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Minha Primeira Carta ao PAPAI NOEL

                                                                              Arcoverde/PE 05 de dezembro de 2005.

Querido Papai Noel:

Durante muitos anos acalentei o sonho de conhecê-lo. Desejava abraçá-lo, sentir o aconchego dos seus braços, sentar em seu colo macio e ouvir sua risada tão característica! Seu rosto corado e seus fartos cabelos brancos me deixavam deslumbrada. Sua figura me causava grande emoção.
Quando chegava o período natalino, as cidades, as casas e as igrejas eram ricamente enfeitadas. As lojas se enchiam de novidades à espera dos compradores. Cresci ouvindo as pessoas dizerem que na noite de natal você viria deixar um lindo presente para mim  ,
- e meus irmãos - nos sapatos deixados ao lado da cama. Eu nunca dormia sem antes, cuidadosamente, deixar meus (únicos) sapatinhos prontos, aos pés da cama, receptivos à sua visita noturna (através da chaminé que descia até a lareira. Em minha casa não tinha lareira e nem chaminé, mas eu dizia que você saberia como chegar até nós). Era tão bom sonhar com o inusitado!
Ao acordar pela manhã corria para pegar meu presente - até sonhava à noite com ele! – mas com tristeza percebia que novamente você não tinha vindo nos visitar. Que decepção! Procurava um canto da casa onde pudesse ficar sozinha e chorar minha mágoa. Por que haveria de ser assim, ano após ano?! Aos poucos, conseguia me acalmar e já em condições de pensar procurava uma razão para a sua ausência:
• Quem sabe eu não tinha sido uma boa menina naquele ano?
• Ou será porque em casa não tinha lareira para você descer por ela?
• Ou ainda porque eram oito crianças em uma mesma casa para presentear?
• Vai ver não deu tempo o bom velhinho chegar, eram tantas casas a visitar...
A cabeça fervilhava procurando motivos que explicasse o triste fato.
As horas passavam e logo chegava o momento de ir brincar com os amiguinhos da vizinhança. Como doía vê-los compartilhando seus belos presentes deixados por Papai Noel... Na minha ingenuidade não conseguia entender o que se passava. Como podia acontecer aquilo? Por que as crianças não eram tratadas todas da mesma forma?
Assim cresci, sem conhecer Papai Noel e sem receber dele qualquer presente que fosse. Talvez por isso ainda hoje, guardo lá no fundo do coração um imenso desejo de conhecê-lo para dizer-lhe: eu já perdoei. O que passou, passou! Só peço que não deixe mais nenhuma criança do mundo sem uma lembrancinha que seja. Não quero ter que enxugar as lágrimas delas como precisei secar as minhas, um dia!
Cuide-se direitinho para poder percorrer o mundo atendendo a TODAS as crianças independente de cor, credo, etnia ou situação sócio-econômica-cultural. São só crianças!
Tenha muita saúde e disposição. E que os anjos do Senhor o acompanhe nessa jornada tão bonita de levar alegria aos lares.

Hoje eu cresci e ajudo a alegrar o Natal dos pequeninos.
Até o Próximo Natal!


Selma Amaral
Enviado por Selma Amaral em 06/12/2005
Reeditado em 11/12/2005
Código do texto: T81613
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Sobre a autora
Selma Amaral
Arcoverde - Pernambuco - Brasil
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Selma Amaral