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PORTFOLIO DE TERMOS LITERÁRIOS

1. ALITERAÇÃO - Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.
a) O rato roeu a roupa do rei de Roma.
2. ANTÍTESE - Usa-se quando se quer opor dois termos na mesma frase ou no mesmo parágrafo, acentuando seus contrastes. A antítese exprime idéias cuja força significativa reside na oposição dos contrários, realçando o valor de um ou de ambos os elementos. Em muitos casos, cria-se um efeito dramático, carregado de emoções.
a) Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.
                           (Vinicius de Moraes).
b) O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava;
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a palavras pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.
                BILAC, Olavo. Inania verba. Poesias.
3. CATACRASE - É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.
a) Pé da mesa, embarcar em avião, cabeça de alho, barriga da perna, bico da chaleira, entre outros.
4. CLÍMAX - Situação de tensão, de suspense.
5. CONTO - Narrativa mais curta e mais simples do que o romance e a novela. Geralmente apresenta poucas personagens e um conflito único.
a) Apelo
“Amanhã faz um mês que a senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com dias, senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.

Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? As suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham.
Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.”
                             TREVISAN, Dalton. In: Bosi, A. (Org.).
 O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1997.

6. CRÔNICA – Texto de caráter ficcional lírico ou filosófico, de extensão curta, geralmente vinculada a um fato ou evento que serve de ponto de partida para reflexão e análise.
a) Ainda bem
      “É verdade que o mundo moderno na maioria das vezes transforma nossa vida num inferno. Mas há exceções. Por exemplo:
       Descobrir que o elevador já está no seu andar. Comida de restaurante entregue em casa – de preferência de bacalhau a lagareira numa tarde  chuvosa de domingo. Água de geladeira. Pacote cheio de sorvete que você tinha esquecido no  congelador. Álias, como era possível a vida antes do sorvete?
[...]
       Um bom sofá macio. Uma longa chuveirada. Dia em que não se tem que fazer absolutamente nada. Uma brisa fresca inesperada em meio a um dia quente.”
                     CARNEIRO, João Emanuel. In: Veja/RG, 25 set. 2002.
7. ENREDO - É a história em si, que começa a ser narrada a partir de um fato, e que se desenrola pela ação do tempo, do espaço, dos personagens, dando-se a conclusão.
8. ENJAMBEMENT - Processo poético de pôr no verso seguinte uma mais palavras que completam o sentido do verso anterior. O termo francês pode ser substituído por cavalgamento ou encadeamento. Note que o processo em questão ocorre entre os versos 1/2, 5/6 e 10/11.
a) Vaso Grego (Alberto de Oliveira)
Esta, de áureo relevo, trabalha
De divinas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e, ora repleta ora esvazada,
A taca amiga aos dedos teus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.
Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às
                                            [bordas
Finas as de lhe ouvir, canora e doce
Ignota voz, qual se de antiga lira
Fosse a encanta música das cordas,
Qual se essa vos de Anacreonte fosse.
9. ESPAÇO - É o local onde se desenrola os fatos.
a) Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta.
10. FÁBULA - Narrativa de caráter pedagógico com estrutura simples e de curta duração. A história apresentada tem por objetivo transmitir princípios de natureza moral e ética, muitas vezes utilizando-se de animais como personagens. Se as personagens são objetos inanimados, a fábula recebe a denominação especial de apólogo.
a) Hierarquia
Diz que um leão enorme ia passando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas. Ainda com as palavras da mulher o aborrecendo, o leão subitamente se defrontou com um pequeno rato, o ratinho mais menos que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente para fugir, o leão gritou: “miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!” E soltou-o. O rato correu o mais que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: “Será que vossa Excelência poderia escrever isso para mim? Vou me encontrar agora mesmo com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso para ela com as mesmas palavras!”.
MORAL: AFINAL NINGUÉM É TÃO INFERIOR ASSIM.
SUBMORAL: NEM TÃO SUPERIOR, POR FALAR NISSO.
11. FLASHBACK - É um importante recurso de fazer com que a narrativa volte no tempo por meio das recordações do narrador.
12. FOCO NARRATIVO - É o ponto de vista do narrador no transcorrer do enredo em que são delineadas as ações e os acontecimentos.
13. GÊNEROS LITERÁRIOS - É a maneira pela qual os conceitos literários organizam-se em uma forma, por apresentarem características estruturais semelhantes. Os principais são: lírico, épico, dramático e narrativo.
14. GRADAÇÃO - Tem-se gradação quando há uma seqüência de palavras -  sinônimas ou não – que promovem a intensificação de uma idéia. Traduzindo sentimentos fortes, exprimindo entusiasmo, desespero, tédio, cansaço, derrota. Observe como o padre Vieira enumera as várias etapas no processo de nascimento/crescimento do trigo.
a) “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se, mediu-se.”
b) Ele estava satisfeito, feliz, exultante.
c) A tarde cai nostálgica, triste, deprimente.
15. HIPÉRBOLE - É um exagero intencional com a finalidade de tomar mais expressividade a idéia. Sendo, portanto, muito ocorrente em determinados textos literários. Pois, é bastante comum na linguagem coloquial oral.
a) Ela chorou rios de lágrimas.
b) Rodolfo trouxe uma montanha de trabalhos para casa.
c) A cidade amanheceu sob um dilúvio.
16. IRONIA - É a figura de pensamento que consiste em usar alguma palavra ou enunciado com um sentido que se distancia do literal (denotativo), adquirindo, no contexto, conotação de crítica, depreciação ou sátira. Criando, para tanto, um efeito cômico e visa a uma critica do homem e da sociedade. É uma poderosa arma nos textos argumentativos e polêmicos.
a) “Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, que eu conheço de vista e de chapéu.”
(Machado de Assis. Dom Casmurro).
O texto é irônico porque o que a personagem machadiana está dizendo é que conhece mal o rapaz com quem encontrou, mas observou que ele sempre usa o mesmo chapéu.
17. METÁFORA - É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma comparação subtendida.
a) “Teu corpo é a brasa lume”. (Manuel Bandeira)
b) Essa rua é um verdadeiro deserto.
18. MÉTRICA – É um processo de contagem das silabas poéticas por amostragem ou por completo para se verificar se a métrica é:
Perfeita: (todos os versos tem o mesmo metro), ou seja, neste caso se indica o número de sílabas de um verso;
Imperfeita ou regular: (os versos apresentam variação pequena no número de sílabas poéticas);
Irregular ou em versos livres: os versos têm metros variados.

