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A DESMORALIZAÇÃO DO SENADO


De há muito que a classe política, no Brasil, é mal vista e odiada pelo povo brasileiro.  Ultimamente, tantas são as falcatruas, corrupção e roubalheiras que a ojeriza ultrapassou todos os limites.
O Senado Federal, Instituição Nacional da mais alta tradição moral    e cívica no passado, hoje parece ter se transformado numa vergonhosa casa de negócios escusos e de interesses apenas pessoais. O interesse da Nação já não mais existe, porque os eleitos pensam apenas em fazer negócios e aumentar a própria fortuna, onde os fins justificam os meios.
O corporativismo, salutar e até desejável em qualquer classe, aqui tomou a forma de Fortaleza e defesa de cada membro.
Há quatro meses que o Senado vive uma situação delicada e ao mesmo tempo muito grave. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, acusado de ter quebrado o “decoro parlamentar” por suas falcatruas com o dinheiro público e pagar contas extras familiares com dinheiro de Empreiteira,
    supostamente, conivente, proclama alto e bom som a sua inocência. Para ele o resultado das investigações da Policia Federal e dos Promotores Públicos não passam de perseguição política e intriga da oposição. Mal grado todas as evidências dos fatos, como Notas Fiscais frias de venda de bois, açougues que negam terem comprado carne do senador, explicações não convincentes para transações duvidosas, para ele é tudo mentira. Diz que não há provas concretas contra ele e que a sua inocência será comprovada. Como sempre, a situação leva sempre a vantagem do poder e todos os meios lícitos ou ilícitos são usados em seu próprio beneficio. Juntos, acusado e seus defensores urdem todas as manobras para provar a inocência do acusado.
Não há dúvida que no Senado há bons e maus elementos. Embora não possamos generalizar, sabe-se que tem muitos Senadores coniventes ou simplesmente defensores do próprio nome e que defendem o presidente, não porque o julgue inocente, mas porque têm medo de também serem respingados pelas sujeiras que infestam todo o ambiente, e que o seu telhado de vidro fique exposto e sujeito a pedradas.
Os senhores Senadores tinham a difícil tarefa e obrigação parlamentar de defender o Senado já muito desgastado e sem
 qualquer credibilidade perante os seus eleitores. O que realmente importava não era defender o seu Presidente, mas o próprio Senado que já estava na beira do abismo.
No histórico dia 12/09/07, os Senhores Senadores estavam reunidos para resolverem a delicada questão: ou condenavam o seu presidente e lavavam a alma da Instituição, ou inocentava o presidente e jogava na sarjeta toda a credibilidade e honorabilidade da própria instituição a que pertenciam.
Graças a manobras espúrias e de ultima hora do Governo e seus aliados e comandadas pelo próprio PT, seis Senadores se abstiveram de votar e deram a vitória para o Sr. Renan Calheiros, jogando o Senado no fundo negro e vergonhoso do poço, perante a opinião pública.
 Por uma contagem de votos que atingiu um resultado muito sugestivo: 40 a 35, o acusado foi inocentado, o Senado vilipendiado e a inteligência do povo afrontada.
“Os quarenta ladrões e seu Chefe” foram declarados inocentes e os trinta e cinco que votaram pela condenação foram transformados simplesmente em bobos ou simples inocentes úteis.
Agora o impasse está criado. Será que o Senador Calheiros terá condição moral de presidir as Seções do Senado? Não sabemos até onde vai a “cara de pau” do presidente inocentado. Mas a oposição garante que irá obstruir os trabalhos daqui em diante. Neste caso, os trabalhos da Casa seriam  paralisados?
Não sabemos, com certeza, o que irá acontecer nos próximos meses. Mas de uma coisa temos absoluta certeza: o Senado Federal foi totalmente achincalhado e desmoralizado perante a opinião pública.
Narciso de Oliveira
Enviado por Narciso de Oliveira em 14/09/2007
Reeditado em 16/08/2010
Código do texto: T652053
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Sobre o autor
Narciso de Oliveira
Campinas - São Paulo - Brasil, 83 anos
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Narciso de Oliveira