Vida segura dos coroas
Sinal vermelho

Oi, pessoal. Quem ia fazer os artigos sobre a vida segura dos idosos era Dra Leila, mas fiz questão de opinar nessa.

Ah! Ela já publicou texto sobre osteoporose, escrito pelo Dr Motta, ortopedista, em “Temas médicos”. Até mesmo abordou sobre o assunto num papo informal com Gisa, no texto “Messenger”, que está em “Convidados”, onde Dona Menô (eu) falou sobre alimentação e osteoporose. Também já existe um texto sobre “Demência” e Alzheimer, que o Dr Jorge Amorim, neurologista, escreveu em Temas Médicos. Além de a doutora falar toda hora sobre menopausa, velhice e o escambal.

Isso fica chato, né? Médica falando dá no saco! Resolvi eu mesma falar sobre uma coisa que acho muito importante para nós na terceira idade.

Quanto à terceira idade, eu concordo com esta médica: Não estamos na meia idade coisa nenhuma! Nunca vi gente de cem anos comprando alface no sacolão... Eu to mesmo é na terceira idade! E que Deus me dê muitos anos nesta fase para aproveitar da melhor forma!

Dizem que terceira idade é a partir de 60. Eu to com quase isso e me sinto uma garota gostosa de 20, mas, infelizmente, dentro do meu corpo não é bem assim que a coisa rola, né?

Tudo é a oxidação. Se não fosse a oxidação, nada disso acontecia. A gente consome as nossas células, que criam escórias pela oxigenação e que acabam com elas. Aí, o corpo envelhece. É como o casco do navio em contato com a água e o ar – ferrugem, oxidação!

Osso, pele, músculo, coração, sangue, cérebro, tudo é tecido; tudo envelhece e muita coisa não funciona tão bem quanto antes, mesmo que achemos que sim. E a gente nem percebe por algum tempo!

Por falar nisso, pele é órgão, sabiam? Ela tem um sistema próprio para funcionar e produzir um resultado (ou resultados) no nosso corpo; trabalha para nos proteger contra o ambiente, inclusive contra o calor e frio. O sangue é um tecido em forma de líquida, composto de células diferentes. e distribui os alimentos, hormônios e enzimas pelo organismo, nutre outros tecidos, oxigena, faz as trocas gasosas. Um conjunto de células dá um tecido; um conjunto de tecidos constrói um órgão. Um conjunto de órgãos dá um sistema interligado.

Osso e músculo são estruturas de sustentação e proteção de nosso corpo. Dentro do osso é órgão, que é a medula óssea, que produz células sanguíneas. Mas o osso serve para proteger nossos órgãos (como é o caso das costelas) e para nos deixar em pé (como é o caso da coluna, bacia e do fêmur). As articulações são responsáveis pela nossa mobilidade. E, saibam, isso não é percebido entre jovens, mas é um dos maiores problemas dos coroas. Tudo fica fraco na velhice: osso, pele, órgãos, músculos, juntas... tudo.

“Junta” tudo e joga fora? Não!!! Junta tudo e façamos a revolução! Vamos reformar a casa velha!

Os radicais livres produzidos, que são estas escórias da oxigenação celular, são produzidos em maior ou menor quantidade, dependendo de nossa alimentação e hábitos de vida, mas, com certeza absoluta, vamos envelhecer e nos oxidar! Uns, em graus mais avançados, outros, não. Até um treco nos matar - até mesmo um acidente.

E é aí que eu entro. É aí o assunto do nossos textos a partir de agora: acidentes.

Dia desses uma amiga de muitos anos morreu. Ela foi amassada por um caminhão ao atravessar a rua. Mas não foi o acidente em si que a matou, não!

Primeiramente deixem-me contar como foi o ocorrido:

Ela vinha olhando de cabeça baixa, talvez pensando na papinha do neto que tinha que fazer. Sei lá o que acontece com a cabeça das pessoas. Ela simplesmente esqueceu que estava numa via de alto movimento e atravessou!

Aqui no Brasil a população é tão grande e nervosa que o trânsito também é neurótico. Não existe educação do motorista, ainda mais quando colocam “analfabetos da vida” num volante. O cara achou que a minha amiga ia andar mais rápido. Ele achou que ela não era merecedora do respeito de desacelerar seu carro.

Tibum! Ela voou longe e seu fêmur foi fraturado. Dois dias depois uma embolia gordurosa a matou. Uma bola de gordura da perna andou pelo seu sangue e tamponou a circulação do pulmão. Até um coágulo poderia causar isso. Não houve tempo de salvá-la. 

Minha amiga tinha osteoporose, muito comum entre as mulheres, mais do que entre os homens. Ela tinha os ossos porosos, principalmente pela menopausa e pelos poucos cuidados que teve quanto a isso. O osso fratura com mais facilidade quando está poroso.
Os homens, por terem uma massa óssea mais resistente, e pelo fato de não dependerem de hormônio feminino para fixar o cálcio no osso, não sofrem tanto com a osteoporose, mas a mulher sim!

Pois é... Um caminhão a matou? Não... A osteoporose a matou, mas, principalmente, a distração a matou. Se ela tivesse paciência de entender que seu corpo e sua mente poderiam a trair, ela certamente teria mais cautela em atravessar a  rua e fugir do cara que achava que somos exímios dribladores das adversidades da cidade grande.

Atravessar a rua no sinal vermelho, para nós, é a melhor solução. Deve-se atravessar em cima da faixa branca e, mesmo assim, olhando para os dois lados, imaginando que um idiota possa estar infringindo uma lei de trânsito.

Ontem eu atravessei a rua fora do local do semáforo. O motorista parou e até atrapalhou os outros carros. Colocou a mão e a cabeça para fora da janela e disse: “Pode passar, senhora...”.

Eu me senti na Europa...
Que coisa boa aquele senhor! Mesmo sabendo que ele estava a fim de olhar minha bunda com mais cuidado... Dei “te loguinho” e uma piscada de olho. Ele deu uma buzinada e fomos cada um para um canto. Aproveitei para balançar aquilo que há muito tempo só balança pelas gordurinhas extras...

Se a gente tivesse alguns segundos na nossa vida para pensar e respirar, muita coisa não aconteceria... Não podia ser sempre assim?!

Outra hora eu continuo este assunto.

Beijos da Menô!!!

Rio, 10 de "janeiro, fevereiro, março" de 2008
http://www.clubedadonameno.com

 

Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 11/01/2008
Reeditado em 11/08/2008
Código do texto: T812426
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