma boa senha para o povo que, sublevado, tomou o poder na Revolução Francesa sob o lema: Égalité, Fraternité et Liberté, alguns anos depois, inspirando a revolta e a tomada de poder na Europa e na América Latina... Inclusive no Brasil.

Abre a porta para os teus amigos pois os inimigos não te darão oportunidade. Ou seja: Procura os teus amigos e encontrarás sempre abertas as suas portas. O inimigo, se te receber, o fará para aproveitar-se de ti e da tua situação. para humilhar-te ou para penetrar o teu intimo e destruir-te. Aquela máxima de Maquiavel que é livro de cabeceira dos políticos também pode ser adotada com cautela e sabedoria.

Em O príncipe, Maquiavel diz: "Se não podes contra os teus inimigos porque são mais fortes e mais poderosos que tu,  aproxima-te deles, faze aliança a eles, conquista sua confiança. infiltra-te em suas bases e depois destrua-o".

Muito forte, fria e calculista, esta máxima vem sendo praticada pela humanidade, desde que o homem pensou em dominar seus semelhantes, a partir da palavra poder.

Certo que não foi Maquiavel quem inventou este método; entretanto, coube-lhe sintetizá-lo diante da experiência histórica do seu tempo, deixando-o na sua obra não só como exemplo a ser seguido, mas como um sinal de alerta para os humanos, cada vez mais frios e insensíveis quando investidos do poder...

Maquiavel era italiano. Roma dominou o mundo durante séculos, até dividir-se em dois impérios - do Ocidente, com sede em Roma e do  Oriente, com sede em Constantinopla.

Enfraqueceu-se e os turcos tomaram Constantinopla, decretando a decadência do grande império romano.

Existe uma lei natural que nos ensina que tudo o que chega ao apogeu, ao clímax, ao cume, ao máximo, está bem próximo da decadência e do caos. Esta lei vale para tudo e para todos. Os exemplos estão em nossa casa, nossa família, nossa comunidade, em nosso país. Nós não nos preocupamos muito com essas coisas e, invariavelmente, somos apanhados perplexos, quando a desgraça se abate sobre a nossa cabeça.

Somos humanos, falíveis, egoístas, vaidosos, ostentadores e, acima de tudo, temos sede insaciável de poder.

O homem procura a perfeição em tudo, mas esquece que o poder é uma faca de dois gumes. Agarra-se a ele e acaba por tomar-se vítima voluntária da destruição ao colocar em plano secundário o respeito à pessoa humana, esquecendo-se da sua própria origem.

Mais tarde, invertidas as posições, vê o seu mundo desmoronar-se, tudo pelo contrário do que fez, mas não tem consciência dos erros que praticou e tenta voltar ao poder, numa sucessão interminável de idas e voltas que só fazem degradá-lo cada vez mais, quando deveria estar em melhores condições de se auto-gerir.

Os regimes e sistemas de organização do poder são diversos, mas o homem tem no poder o objetivo a ser alcançado por ideologias e filosofias que visam o bem-estar do povo, mormente das classes menos favorecidas. Na realidade, nota-se através dos tempos, que o homem prega aquilo que não quer ou não pretende realizar. Os pregadores, na sua grande maioria, trazem a esperança de melhores dias, empregos e salários compatíveis com a dignidade humana, segurança para todos, justiça para todos, reforma agrária, habitação, escolas, hospitais e assistência médica, melhores condições sanitárias, fim da corrupção, fim da impunidade, diminuição do déficit público, creches para todas as crianças e uma infinidade de promessas em seus programas de governo.
 
Normalmente, vencedores do pleito, depois de assenhorarem-se do poder, planejaM sobre várias prioridades e esquecem o essencial que pregaram.

A burocracia, O NEPOTISMO, o excesso de pessoal, a incompetência e as mordomias, servem como empecilho à grande parte da execução de planos e obtenção de metas.

Mas a democracia tem a vantagem de renovar.

Passam os anos, o processo eleitoral se repete.

Tudo como antes, hoje, e sempre...
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 29/07/2005
Reeditado em 27/09/2005
Código do texto: T38733

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis