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A CIDADE DE POÇÕES - História

ASPECTOS FÍSICOS


LOCALIZAÇÃO - COMUNICAÇÕES - ÁREA - ALTITUDE

POPULAÇÃO - ELEITORES - LIMITES - TOPÔNIMO

SOS RIO SÃO JOSÉ - LEIA MATÉRIA NESTA PÁGINA


Poções localiza-se na região Planalto da Conquista, Sudoeste da Bahia, a 444 km de Salvador.
A sede municipal é cortada pela Rio-Bahia — BR-116 - seu principal eixo rodoviário e pela rodovia BA-262 que liga a sede do município a Itabuna - via Nova Canaã, Iguaí, Ibicuí, Ponto de Astério, com bifurcação na BA-263 rodovia Vitória da Conquista-Itabuna, até a BR-101. O município, desde a sede, é ainda servido por rodovia asfaltada até a sede do município de Bom Jesus da Serra, com extensão de 30 km., beneficiando parte da sua zona rural, bem como facilitando o intercâmbio comercial e sócio-cultural entre os municípios.

A cidade está localizada numa depressão em forma de bacia. O centro comercial situa-se na parte baixa, enquanto na parte alta concentram-se as residências. Vários bairros compõem a sede municipal, a exemplo dos bairros Tigre, Boa Vista, Alto do Indaiá, Santa Rita, Primavera, Tiradentes, Lagoa Grande e São José.
Grandes enchentes marcaram a vida poçoense, registrando-se as maiores, nas décadas de 1940 e 1950. No início da década de 1980 a cidade registra a última enchente, cujos prejuízos foram inferiores às anteriores. O velho açude da rua de Morrinhos costumava romper-se diante de chuvas prolongadas e todo o centro comercial era invadido pelas águas, casas destruídas, muros tombados, mercadorias totalmente perdidas, muitos prejuízos contabilizados no comércio e nas residências da parte baixa da cidade. Tudo isso faz parte do passado.

COMUNICAÇÕES

Poções dispõe de serviços de telefonia fixa e celular, DDD (77) - DDI, através as empresas TELEMAR e TELEBAHIA CELULAR. Conta com agência dos Correios e é cortado por estradas asfaltadas - BR.116 - Rio-Bahia e BA-262 via - Nova Canaã, Iguaí, Ibicuí, Floresta Azul, Ibicaraí, Itapé, Itabuna até a BR-101, e daí ao Porto e Aeroporto de Ilhéus, além de recente rodovia que liga Poções a Bom Jesus da Serra.

TRANSPORTES

Dispõe de linhas regulares de ônibus para Salvador, Vitória da Conquista e para todo o país com acesso às principais rodovias do nordeste, norte, centro oeste, sul e sudeste do país. A cidade dispõe de aeroporto asfaltado para aeronaves de até 50 passageiros.
Os aeroportos mais próximos para aviões de médio e grande portes estão em Vitória da Conquista, Ilhéus e Salvador.

ENDEREÇO da PREFEITURA

A Prefeitura Municipal de Poções pode ser diretamente contatada pelos telefones: (0XX77) 431-1321 ou na sua sede, localizada na Praça da Bandeira, nº 2 - Poções - Bahia - CEP: 45.260-000

ÁREA, ALTITUDE E CLIMA
Sua área territorial é de 966,3 km²

Em relação ao nível do mar, sua maior altitude é de 760 m.
Tipo climático: Semi-árido e seco a sub-úmido. Clima frio e seco no inverno, temperado no verão. Temperatura média anual de 20,2 graus centígrados. Chuvas abundantes de outubro a janeiro. Índice pluviométrico anual de 504 mm.

SOLO E ÁGUA
Seu solo é fértil, mas parte do seu território enfrenta os problemas da seca cíclica, na região da caatinga, cujo solo é semi-árido. Sua área está incluída no Polígono da Seca. Seu principal manancial de água doce é o rio das Mulheres que atravessa a sede municipal, contribuindo com uma grande barragem em Morrinhos que abastece a região de água de excelente qualidade. O Rio São José encontra-se açoreado, necessitando de urgente revitalização e o Riacho do Divino Espírito Santo transformou-se em depósito de dejetos dos esgotos da cidade.

