DESTINO ANÔNIMO

Há de estar por aí,

Em algum lugar, algum país,

Ou nas dobras de um tempo esquecido...

Em algum idioma que desconheço,

Ou num mercado onde não existe preço...

Há de estar por aí,

A causa dessa saudade!

Hei de encontrar em algum estágio,

Da realidade, da esperança ou de um sonho,

Da distancia, do aconchego ou da persistência,

O dono desse sabor que trago na boca,

Nos lábios, na saliva...

Hei de encontrar o dono desse beijo!

Hei de encontrar entre esses espaços,

A cadeira de balanço escura,

A manta de lã, vermelha, xadrez,

Os livros de capas duras...

A escada que me leva a este quarto,

Onde adormeço e sonho em paz!

Hei de encontrar a paisagem amarela

Que às vezes se torna tão branca

Mostrando o frio que há lá fora.

Hei de encontrar a lareira,

De onde ouço o estalar da lenha,

Que cheira a pinho ao cair da noite...

Hei de encontrar este chalé pequenino,

Tão aconchegante, onde sempre estou!

A poltrona de couro macio,

A sala onde o chá é servido...

Hei de encontrar este ar puro que respiro

Todas as manhãs, ao debruçar-me à janela!

Então saberei enfim, meu amor,

Onde moras, o que fazes, o que escreves,

Quem és, e que és o dono desse abraço,

Que sinto todas as noites, ao deitar-me...

Saberei de quem são estas mãos, tão queridas,

Que tanto me acalmam e acariciam,

Saberei quem é o dono desse olhar,

Que com tanta ternura me aquece...

E assim, como quem dorme o sono dos justos,

Na verdadeira paz me encontrarei...

Não importa a estação, o país, o tempo!

Descansarei em teus braços e sem desenlaces,

Sorrirei contigo ao contemplar as montanhas...

Será a vida, então, tão curta,

Será tão mínimo o tempo,

Será pequenino... O mundo!

11-06-99