O AMOR SUPERA AS DIFERENÇAS?!

Estou encantada com "12 Anos de Escravidão", tanto, que reassisti trechos marcantes do filme nem sei quantas vezes. Mas, ainda assim, o que continua me encantando e intrigando é a relação "amorosa"(se é que posso chamar assim) entre Epps (dono da fazenda) e Patsey (sua escrava). Uma coisa é fato: Epps a ama, porém, não sabe demonstrar! Ou melhor, tem medo de demonstrar que aquele que domina a TODOS, foi dominado por um sentimento que é imune ao estalar do seu chicote. Mas temos a outra parte da laranja, Patsey, que não o corresponde. Ele a procura. Ele sente sua falta nos dias de folga. Ele sai da casa grande à noite com destino à senzala onde ela dorme. Ele, não ela! A falta de reciprocidade o deixa ainda mais cruel. Pois a lei que a coloca como sua propriedade não cobre seus sentimentos nem a obriga a amá-lo. Aliás, mesmo tendo seu corpo colado ao dela é palpável a distância que os separa. Isto o deixa louco. De ciúmes. De raiva. De ser dono de tudo, menos do que o satisfaz.

Procurando conhecer mais a história, folheei rapidamente as páginas do livro que inspiraram o filme e me pus a pensar: Se Patsey tivesse o amado será que Epps seria um homem diferente? Pois o amor cura até os corações mais machucados pela maldade.

Claro que, ela teria que sentir algo bom por ele, amá-lo, não a culpo por rejeitá-lo, pois me pondo na situação dela já sinto um tanto nojo deste homem. Mas penso que, se houvesse o amor mútuo, assim como nas histórias de amor, talvez, um escravagista de raiz como ele se transformasse em um abolicionista. Pois só quem ama, respeita, seja cor, credo, opinião e, aprende a amá-los tanto ou mais do que a outra pessoa. Ainda mais a cor, que no caso, constitui e dá beleza à mulher que ele ama.

Sarah Marques
Enviado por Sarah Marques em 02/12/2015
Reeditado em 02/12/2015
Código do texto: T5468155
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