POPULAÇÃO - ELEITORES

Apesar da recente divisão territorial, que desmembrou os ex distritos de Bom Jesus e Caetanos, o município ainda conta com expressiva população, estimada em 45 mil habitantes, dos quais, 34 mil vivem na sede, além de um contingente eleitoral de 30 mil eleitores. Sua densidade demográfica é de 29,42%. O censo demográfico oficial do IBGE, realizado no ano 2.000 apresenta os seguintes números: População Total: 44.152 habitantes. População Urbana: 31.753. População Rural: 12.399. Homens: 21.824. Mulheres: 22.328.
LIMITES

Poções limita-se com Boa Nova, Nova Canaã, Bom Jesus da Serra, Iguaí e Planalto. Seu território era muito extenso, limitando-se em meados do século XX, com Vitória da Conquista, Ituaçu, Tanhaçu, Boa Nova e Itabuna. Com a emancipação dos ex distritos de Nova Canaã, Iguaí, Ibicuí e Planalto, perdeu grande parte do seu território. Recentemente, perdeu os ex distritos de Bom Jesus da Serra e Caetanos que conquistaram sua emancipação política, transformando-se em municípios autônomos, em 1989, adentrando a última década do século XX com um único distrito, o distrito sede.

TOPOGRAFIA
SERRAS E RIOS

Sua Topografia é acidentada, com destaque para as serras de Ouricana, Espeto, Umbuzeiros, Bom Jesus, do David e Dobarusa. Seus principais rios, são - do Vigário, das Mulheres, São José e Ouricana. Entre as cachoeiras destacam-se as cachoeiras da Bandeira e Sete Voltas.

Rio São José - SOS - Trgaédia Anunciada

Açoreado, com as matas ciliares quase destruídas pela sanha dos predadores e vendedores de carvão vegetal, fruto do desmatamento das matas nativas ao longo do seu curso, o rio São José estava sentenciado à morte não fosse a ação da natureza trazendo fortes chuvas para a região que deixaram em apenas 7 horas, 260 mm e no último mes,de janeiro de 2004, 660 mm. Estas águas aumentaram o nivel do rio em até quatro metros e o sangradouro da barragem que abastece Poções, encontra-se em fase próxima de sangramento. Ambientalistas que acompanham o dsesenvolvimento destas chuvas e pela estimativa de chuvas nos próximos dias discutem a possibilidade de haver rompimento de uma ou mais barragens, entre as quase vinte que foram construídas desde a sua nascente. E qualquer delas que possa romper-se trará um efeito dominó, com o rompimento de outras, o que poderá ocasionar o maior desastre, uma tragédia quase anunciada. Daí, tomamos a liberdade de chamar a atenção das autoridades estaduais e federais.
O prefeito de Poções decretou estado de emergência, preocupado com as fortes chuvas que derrubaram casas e muros e danificaram logradouros públicos. Chamamos a sua atenção para acrescentar no decreto de estado de emergência a situação das barragens do rio São José a que nos referimos. Uma semana antes, enviamos através do seu secretário um CD contendo 200 fotos tomadas ao longo do rio, onde as barragen estão sangrando, elevando o volume da barragem principal, dentro da cidade de Poções, em cerca de quatro metros, a 30 cm do sangradouro que é insuficiente se o volume continuar a crescer nos níveis atuais. Falamos pessoalmente com o prefeito, no dia 25 de fevereiro, na Câmara de Vereadores, acompanhados pelo amnbientalista Adoniran Andrade Cunha. Esperamos que o Executivo poçoense cumpra o seu dever e alerte a defesa civil e demais órgãos competentes em outros níveis de governo.
OS: Nada foi feito, as chuvas cessaram e a barragem continua intacta. Entretanto, está sujeita a tudo que aqui foi narrado, se não forem adotadas providências visando o combate ao desmatamento em suas margens e incentivos à revitalização do seu entorno.

O RIO SÃO JOSÉ

O rio São José nasce em Duas Vendas, no município de Poções e por mais de um século, serviu como manancial para abastecer de água potável a população poçoense até a construção do velho açude, localizado entre o centro comercial e a rua de Morrinhos. A falta de cuidados da população e do poder público açoreou o açude que entrou em processo de salinização, transformando-se em foco de esquistossomose. Quando chovia muito, o rio São José despejava muita água e o açude não suportava o volume, causando grandes enchentes que trouxeram enormes prejuízos aos moradores das proximidades da rua de Morrinhos, fundos da praça Góes Calmon e parte baixa da praça Docleciano Teixeira, no centro da cidade, ocasionando grandes perdas para o centro comercial, cujas lojas eram invadidas pelas águas; casas destruídas, mercadorias levadas pelas águas, isso lá pelos idos dos anos 1940.
No final da década de 1940, uma seca tremenda assolou Poções e a solução encontrada foi a evaporação das águas do velho açude. O processo de evaporação das águas não tenho como descrever pois ainda era muito jovem, talvez com quatro ou cinco anos de idade. Sei que após a evaporação, formaram-se nuvens que, juntaram-se às já existentes; posteriormente, o francês Junot, contratado pela prefeitura para realizar tal serviço, subiu no avião e bombardeou as nuvens com gelo seco. Tudo foi feito. Evaporou-se o açude, as nuvens formadas foram bombardeadas impiedosamente de avião, mas não choveu em Poções. O vento atrapalhou os planos do técnico francês que nunca mais pode voltar à cidade. Desgraçado - diziam os prejudicados - se vier aqui vai morrer - e Junot, avisado, tratou de evaporar-se, também. Eis que, a chuva caiu próximo à divisa de Poções com Tanhaçu; esse fato aborreceu muito a população.

