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SAUDADES, QUERIDO

Ah, se pudesse me ver agora...
O poeta que pelo tempo a fora
Foi-se e não voltou jamais,
Não acreditaria ser esta a criança
Que carregou no colo, e na lembrança,
Soltaria suspiros e ais!

Ah, se pudesse... Ah, se pudesse!
Iria chorar e fazer por mim, um prece,
Pedindo à Maria um milagre:
Que não deixasse mais sofrer assim,
Sua netinha tão carinhosa e querida,
Que aprendeu, com ele, a sorrir.

Diria então o meu poeta:
_ Não foi isso que te ensinei, minha amazona,
Não foi que te ensinei, minha cantora,
Não foi isso que te ensinei, orgulho meu!
Quem te fez isso, querida?
Quem te atirou à essa sina?
Certamente, não foi Deus!

O narizinho empinado... onde está?
O andarzinho decidido... cadê?
O que fizeram a você?
Quem te deixou assim, tão amarga?
Quem te mantem assim, cabisbaixa?
Quem é esse que te faz sofrer?

Quem, agora irá comigo ao curral,
Tirar leite da Malhada?
E quem pedirá colo ao voltar?
Quem vai exigir o meu cavalo,
E toda desengonçada, tentará montá-lo,
E, zangada consigo mesma, comigo é que vai ralhar?

Quem irá me ajudar a fezer
Poesias à saudosa vovò?
Quem vai encontrar a rima,
Que está faltando por lá?
Quem é que correrá ao meu leito
E me encherá de beijos, socará meu peito,
Tentando me acordar?

Quem, minha querida, quem?
Quem te fez isso? Me diga,
Que eu irei lhe falar...
Direi a ele, a seu amado,
Que não será sem carinhosos afagos,
Que conquistará a minha princesa!

E que, com a minha poetisa,
Ninguem pode usar de covardia,
E assim, fazê-la chorar...
Pois seria até um pecado,
Cometido por seu amado,
Não deixar-te amar!

Ah, minha criança, venha cá!
Sente em meu colo e rabisque
Os meus poemas outra vez...
Brigue comigo de novo
Quando rio do sol todo torto,
Desenhado por você...

Cante outra vez na capela,
Ah... que vozinha tão bela,
Tem a " minha cantora!"
Vamos à cozinha, de novo,
Roubar um pedaço daquele bolo...
Vamos lá! Anime-se minha pastora!

Vou explicar a ele, prometo,
Como foi que te ensinei
A arte do verdadeiro amor.
Quando ele ouvir, vai compreender,
Pois, se você o escolheu,
Com certeza, é um homem bom.

É que talvez, minha criança,
Ele não tenha tido, na infância,
Um poeta por avô.
Se houvesse tido, saberia,
Como pôr em pratica
E com que sabedoria,
Esse sopro divino: o amor!

Vou aproveitar e previni-lo
Para que observe mais em seus olhos:
Pois sua boca pode até estar ralhando,
Seu narizinho, pode até estar empinado,
Que com certeza, não é o que você quer.
É certo, que ele surpreender-se-á com os seus olhos,
Quando vir neles, como podem ser contraditórios,
Todos os procedimentos e os sentimentos,
Num coração de mulher!
 
RÚBIA BOURGUIGNON
Enviado por RÚBIA BOURGUIGNON em 22/09/2005
Código do texto: T52748
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
RÚBIA BOURGUIGNON
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil, 55 anos
193 textos (20241 leituras)
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