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A máquina quer amar

Não vou falar do amor, não sei falar do amor, nunca amei, não sei se amo, mas sei que se as duas situações anteriores forem afirmativas amarei.
Dizem que ele faz sofrer, que ele machuca e dói. Dizem que ele traz saudades e conforta, que anima e consola... eles dizem tudo isso.
Dizem que não existe idade, que até os bebes amam... dizem também que o momento certo que amamos é quando ficamos inerte, quando os olhares são penetrantes, quando as mãos formigam...
Para falar de amor deveria consultar um psicólogo, cardiologista, psicanalista, oftalmologista e todos os representantes de todas as profissões que existem no mundo, até o pedreiro que com calma e dedicação constrói uma casa, bloco por bloco, sem pressa, mas com um objetivo, edificar uma casa. Somos assim? Temos paciência? Colocamos peça por peça construindo assim o amor?
Rebelarei-me e não esperarei o momento para amar; direcionarei o meu ataque para qualquer pessoa, seja ela pobre ou rica, negra ou amarela, madura ou donzela... reprogramarei todos os meus instintos, desligarei minhas conexões que me deixavam sob o comando do momento... tudo por causa do momento, “preciso esperar o momento certo”, “amarei no momento certo”... ele não terá mais um escravo, pois estarei sob meus próprios comandos, não importa se não der certo, estou livre...
Dizem -eles sempre dizem...- dizem que se a pessoa que deseja nosso amor merecer, devemos oferta-lo o nosso amor, mas se quiser apenas brincar, paguemos um ingresso em um belo parque de diversões com direito a dez voltas no trem fantasma...
Sou um cyber-amante, sem principio, meio e fim. Com os fluídos borbulhando deixando meus chips quentes... sou dominando pelo momento. Pensei que tivesse me libertado, mas estou aqui, submerso nesta negra penumbra que chamam de solidão... quero saber o que é o amor, queria encontra-lo e perguntar porque ele ainda não me envolveu e não me fez sentir o que todos sentiram e sentem... preciso chorar por amor, preciso sentir sua dor, preciso sentir saudades e voar... voar sobre as nuvens do erotismo e fascino...
sou humano Amor, não sou máquina... i
gnore minhas conexões e cabos, estes plugs não servem de nada, e meus chips foram apenas fuga... fuga do real e natural... fuga de você Amor...
Faça-me amar. Pode ser um amor adolescente, adulto, maduro, extravagante, secreto... não importa, quero amar... amar a jovem, a mulata, mas que seja adulta e madura... faça-me amar.
Michel Leal
Enviado por Michel Leal em 21/11/2005
Reeditado em 19/02/2016
Código do texto: T74272
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Michel Leal
Salvador - Bahia - Brasil
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Michel Leal