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Decadência

Para falar de decadência precisamos chegar ao ponto, aquele lugar em que nossa vivência nos leva a refletir sobre o que nos espera logo além.

Quando somos crianças, não pensamos em nada sobre esse evolver que nos levará ao fim inevitável de quem está vivo e se apercebeu, chegou ao ponto em que a consciência revela que envelhecemos, somos decadentes e estamos próximos do fim.

O nosso tempo infantil é recheado de perguntas, estamos aprendendo sobre a vida e o que ela nos reserva, tudo é novidade e desafio, observação meio que irresponsável do mundo que nos cerca.

A adolescência chega com tudo e aquela sopa de hormônios que irriga nosso corpo, nos torna indestrutíveis, parece que nada pode nos fazer mal, é um momento de explorar os nossos limites físicos e talvez a nossa fase mais irresponsável e nem pensamos no temor e na fragilidade do nosso corpo e se vamos sobreviver a ela.

Os sentimentos estão a flor da pele e a atração física pelo sexo oposto nos deixa loucos de amor, deve ser a nossa melhor fase de vida, uma vontade de beijar de agarrar e amassar, uma tempestade gostosa que a gente quer que nunca acabe.

Aí a gente se apaixona, namora até não poder mais e de repente encontra aquela pessoa parceira que quer acasalar e gerar filhos e viver ao nosso lado para sempre.

E novamente a vida vai exigindo mais e mais e quando acordamos estamos mais gordos e mais sem cabelos, aí começamos a pensar na decadência porque o diclofenaco já faz parte de nossa vida, é rotineiro sentir dores inexplicáveis e outras coisas, aí você acorda e começa pensar no fim que te aguarda ali, numa curva descendente que você não esperava mas está cada vez mais real.

A decadência é inevitável, mas você deve sentir-se privilegiado de ter vivido tudo que viveu para chegar aqui e poder observar e refletir sobre a efemeridade da vida.

Você não precisa temer a decadência, é só mais uma fase, diria até que estou fazendo melhor certas coisas que não fazia quando era mais jovem, até o sexo vira uma brincadeirinha mais saborosa, mais cadenciada, mais sentida, sem aquela impetuosidade que decepciona porque acaba logo, começamos até a nos criticar por não ter curtido mais quando a bateria estava a cem por cento.

São as constatações da decadência, essa parceira que nos aguarda no fim do caminho, querendo nos abraçar e nos dominar e até nos convencer de que não tem mais jeito. Vou te dizer, tem jeito e não vou entregar de jeito nenhum, vou passar pelo fim me debatendo e bem extropiado, sem mágoa e sem rancor, mais consciente do que nunca.

Vou sair do outro lado, pulando alegremente, feliz de ter vivido no amor e de preferência, sem pendências, perdoando e pedindo perdão.
Humberto Manhani
Enviado por Humberto Manhani em 14/11/2017
Código do texto: T6172091
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Humberto Manhani
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil, 57 anos
500 textos (15026 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/11/17 14:13)
Humberto Manhani