O NOVO AÇUDE

Com nova localização, no final da rua São José, foi construído um novo açude, bem maior que o anterior, aproveitando-se o rio São José. Infelizmente, a incúria da população e dos maus políticos está matando o rio, completamente açoreado e com suas matas ciliares destruídas, transformadas em carvão.
Houve uma noite, no início dos anos 50 que o novo açude rompeu parte de sua estrutura de barro e ameaçou inundar a cidade. Nesta ocasião eu estava com meu pai e alguns irmãos, e fomos acordados com gritos da população de que o açude estaria quebrando. Saímos correndo, carregando o que nos era possível e fomos para a praça da Bandeira, parte alta da cidade, onde morava a tia Ida. Logo ao amanhecer fomos todos ver o açude, onde algumas máquinas pesadas trabalhavam para ampliar o ladrão da barragem. O nível da água baixou e a parede de barro foi restaurada, para sossego das famílias.
Em 1980 houve outra enchente em Poções e as águas chegaram a inundar a praça Góes Calmon, chegando à praça Deocleciano Teixeira, atual Raimundo Magalhães, causando muitos prejuízos à população, tendo o prefeito Octávio Curvelo decretado estado de calamidade pública. Várias casas desabaram e houve muita gente desabrigada. Esta foi a última enchente do rio São José de que temos notícia.
O rio São José está morrendo. O açude está sujo, as águas poluídas pelos esgotos que o contaminam diariamente, por total indiferença do poder público municipal. Local aprazível, que já foi motivo de orgulho para o poçoense, hoje degradado e abandonado. Os vereadores não estão nem aí para esse estado de coisas. Não há um movimento em prol da revitalização do rio ou do açude... Falta de lideranças que tenham sensibilidade e pensem no futuro.
A degradação do açude, entretanto, deu-se com o passar dos anos. A água que abastecia a população de classe média e classe média alta ficou imprestável para o consumo, já que os esgotos da cidade despejam ali os seus detritos; a população passou a servir-se de água do rio das Mulheres, na Cachoeirinha, a cerca de três Km. da sede; jumentos e carros-de-boi subiam a atual rua da Itália, passavam pelo casarão de Argemiro Pinheiro e iam até a Cachoeirinha carregando água em carotes (barris) de madeira. Cada família tinha seu \"aguadeiro\" que fazia várias viagens à Cachoeirinha em busca do precioso líquido. Com a construção da barragem de Morrinhos pelo DNOCS e a instalação da adutora, a cidade passou a ter água encanada, a partir do final da década dos anos 1950, chegando à plenitude do abastecimento nos anos 1960.
Em lugar das águas correntes do rio São José, que nasce em Duas Vendas, no município de Poções, há cerca de 20 Kms. da sede, a prefeitura, em convênio com o governo federal vem construindo um grande canal de esgotos que atravessa toda a cidade e vai desaguar numa estação de tratamento na margem esquerda da BA-262, rodovia Poções - Nova Canaã.
O século XXI será marcado de luta pela água em todo o planeta. Substituir um rio de águas correntes por esgotos foi a opção encontrada pelos nossos prefeitos, nas últimas décadas do século XX, culminando com a política nefasta de transformar o rio São José num grande canal de esgotos, processo iniciado na gestão Antonio Mascarenhas que tem continuidade na atual administração numa ação própria de quem desconhece o valor da água.
É certo que o açude da rua São José está salinizado. Mas o rio é de água doce, com pequenas barragens construídas ao longo do seu curso, beneficiando inúmeras propriedades rurais. Por que não, um projeto de revitalização, ao invés dos crimes ambientais cometidos ao longo dos anos que acabarão por destruí-lo?


