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A tênUe peLícuLA dA NoitE

À noite, quando não há mais o grande esplendor da luz extinta pelo ocaso, o frio cai impiedoso, e uma vacância alastra-se em todas as esquinas sebentas e abandonadas pelos rastros de todos os estranhos que por ali passaram e se foram. Sem remanescentes idílicos, a divindade negra sobrevive da onipresença da ausência e do silêncio insone das taperas e felídeos que vagueiam impávidos pelas coberturas dos edifícios. Na dolência do ermo noctívago, todos os homens são anônimos atônitos. E afônicos.

À noite, quando o céu está coberto de betume, todos os arbustos são suspeitos. Bueiros são olhos à espreita. Papéis esvoaçantes são óvnis.  Vozes são do além.

As corujas são avarentas.

E as mansões, mal-assombradas.

Na noite, o medo é viúvo da coragem e todo humor é negro.
Mas qualquer filme de terror vira clichê.
Angello
Enviado por Angello em 16/08/2006
Reeditado em 30/10/2007
Código do texto: T217894
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Sobre o autor
Angello
Salvador - Bahia - Brasil, 36 anos
13 textos (432 leituras)
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Angello