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OS AUTOS DE ANCHIETA

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Na Festa de São Lourenço

 

Dos oito autos que se costuma atribuir a Anchieta este é o mais importante. Representado pela primeira vez em 1583, ou em data um pouco anterior, no Terreiro da Capela de São Lourenço, em Niterói.

A homenagem ao santo, com a representação de uma peça teatral numa festa popular, vincula-se talvez ao hábito medieval de as cidades celebrarem, no palco, os feitos de seus padroeiros, em datas comemorativas.

A maior parte dos versos está redigida em tupi, e o restante em espanhol e português. Não oferece unidade de ação ou de tempo e visa converter recreando.

Os Personagens:

• Guaixará é o rei dos diabos, isto é, a encarnação indígena de Lúcifer.

• Aimbirê e Saravaia são criados de Guaixará.

• Tataurana, Urubu, Jaguaruçu, e Caboré são companheiros de Aimbirê e Saravaia.

• Décio e Valeriano são os imperadores romanos responsáveis pelo flagelo de São Lourenço.

• São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro e São Lourenço, padroeiro da aldeia de São Lourenço são os santos.

• Temor de Deus, Amor de Deus, Anjo, Velha e Meninos são personagens alegóricas.

Os Atos

O auto de São Lourenço está dividido em cinco atos:

1° Ato - O martírio de São Lourenço.

2° Ato - Os demônios enfrentam os santos (luta entre o bem e o mal).

3° Ato - Os imperadores romanos que assassinaram São Lourenço são mortos por Aimbirê e Saravaia, que foram subjugados pelo Anjo.

4° Ato: O corpo de São Lourenço é levado à tumba.

5° Ato: A dança dos meninos-índios (doze), dotados de um discurso ameaçador e religioso que imita uma procissão.

Os Versos

O Auto de São Lourenço é composto de 1493 versos, sendo:

• 867 versos em tupi e um verso em guarani.

• 595 versos em espanhol;

• 40 versos em português.

Resumo

Após a cena de martírio, na fogueira, de São Lourenço, surgem os três diabos. Guaixará, rei dos diabos, chama Aimberê e Saraiva seus servidores para ajudarem a perverter a aldeia e destruí-la.

Anchieta aproxima os demônios da igreja católica aos demônios familiares aos índios; inimigo terreno identifica-se ao inimigo religioso. Guaixará, Aimberê e Saraiva são nomes “pinçados” dos índios Tamoios que se aliaram aos conquistadores franceses contra os portugueses.

Querem, os diabos, dominarem as aldeias e, para tanto, tentam convencer os indígenas a manter seus velhos costumes, incentivando a bebida do cauim, o hábito do fumo, a prática do curandeirismo. Os demônios advogam pelos terríveis hábitos dos índios. Com o insucesso do convencimento, Guaixará tenta assaltar a aldeia, São Lourenço salta em sua defesa e, São Sebastião prende os demônios. O anjo manda os dois servos demônios torturarem Décio e Valeriano, responsáveis pela morte de São Lourenço. Os quatro companheiros dos servos demônios acorrem para auxiliar. Os imperadores recordam façanhas, quando Aimbirê se aproxima. O calor que se desprende dele abrasa os imperadores, que suplicam a morte. Morrem carbonizados.

O Anjo, o Temor de Deus, e o Amor de Deus mandam sua mensagem aos índios (público-alvo de José de Anchieta). Aconselham a caridade, contrição e confiança em São Lourenço e, amar e temer a Deus, que por eles tudo sacrificou Faz-se o enterro do santo. Na dança final de doze meninos, invocando São Lourenço, afirmam-se em tupi os bons propósitos de seguir os ensinamentos cristãos. O fim da representação criava um clima propício para que o público, em verdadeiro coro, formulasse idênticos votos de viver segundo os preceitos religiosos.

Os versos em português, em número de quarenta, trazem a fala do Anjo que apresenta as figuras simbólicas do Amor de Deus e do Temor a Deus, fogos, segundo ele, que o senhor manda para abrasar as almas, como o fogo material abrasara a de São Lourenço:

Deixai-vos dele queimar

como o mártir São Lourenço

e sereis um vivo incenso,

que sempre haveis de cheirar

na corte de Deus imenso.

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Ajudaram na elaboração do texto:

Carlos Mendonça, História do Teatro Brasileiro.

Múcio da Paixão, O Teatro no Brasil.

Sábato Magaldi, Panorama do Teatro Brasileiro.

Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.

Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.

Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 28/07/2006
Reeditado em 30/01/2008
Código do texto: T204000

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 69 anos
1281 textos (21216652 leituras)
7 e-livros (8557 leituras)
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