ESTATÍSTICA DA EDUCAÇÃO
Unidades Escolares: 58
Creches: 04
Número de alunos matriculados em 2002: 10.464
Número de professores: 385
Outros profissionais no setor: 153
Alunos transportados: 1.464
Programas implantados: 05
- Proleigo
- Alfabetização Solidária
- AABB Comunidade
- Educar para Vencer
- BB Educar
Fonte: Secretaria Municipal de Educação

ECONOMIA
AGRO - PECUÁRIA
CAFÉ, GADO E HORTIFRUTIGRANJEIROS

A economia de Poções é muito diversificada. Tradicional produtor de café e gado bovino, o município produz hortifrutigranjeiros, em especial o tomate e o pimentão, em propriedades agrícolas ribeirinhas, através sistema de irrigação. A criação de suínos, caprinos e ovinos complementa a atividade no campo.
O Município de Poções ocupa o 1º lugar na Bahia como produtor de fava e 4º maior produtor de tomate, com produção expressiva de mandioca. Além dos já citados, seus principais produtos são: Feijão, banana, milho, aipim e mamona. Na pecuária, destaca-se o rebanho eqüino. Conforme registro da JUCEB - Junta Comercial do Estado da Bahia, 64 indústrias funcionam no município que ocupa o 80º lugar do Estado da Bahia e 972 estabelecimentos comerciais, ocupando a 46ª posição dentre os municípios baianos. O parque hoteleiro registra 46 leitos, enquanto o consumo elétrico residencial (Kwh/hab.) é de 124,86 - 33º no ranking estadual.

Seu comércio é forte e abastece várias cidades da região. Dispõe de Agência do INSS, um hospital, clínicas e postos médicos, laboratórios de análises clínicas, uma boa rede de farmácias, supermercados, casas de materiais de construção, tecidos, ferragens, confecções, entre outras atividades.
A cidade conta com agências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BRADESCO que lhe dão suporte financeiro.

Na sede municipal funciona uma agência dos Correios e Telégrafos, além dos serviços de telefonia DDD e DDI, fixo e móvel sob o código 0XX77, a cargo da TELEMAR e da TELEBAHIA CELULAR, atualmente Oi.
Duas emissoras de rádio funcionam na sede municipal.

ENDEREÇO
A Prefeitura Municipal de Poções pode ser diretamente contatada pelos telefones: (0XX77) 431-1321 e o seu endereço é: Praça da Bandeira, nº 2 - Poções - Bahia - CEP: 45.260-000
MINERAIS
No setor mineral, teve durante muito tempo suas reservas de amianto exploradas no então distrito de Bom Jesus da Serra pela companhia Sociedade Anônima Mineração Amianto; esta atividade foi paralisada em decorrência da transferência da SAMA para Goiás no início da década de 60, fator que trouxe longo período de estagnação para a sua economia que, aos poucos, foi se recuperando.

Além do amianto, o município guarda jazidas de ferro de excelente teor, jazidas de granito, cristal de rocha, mica, ferro e grafite e de outros minerais importantes, ainda não explorados ou explorados por via rudimentar.
Sua flora foi bastante explorada, rica em plantas medicinais e madeiras de lei. Sua fauna, apesar do desmatamento de séculos, guarda ainda muitos animais silvestres, a exemplo de tatus, capivaras, onças, veados, pacas, preás, teiús, cobras e muitas aves.

HISTÓRIA
ORIGENS

Poções emancipou-se de Vitória da Conquista pela Resolução Provincial de 26 de junho de 1880. Suas origens datam de 1732, quando o povoamento das cabeceiras do rio de Contas e a Coroa, dadas as exigências da mineração, incentivaram a exploração das regiões circunvizinhas.
Surge, a primeira Bandeira, chefiada pelo coronel André da Rocha Pinto que, sentindo a necessidade de penetração em vários pontos, se dividiu em outras, cada qual tomando rumo diverso pelo rio de Contas até o rio Verde e cabeceira do rio São Mateus.
Esta Bandeira desceu o rio de Contas até perto da sua foz, afim de explorar a mata do seu vale. A canoa que os conduzia naufragou, mas salvaram-se os seus ocupantes numa ilha, de onde foram levados por jesuítas que tinham uma fazenda nos arredores de Porto Seguro.
Alguns anos depois, o Cel. André da Rocha Pinto incendiou o cartório da então Vila do Príncipe — atual Caetité — incorrendo, assim, nas iras do vice-rei, que ordenou que lhe levassem a cabeça.
Temeroso e revoltado, o cel. André da Rocha Pinto reuniu uma Bandeira de duzentos homens e veio homiziar-se no lugar denominado Passagem da Conquista, nas proximidades da atual sede do município de Poções.
A esta época, toda a região, incluindo Vitória da Conquista, pertenciam à Vila do Príncipe, que posteriormente recebeu o topônimo de Caetité
Em 1782, governava a capitania da Bahia D. Afonso Miguel Gonçalves, Marquês de Valença, quando o sertanista João Gonçalves da Costa chegou à região e aos campos da Conquista combatendo contra os índios imborés, mongoiós, botocudos e pataxós que a habitavam.
João Gonçalves da Costa, veio com ordens expressas da Coroa para abrir uma estrada ligando as Minas de Rio de Contas - atual cidade de Rio de Contas, ao litoral.
O sertanista fundou a povoação, depois de ter aberto uma estrada entre Ilhéus e esta região, tão cheia de feras que, num só mês, segundo documentos, sua bandeira matou 24 onças.


