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A TRAVESSIA ( UMA HISTÓRIA ROMÂNTICA E FILOSÓFICA)

                                                                   

          O jovem barqueiro aguardava trabalho, quando aquela senhora um pouco além da meia idade apareceu e lhe solicitou: - leva-me ao outro lado do rio, por favor...  – Sim, senhora, ele respondeu, logo após Ter tomado em suas mãos algumas moedas que ela lhe entregou em pagamento. E enquanto ele remava, observava o rosto bonito daquela senhora... E ao mesmo tempo em que apreciava a bela paisagem  de beira de rio, a senhora igualmente observava o rosto bonito do jovem. Quando estavam a meio da viagem, ele lhe disse: - Vejo em ti a beleza das marcas do tempo, a lucidez advinda da experiência de vida bem vivida, o caráter nobre de quem aprendeu a se amar, e a luz de quem se conserva eternamente jovem a despeito da idade que avança... E ela lhe disse: - Vejo em ti a beleza do teu corpo jovem, a sede de conhecer mais sobre si e o mundo, e quando te olhas ao espelho , sei que teus olhos emitem clarões do conhecimento das tuas melhores características, assim como sei que quando te deitas para o repouso necessário, meditas sobre tua juventude, e sobre os dias que virão e como chegar ao futuro sem as dores da consciências pesada... E então eles se calaram. E se olharam muito, e mesmo se apaixonaram! E quando chegaram ao outro lado do rio, ela era um hino de glória ao lúcido e amoroso passar do tempo; e ele era uma canção que celebrava o vigor presente. Mas ambos seguiram caminhos distintos: a bem dele, que ainda precisava aprimorar-se na condução de seu barco, nas muitas travessias que teria de fazer cruzando o rio; a bem dela, que já chegara à outra margem, sã e salva de quaisquer afundamentos. Mas não fora ele e seu barco forte e sua disposição em remar, e ela não teria atravessado, e não haveria hinos de glória... Mas não fora ela, e as moedas que lhe deu, e a confiança nele depositada como barqueiro, e ele não teria trabalhado, e não teria ganho um tanto de seu dia, e não haveria motivo para canções celebrativas... Sem ele, ela seria um sol reverberante, porém reticente... Sem ela, ele seria uma alvorada magnífica porém sem esperanças...
CAVALAIRE
Enviado por CAVALAIRE em 30/11/2005
Código do texto: T78758
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Sobre o autor
CAVALAIRE
Alagoinhas - Bahia - Brasil, 57 anos
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