A contagem das sílabas de um verso se faz de acordo com a sua leitura. Assim, cada um dos versos seguintes tem dez sílabas métricas:
a) Quan/do a/ chuva/va/ ce/ssa/va e um/ vento/to/ fi/(no)
O número de sílabas nos permite distinguir diferentes tipos de versos:
    VERSOS PARES                      VERSOS ÍMPARES
Alexandrino: 12 sílabas; Pentassílabo (ou redondilha menor): 5 sílabas;
Decassílabo: 10 sílabas; Heptassílabo (ou redondilha maior): 7 sílabas;
Octossílabo: 8 sílabas. Eneassílabo: 9 sílabas.
MAIA, João Domingues. Português Maia.São Paulo: Editora Ática, 2001.
19.NARRADOR - É aquele que ordena os acontecimentos, atribuindo ações aos personagens, delimitando o espaço. Ele é o sujeito titular do texto narrativo.
20. NOVELA - Narrativa menos complexa que o romance. Em sua estrutura, o aspecto mais valoroso é o da ação. A novela apresenta vários conflitos sucessivamente desenvolvidos.
a) Campo geral
“ Um certo homem Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, muito daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. [...] Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o tio Terez levou-o a cavalo, a frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: --- ‘É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre...’ [...]
Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com tio Terez, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado. E foi descobrir por si, que umedecendo as ventas com tico de cuspe, aquela aflição um pouco aliviava.”
ROSA, João Guimarães. Campo Geral. In: Ficção completa: Nova Aguiar, 1997.
21. POESIA - É a qualidade particular de tudo o que toca o espírito, provocando emoção e prazer estético. Ou seja, a poesia é a arte da linguagem, geralmente associada à versificação, permitindo evocar e sugerir, através da seleção e combinação harmoniosa das palavras, do ritmo e da musicalidade, uma infinidade de sensações.
a) Meu Anjo
Meu anjo tem o encanto, a maravilha
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pêlo sedoso  dos arminhos.

Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
Como a froixa fumaça de um charuto.

Parece até que sobre a fronte Angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.

Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, um beijo vida,
Em celeste desmaios num sorriso!

Me quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto.
            AZEVEDO, Álvares. Poesias Completas.

22. POEMA - É uma expressão verbal rítmica de sensações e sentimentos, sendo, pois, passível de existência no mágico mundo da imaginação, isto é, o poeta é um criador e busca também em sua imaginação os elementos da poesia. Seus principais caracteres são: a ocupação particular no espaço da página; a repetição de acentos e sonoridades: rimas, assonâncias, aliterações; as figuras de linguagem, os ecos entre palavras, maior liberdade em relação à construção sintática, entre outros.
a) Arte Poética
A música antes de tudo,
E para isso prefere o Ímpar
Mais vago e mais solúvel no ar,
Sem nada nele que pese ou que pouse

É preciso também que não vás
Escolher tuas palavras sem alguma ambigüidade:
Não há nada mais caro do que a canção cinzenta
Onde o Indeciso ao Preciso se une.

Toma a eloqüência e torce-lhe o pescoço!
Farás muito bem, com um pouco de energia,
Em tornar a Rima mais sensata.
Se não a vigiarmos, até onde ela irá?

Oh, o que dizer dos donos da Rima?
Que criança surda ou que negro louco
Forjou-nos essa jóia de um vintém
Que soa oca e falsa sob a lima?
[...]
   VERLAINE, Paul. In: GOMES, Álvaro Cardoso. A estética simbolista – textos doutrinários comentados.
2.ed. São Paulo: Atlas, 1994.
23. PROSA – O texto encontra-se em forma de parágrafos caracterizados, pelo predomínio da ordem direta; o ritmo acompanhado de naturalidade da fala; o ritmo não é essencialmente marcado pelas sonoridades; tendendo a lógica e organizado em períodos que compõem um parágrafo.
a) A festa da Penha (Olavo Bilac)
Pelas estradas que levam a ermida branca,
uma quinta parte da população carioca irá rezar,
e folgar lá em cima. Por toda a manhã, e toda a,
tarde, ferverá na Penha o pagode; e, sentados à
vontade na relva, devastado os farnéis bem pro –
vidos de viandas gordas e esvaziando os “chifres”
pejados de vinho, os romeiros celebração com
gáudio a festa da compassiva Senhora.
Muitas vezes, as fronteiras entre poema e prosa não são marcantes, graças à maneira como o autor utilizou os recursos de linguagem para expressar sentimentos e emoções. Neste caso temos o poema em prosa:
a) Para viver um grande amor, primeiro sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro – seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada – para viver um grande amor.
(Vinícius de Moraes).
24. RIMAS - É um recurso mundial baseado na semelhança sonora das palavras no final dos versos e, às vezes, no interior dos versos.
a) Vozes d’África ( Castro Alves)
Deus!Ó Deus! Onde estais que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
                               Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?
As análises das rimas devem ser feita em cada estrofe:
a) Rimas pobres: Todas (as palavras que rimam são têm a mesma classe gramatical);
b) Rimas femininas: Todas (as palavras que rimam são paroxítonas);
c) Rimas perfeitas: respondes/escondes; grito/infinito (as palavras apresentam perfeição sonora a partir da vogal da sílaba tônica);
d) Rimas imperfeitas: Céus/Deus (as palavras apresentam imperfeição sonora: Céus = som aberto; Deus: som fechado.
25. ROMANCE - Apresenta um acontecimento ficcional que envolve varias personagens e pode tratar de diferentes temas (conflitos pessoais, aspectos da vida familiar ou social). A depender do tema desenvolvido, dizemos que o romance é policial, psicológico, histórico, regionalista, entre outros.).
a) Vidas secas
“--- Fabiano, você é um home, exclamou em voz alta.
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e SOS cabelos ruivos, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.
Outro em torno, com receio de que, fora os  meninos alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
--- Você é um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.”
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
26. TEMPO - É quando o fato ocorreu. Pode ser cronológico e psicológico. O tempo cronológico é mensurável em horas, dias, meses e anos. Já o tempo psicológico obedece ao fluxo de consciência de que narra, ou seja, obedece a ordem determinada pelo desejo ou imaginação.
a) O policial chegou, chamou o proprietário do veículo e o matou severamente.
27. TIPOS DE NARRADOR:
Narrador em 1º pessoa (narrador/personagem) – é aquele que participa da história, não necessariamente o protagonista. Este tipo de narrador condiciona o leitor a entender e a interpretar todos os elementos da narrativa a partir da visão de mundo de quem estruturou;
a) “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de reis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos doze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho infantil”.
Narrador em 3º pessoa (narrador/observador) - é aquele que não participa da história, sendo, portanto, neutro, pois não toma partido de nenhuma personagem. Este tipo de narrador relata os fatos com objetividade, não julgando diretamente esta ou aquela personagem.
a) “Fabiano sentou-se desanimado na ribanceira do bebedouro, carregou lentamente a espingarda com chumbo miúdo e não sacou a bucha para a carga espalhar-se e alcançar muitos amigos”.
28. TIPOS DE PERSONAGEM:
Protagonista – é o personagem principal. Divide-se em:
Herói – apresenta características superiores as de seu grupo;
Anti-herói – é o protagonista que apresenta características iguais ou inferiores as de seu grupo, mas que por algum motivo está na posição de herói, só que sem competência para tanto;
Antagonista – é aquele que se opõe ao protagonista. É o vilão da história;
Personagens secundários – são os que exercem papel secundário na historia, aparecendo com menor freqüência. Servem de ajudantes ou confidentes do protagonista.