Ao fazer esta incursão, sob ordens e financiamento da Coroa Portuguesa, João Gonçalves da Costa encontrou em Poções três habitantes irmãos.
Para garantir seus domínios, deixou no local o seu filho bastardo sargento-mor Raimundo Gonçalves da Costa, que escolheu para sede do seu vasto território, o hoje arraial de Santo Antônio de Morrinhos.
A povoação que viria a sediar o município de Poções, foi fundada por Timóteo Gonçalves da Costa e seus filhos Bernardo e Roberto Gonçalves da Costa, após a conquista dos índios residentes no local pelo capitão-mor João Gonçalves da Costa que doou um lote de terreno, especialmente para a construção de uma capela sob a invocação do Divino Espírito Santo.


A capela ao Divino Espírito Santo teve suas obras iniciadas a 3 de agosto de 1830, continuadas em 1842 pelo capitão-mor João Dias de Miranda e terminadas pelo capitão Antônio Coelho Sampaio.
A freguesia foi criada com a denominação de Divino Espírito Santo, conforme Lei Provincial nº 1.848, em 16 de setembro de 1878, sendo seu primeiro Vigário o padre Luís da França dos Santos.
Dois anos depois, a Lei Provincial nº 1.986 de 26 do junho de 1880, criou o município de Poções com sede no arraial do mesmo nome, com território desmembrado de Vitória, atual Vitória da Conquista.

Verificou-se a instalação do novo município em 25 de abril de 1883.
Em 1903, a sede municipal foi transferida para Boa Nova, anexando o município a Boa Nova. A Lei Estadual de 20.05.1918 retornava a sede que retomava a denominação anterior. Finalmente, a Lei Estadual, de 21.07.1922 desmembrava o território de Poções de Boa Nova, restaurando o município, com a denominação de Poções.

A COLÔNIA ITALIANA
Ao longo dos séculos XIX e XX, imigrantes italianos vieram para Poções e ali se instalaram. Alguns já chegaram casados e com filhos. A maioria era de solteiros que ali casaram, alguns dos quais, com brasileiros, o que veio trazer grandes benefícios para a comunidade, facilitando a aculturação dos colonos e a assimilação da cultura européia pelos poçoenses, integração que traria bons frutos para a comunidade.
Quando o presidente Getúlio Vargas resolveu que o Brasil entraria na 2ª Guerra Mundial, declarando guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, em todo o país, os italianos foram perseguidos por vândalos e desocupados, verificando-se fatos desagradáveis também em Poções, apesar da índole pacífica e hospitaleira da população.

Alguns italianos tiveram que viajar para suas fazendas, enquanto outros não arredaram o pé. Na verdade, chefes de família, com filhos brasileiros, alguns com esposas brasileiras, os italianos não viam porque as tentativas de saques e atos de vandalismo. Com o tempo as coisas foram-se acomodando e tudo terminou bem, sem o registro de incidentes fatais.
É importante registrar que homens e mulheres de bem da comunidade poçoense colocaram-se à favor dos italianos, neste momento difícil vivido pelos membros da colônia, bem como as autoridades constituídas, procurando minimizar a ação dos maus elementos. Após a crise, a convivência entre italianos e brasileiros tornou-se ainda mais próxima. Fora esse período complicado da 2ª Guerra Mundial, nunca houve explícita discriminação aos italianos por parte da população.

