Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A MACIEIRA


Velha amiga macieira,
Como lamento sua dor...
Era tão verde, tão bela,
Era tanto o seu vigôr!

Seus frutos já não são doces
E suas raizes quase podres,
Nem folhas lhe dão mais.
Sua sombra tornou-se escassa,
Os pássaros lhe desprezam,
Nem mesmo ouvem seus ais.

Pobre macieira triste
Feia como ela só...
Seus ramos não brotam mais
sua imagem causa dó!

Assim, no monte, sozinha
Onde antes tão esguia,
Destacava-se aos olhares...
Agora, silenciosa e perdida
É doente que agoniza
Entre seus tantos pesares.

Solitária macieira
Que irradiava esplendor,
O presente que deu-lhe o destino
Nada mais é que o pendor!

O sol que lhe escalda, o carrasco,
E que antes, num ameno abraço
lhe aquecia e saudava,
Agora castiga impiedoso
Seu trônco que outrora ramoso
À todo ar perfumava.

Minha querida amiga,
O que foi que lhe aconteceu?
Por que teima em manter-se viva?
Por que ainda não morreu?

Se aquelas maçãs suculentas,
Sadias, frescas, vermelhas,
Já não lhe nascem mais...
Se, quando as procura, o passante,
Enfurecido repete:
_ Maçãs? Quais? Onde? Quais?

Corajosa macieira...
Sozinha como ela só!
Semente que fecundou a terra,
E que se recusa a ser pó!


                                    *****



NOTA: REPOSTAGEM DE UM TEXTO JÁ PUBLICADO EM 13-10-05
RÚBIA BOURGUIGNON
Enviado por RÚBIA BOURGUIGNON em 06/07/2006
Reeditado em 06/07/2006
Código do texto: T188709
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
RÚBIA BOURGUIGNON
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil, 55 anos
193 textos (20242 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 02:41)