29. TIPOS DE GÊNEROS:
Dramático – tem sua manifestação mais viva no trágico e no cômico, procura representar o conflito dos homens e seu mundo. Ora apresenta heróis, seus feitos e a fatalidade que os conduz a queda; ora personalidades medíocres, tolas, mesquinhas, ambiciosas, cômicas ou ridículas: as manifestações da miséria humana.
a) Sala ricamente adornada: mesa, consolos, mangas de vidro, jarras sem flores, cortinas etc. No fundo, porta de saída, uma janela etc. etc.
b) Cena 1
Ambrósio (só, de calça e chambre):
“No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna. Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, era pobre e miserável, e hoje sou rico, e mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está no mérito... Mas um dia tudo pode mudar. Oh, que temo eu? Se em algum tempo tiver de responder pelos meus atos, o ouro justificar-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais fizeram-me para os pobres...”
            PENA, Martins. O noviço. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996.
Épico – define-se pelo aspecto da narrativa e pela sua vinculação aos fatos históricos ou as realizações humanas, revelados pelo artista como observador que transfigura em sua obra o mundo exterior;
a) Odisséia
Musa, reconta-me os feitos heróicos astucioso que muito
Peregrinou, dês que esfez as muralhas sagradas de
                                                                      [Tróia;
muitas cidades dos homens viajou, conheceu seus
                                                                      [costumes,
Como no mar padeceu sofrimentos inúmeros na alma,
Para que a vida salvasse e de seus companheiros a
                                                                      [volta.
             HOMERO. Odisséia. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.

Lírico – caracteriza-se por ser uma manifestação do eu do artista. Porque expressa a sua subjetividade, os seus sentimentos e emoções. A musicalidade é uma característica importante do texto lírico;
a) Carta
Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas toas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das caricias

(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
                         ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e Prosa.
                                          Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.


REFERÊNCIAS
ABAURRE, Maria Luiza. Português: língua e literatura. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2003.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dúvidas da língua portuguesa. 2. ed. Impr. São Paulo: Nova Fronteira, 1996.
MAIA, João Domingues. Maia. São Paulo: Editora Ática, 2001.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. 2. ed. Rio de Janeiro: Presença, 1985.


Jeimes Paiva
Enviado por Jeimes Paiva em 19/10/2007
Reeditado em 19/10/2007
Código do texto: T701089

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Sobre o autor
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