FAMÍLIAS DE TRECHINA
Entre os italianos que deixaram marcas da sua passagem por Poções, sem que esta lista seja definitiva, graças ao grande número de famílias que adotaram Poções como a extensão da sua Itália, podemos anotar aqueles que vieram de Trechina - Potenza: Francesco Sarno, no final do século XIX, posteriormente Corinto, Valentim, Camilo, Luís Vincenzo Sarno e Emilio, (este último com os filhos Fidelis Mario, Vincenzo e Maria Teresa Sarno), Michele, Rafael e Giusepe Schettini, Ernesto, Rosina, Michele, Trieste, Ida e Massimo De Benedictis, Biaggio (Bras) Labanca, Afonso e Giovanni Liguori, Américo Libonati, Amadeo Sangiovanni, Carlos Acierno, Francesco Pecce, Michele Vitta, Angelo Loggeto, Giusepe, Rosina, Ana, Giusephina e Angelina Grizzi, Giusepe Limonge, Giusepe di Napoli, Pascoal e Marianina Chiapetta, Pascoal, Giusepe e Vincenzo Palladino, além das famílias Leto, d´Emidio, d´Antoni, Tomazzi, Scaldaferri, entre outras.

Comerciantes em ramos variados, industriais, agricultores, pecuaristas, na realidade, os italianos contribuíram e muito para que Poções brilhasse no cenário estadual e nacional com a promoção de muitos dos seus filhos ilustres, em diversos setores da atividade humana, principalmente nas artes. A quase totalidade dos italianos aqui citados já passaram a outra dimensão. Seus filhos, netos, bisnetos e tetranetos, espalharam-se muito, tendo em vista a necessidade de buscarem o conhecimento. Vale lembrar que no início dos anos 1950, Poções não dispunha de cursos de ginásio. O Segundo grau só foi implantado, na década de 70. Isso fazia com que os pais mantivessem seus filhos em colégios com internato, nas cidades de Jequié, Salvador, Jaguaquara e até no Rio de Janeiro e em Teófilo Otoni - MG.

CENTENÁRIO
Poções comemorou seu Centenário em 1980, no dia 26 de junho, em grande festa, com a presença do Governador do Estado e autoridades ligadas à vida do município.
As comemorações do centenário da Festa do Divino Espírito Santo aconteceram com missas solenes e novenas, registrando-se as presenças do Arcebispo Primaz do Brasil - Cardeal Avelar Brandão Vilela (irmão do então senador alagoano Teotônio Vilela), do Bispo Diocesano de Vitória da Conquista - D. Climério que, com o Monsenhor Honorato Nascimento, vigário da Paróquia de Poções participaram do grande evento.

TOPÔNIMOS

O Município de Poções teve seu topônimo escolhido em função de inúmeros poços ou pequenas lagoas que formavam o território onde o primeiro povoamento foi erigido.

Seu topônimo foi mudado para Djalma Dutra em 1946, mas um forte clamor das autoridades da época e da população, sensibilizou o governo Octavio Mangabeira, que fez a denominação original retornar em 1947, mantendo-se intocável até os dias atuais.

PERSONALIDADES

Entre outras personalidades importantes, figuram: Raimundo Pereira de Magalhães, Maneca Moreira, (Manoel Emiliano Moreira), Júlio da Rocha e Silva, Saturnino Luis de Macedo, Francisco Peixoto Júnior, Octavio Moreira, Octavio José Curvelo, Ary Alves Dias, Nestor Guimarães, Euricles Macedo, Fernando Antônio Costa, Eurico Alves Boaventura, Júlio Belens, Alcides Fagundes, Otávio e Olímpio Rolim, Juvêncio Lago Silva, Pedro França, Arnulfo Silva, Eurípedes Rocha Lima, Argemiro Pinheiro, João de Deus Victoria, Agripino Borges, Juvenal de Oliveira, Fernando Wellington Marques Teixeira, Jofre Walmório de Lacerda, João e Cícero Gusmão, Jorge Bahia, João Caetano Magalhães, Ruy Alberto Assis Espinheira, Ernesto De Benedictis, entre outros.

O grande maestro Nadinho — Bernardo Fagundes, as professoras Nadir Chagas Benedictis, (1ª professora formada a lecionar em Poções), Alzira Brázida Santa Rita, Bohêmia Marinho, Gesilda Campos de Oliveira, Olívia Gusmão, Jacy Dourado Rocha. Nos italianos e descendentes, Vicente, Corinto, Valentim, Camilo, Luís e Emílio Sarno. Massimo, Miguel e Ernesto De Benedictis, Braz Labanca, Afonso e João Liguori, Carlos Assierno, Angelo Loggeto? Foram estes e outros homens e mulheres, de grande envergadura moral, que contribuíram para o desenvolvimento sócio-cultural-educacional e econômico de Poções.

Vários professores faziam inspeção das escolas estaduais primárias; entre eles, Leopércio da França Ribeiro e Irineu Santos, este último - pai do grande geógrafo e cientista, recentemente falecido, Milton Santos - que foi Diretor da Imprensa Oficial da Bahia, no governo Juracy Magalhães, de 1958 a 1962. Durante o golpe militar foi considerado comunista, tendo sido preso e, posteriormente, exilado na França, onde seu filho Nailton Santos (irmão de Milton Santos) era lente da Universidade de Sorbone, na França.

