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O Otário

Como não poderia ser diferente foi em uma mesa de bar batendo papo, na verdade ouvindo mais que falando, com um grupo de amigos que tive a estarrecedora revelação de minha triste condição:
- Sou um tremendo OTÁRIO!
Dizem que gênio é aquele que enxerga o óbvio. E sem dúvida nenhuma não é esse o meu caso, afinal fui só perceber isto agora trinta anos depois de minha vinda para este duro e triste mundo.
Como em todos os casos quando você é posto diante da realidade nua e crua, como, por exemplo a morte eminente ou uma traição violenta, passei por todos aqueles estágios com seus “çãos”: negação, negociação e finalmente aceitação.
Fui atrás de respostas para esta triste revelação sobre meu eu. Procurei no “pai dos burros”, o que para muitos admitir sua ignorância já é uma prova de “otarisse”, e estava lá.
Otário sm. 1. Gír. Indivíduo tolo, simplório.
Ainda em negação me perguntava será mesmo que sou um otário?
Dizem que são nossos atos e convicções que nos definem. Então resolvi examinar sem preconceitos e da maneira mais sincera possível os meus atos e convicções.
Acredito na boa educação, em tratar aos outros com respeito, dizer bom dia, obrigado, desculpe. Que o cavalheirismo não deveria ter caído de moda. Sempre que possível dar a vez aos outros e ser pacêncioso com os mais velhos. Quando caminhando em companhia de uma dama sempre ao seu lado não na frente ou atrás e com ela para o lado de dentro da calçada evitando assim que possa ser atropelada. Acredito realmente, não na igualdade entre sexos, mas que a mulher é superior ao homem afinal pode gerar outra vida além de ser mais sensível.
Gosto de ouvir música, mas ouvir mesmo não assistir a um “clip” na MTV. Gosto de sentar em meu quarto no escuro com o fone de ouvido e ouvir minhas bandas prediletas como Pixies, Ramones, Dinosaru Jr, Bloc Party entre outras, durantes horas.
Gosto de ler e acredite se quiserem ler livros e livros grossos, com duzentas, trezentas páginas ou mais de autores como José Saramago.
Acredito, e o que é mais espantoso, ponho em prática a fidelidade. Que uma relação entre duas pessoas deve ser baseada no respeito e amor ao outro. Não acredito nas puladas de cerca, nas escapadinhas com suas mentiras e dissimulações para “apimentar” o relacionamento. Ou você gosta e quer ficar junto ou não gosta e pronto. E aí deve ser sincero com você e com o outro e ir procurar o que lhe falta.
Acredito em Deus! Realmente acredito. É verdade que não neste Deus vingativo, rancoroso que a qualquer falha nossa nos manda para o inferno por toda a eternidade sem apelação ou chance de reabilitação. Mas sim em um Deus que nos mandou aqui para nos tornarmos sua imagem e semelhança, ou seja, seres perfeitos. E obtemos isto através do conhecimento de nós mesmo e da prática da caridade, paciência, resignação. Que viemos para cá para nos tornarmos melhores e tornar este mundo melhor para as próximas gerações.
Acredito na importância da família. Em não jogar lixo na rua, não maltratar animais, não falar palavrões, não se aproveitar de uma situação que possa prejudicar aos outros em benefício próprio. Prática muito comum de nossos políticos e funcionários públicos. Acredito na educação como meio para melhorar o país. Que não é necessário passar por cima de tudo e de todos para alcançar nossos objetivos. Que o dinheiro não é tudo, não trás felicidade e não manda buscar. Que o ser humano ainda é mais importante que os resultados.
Sejamos sinceros, somente um completo OTÁRIO teria estas diretrizes e o que é pior as seguiria. Estamos no século vinte e um! A tecnologia superou de longe nossa humanidade. Devemos matar sem piedade para não sermos comidos vivos. Este é o consenso geral. Todos acreditam e seguem isto ao pé da letra. Cada um por si e Deus contra todos. Quem não fizer isto será atropelado pelo trem da evolução. È muito mais fácil acreditar e por em prática o olho por olho do que o dar a outra face.
Não sei quando nem porque me tornei um otário ou utilizando o termo inglês para perdedor, um “Loser”. Talvez tenha sido culpa dos meus pais e a educação que me deram. Ou o fato de ter estudado em colégios públicos a vida inteira. Infância pobre, más companhias, sei lá. Sei que não será fácil mudar meus paradigmas e convicções, mas como disse no início posso não ser um gênio, mas aprendo com meus erros e prometo que estes erros, minhas convicções, serão corrigidas e logo estarei apto a voltar a integrar a raça humana.
Mark Brunkow
Enviado por Mark Brunkow em 20/11/2007
Código do texto: T744412
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Sobre o autor
Mark Brunkow
Curitiba - Paraná - Brasil, 41 anos
24 textos (1384 leituras)
4 e-livros (72 leituras)
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Mark Brunkow