FAMÍLIAS LOCAIS

Entre as famílias mais tradicionais, encontramos os descendentes diretos e indiretos dos fundadores de Poções nas famílias Gonçalves da Costa, Gonçalves, Costa, Gonçalves Campos, Gonçalves, Ferreira Campos, Ferreira, Rocha Pinto, Rocha, Dias, Miranda, Coelho, Sampaio, destacando-se ainda as famílias Lago, Pereira de Magalhães, Tavares, Macedo, Fagundes, Silva, Marques, Moreira, Rolim, Amaral, Pithon, Monteiro Costa, Luz, Monteiro, Guimarães, Curvelo, Pereira, Alves, Porto Alves, Porto, Duarte, Meira, Muniz, Farias, Matos, Freire, Chequer, Lopes, Andrade, Soares, Cardoso, Carvalho, Chaves, Cordeiro, Trindade, Almeida, Pinheiro, Ferraz, Lemos, Amorim, Azevedo, Borges, Borba, Barbosa, Barreto, Freitas, Martins, Mascarenhas, Maia, Morais, Novais, Nascimento, Barros, Bastos, Gusmão, Gomes, Cunha, Dias, Souza, Santos, Lima, Ribeiro, Sales, Sena, Neves, Nunes, Queiroz, Reis, Rodrigues, Sá, Teixeira, Vaz, Vieira, entre outras.
Cultura, Festas, Turismo
HINO A POÇÕES
Massimo Ricardo De Benedictis e Carlos Napoli
Só tu, Poções,
Tiveste a glória...
Na tua história
Não há sangue a lamentar...
Somos a paz, amor e fé
E alegria para dar a quem quiser...

(2ª Parte)

Teu céu azul, tuas crianças
Verdes campos, Norte-Sul,
Teu povo livre, mente sã
E a juventude, esperança do amanhã...

(3ª Parte)

Sempre Poções, torrão baiano,
Pedaço lindo do Brasil aqui está...
Braços abertos, calor humano
Pra receber quem quer que seja pra ficar...

(Volta à 2ª Parte)

Teu céu azul, tuas crianças
Verdes campos, Norte-Sul,
Teu povo livre, mente sã
E a juventude, esperança do amanhã...
Teu povo livre, mente sã
E a juventude, esperança do amanhã...

FESTAS DO DIVINO, SANTOS REIS E SÃO JOÃO

Na sede do município acontece anualmente, a festa do seu padroeiro o \"Divino Espírito Santo\", que compõe-se de Novenas e cultos religiosos, culminando com a \"Chegada da Bandeira\", quando centenas de cavaleiros e amazonas desfilam pelas ruas principais da cidade ao som de foguetes e bandas de música, parando em frente à Igreja Matriz onde assistem e participam de uma grande Missa Campal, onde são entoados os hinos ao Divino Espírito Santo. Esta é a maior festa do gênero em todo o Estado da Bahia. A Chegada da Bandeira é uma réplica das Entradas e Bandeiras que povoaram o nosso país, fazendo crescer os seus limites. Durante o mês de maio/início de junho milhares de pessoas visitam Poções para participar da festa. Uns vão para pagar promessas, rever amigos e parentes e outros, para curtir a festa profana com bandas renomadas que desfilam pela noite a dentro, principalmente nos 8 dias finais do evento.
O Terno de Reis ganha mais força na cidade de Poções, onde a prefeitura realizou um trabalho de fortalecimento dos grupos de reisado locais, em convênio com a Fundação Cultural do Estado da Bahia e o Conselho Regional de Cultura. Em função da revitalização dos grupos de reisado de Poções, a cidade se faz representar anualmente em Salvador, na caminhada Axé, promovida pela Secretaria da Cultura e Turismo da Bahia, na abertura do verão baiano, com um grupo muito bem preparado, vestido a caráter e com instrumental reluzente, para os aplausos de milhares de turistas.
O SÃO JOÃO
Os festejos a São João Batista e São Pedro, de 23 a 29 de junho são tradicionais na Bahia.
Em Poções esta festa já teve mais encantos; em virtude da implantação de cabos aéreos, pavimentação e outros equipamentos que vieram com o progresso, a festa perdeu muitas das suas características. Uma delas, era a confecção e soltura de imenso balão na rua de Morrinhos, uma promessa anual do Sr. Peixoto. Vários municípios da região se preparam melhor para homenagear São João Batista, mantendo antigas tradições.

A FESTA DO PADROEIRO
A festa do Padroeiro de Poções, o Divino Espírito Santo, é a mais tradicional da região e uma das mais belas manifestações religiosas e populares da Bahia.

Para o sucesso da festa, a prefeitura contrata várias bandas, a praça principal da antiga e centenária igrejinha erigida em louvor ao Divino Espírito Santo fica superlotada e a população participa dos festejos do seu Padroeiro, que acontece no dia de Pentecostes, data móvel, que sempre cai entre o final do mês de maio/início de junho.

A participação popular na Festa do Divino é muito forte e a cada ano cresce o número de visitantes. São milhares e milhares de pessoas de todas as partes do país, filhos de Poções ou não, que se encontram em harmonia com o Divino Espírito Santo, desde a busca do Mastro, as novenas, até a Chegada da Bandeira na sexta-feira que antecede o domingo pentecostal.

A CIDADE DE POÇÕES
A cidade era pequena; apenas cinco mil pessoas habitavam-na àquela época, lá pelos idos de 1942.
As ruas centrais eram a João Pessoa, depois Rua da Italia, a Praça Deocleciano Teixeira, onde se dava a feira aos sábados, numa área onde funciona o comércio que, com o crescimento demográfico, veio a ampliar-se pelas ruas adjacentes, a Praça da Liberdade, depois Praça da Bandeira, Rua de Boa Nova, Rua Clemente Freire, Rua da Primavera, a Praça Fernando Costa, com seu coreto, a Praça do Divino, frontal à velha igrejinha, a Rua da Conquista, Rua Cel. Alberto Lopes, Rua São José, Rua de Morrinhos, a Av. Cônego Pithon e adjacências. A cidade contava em 2007 com população de 50 mil pessoas.

Em sua origem, o topônimo Poções tem a ver com aglomerados de poços e pequenas lagoas em suas baixadas.

Os italianos, na maioria, oriundos de Trecchina, em Potenza, no sul da Italia, escolheram-na para viver por questões de referências de parentes e amigos de família que para ali imigraram antes da Primeira Grande Guerra.
Meu pai, Massimo Antonio De Benedictis veio após a 1ª Grande Guerra, em 1927 e foi trabalhar em Morrinhos com o patrício Angello Loggeto.
Poções, que fora emancipado de Vitória da Conquista, em 1880, detinha limites territoriais consideráveis, desde Vitória da Conquista a Boa Nova e desde Itabuna a Tanhaçu. Do seu território emanciparam-se os antigos distritos de Guarany (Ibicuí), Iguaí, Nova Canaã, Planalto, Bom Jesus da Serra e Caetanos. A princípio estas emancipações pareciam determinar o aniquilamento de Poções, que mesmo passando por uma época de estagnação, voltou a desenvolver-se, dada a sua privilegiada localização e melhor infraestrutura em relação aos seus antigos domínios distritais.

COLÔNIA ITALIANA
A colônia italiana de cerca de 60 famílias era formada por comerciantes e proprietários rurais, cafeicultores e criadores de gado bovino, suíno, equino e caprino. Alguns dedicavam-se a múltiplas atividades, desde a produção agrícola, ao comércio e as suas lojas, eram sortidas de tecidos, calçados, ferragens, ferramentas agrícolas, botões, cintos, chapéus, pratos, talheres, etc
Do ponto de vista cultural, eram os italianos rpovidos de curso médio e um curso profissionalizante, com habilidades em sapataria, marcenaria, agronomia, conhecedores de técnicas agrícolas avançadas, e em função disso, suas casas possuíam muitas árvores frutíferas européias, a exemplo de maçã, pêra, figo, pêssego, amora, pinha, romã, uva, além de outras atividades na área da contabilidade comercial.
Foi nesse ambiente que crescemos e nossa lembrança não apaga nossas aventuras desde a infância, em nossas casas, em nossas ruas, na escola, na casa dos amigos, em festas de aniversário e festas escolares, com relevo para a festa do Divino, padroeiro da cidade.

BIBLIOGRAFIA
Cartilha Histórica de Vitória da Conquista - Anibal Lopes Viana
IBGE - Vários compêndios estatísticos
História de Vitória da Conquista - Mozart Tanajura
A Bahia de Hoje - Ricardo De Benedictis
Pesquisa de documentos no Instituto Histórico da Bahia
Pesquisas em inúmeros jornais de Poções e da região
Anotações pessoais do autor e sua vivência na cidade desde o nascimento até os dias atuais.
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 18/04/2009
Reeditado em 10/05/2011
Código do texto: T1545796
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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 75 anos
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