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UM BOM TEXTO (SEGUNDO MEU PARTICULAR PONTO DE VISTA)



                                                                   

                  Nada melhor do que um bom texto; um texto que agrade aos ouvidos e satisfaça as ansiedades da alma, que sempre aspira por um bom texto.

                  Ele pode ser simples, deliciosamente coloquial, e então expressar o sabor da fala popular, bem como pode se  apresentar refinado, enfatizando desse modo o cabedal de cultura de quem o utiliza. Pode ser científico, complexo, recheado de obscuras terminologias acessíveis apenas aos iniciados da área, bem como pode ser transparente e de fácil alcance. Um bom texto pode se apresentar prolixo, caudaloso, muito voltado às minúcias, assim como pode trazer – na somatória de suas rápidas
 linhas – a objetividade...

                  O poeta usa do texto para expor suas emoções e, no contexto das frases que se fazem, entre metáforas e aliterações que se sucedem, no exercício de sonhar ele, o poeta, revela o que lhe vai de oculto, artisticamente. De igual modo o filósofo, depois de longas meditações acerca dos diversos problemas do ser e do existir, uma vez sistematizado o seu pensamento, debruça-se sobre a folha em branco e ensina textualmente o seu corpo de discípulos.


                 Um bom texto pode falar do amor apaixonado dos amantes que se encontram e então se extasiam na vivência romanesca do momento, do mesmo modo que pode expressar a dor desses mesmos amantes na hora trágica e infeliz da separação. Pode noticiar um nascimento; pode comunicar uma morte.

                 
                Um bom texto pode ser uma arma mortífera quando delata corajosamente as falcatruas, e pode promover a imoralidade quando é mentiroso e de má fé. Ele tanto pode embalar criancinhas na hora de dormir, falando de príncipes e fadas, de castelos e de tapetes mágicos que se locomovem no espaço aéreo, quanto expressar a concordância entre chefes de nações para que se inicie uma guerra nuclear!

 
                 Como se vê, um bom texto comporta em si luz e treva, por não ser autônomo e por ser tão imensamente gentil, pois está à disposição de quem o queira abordar  tenha preparo ou não. Mas que ninguém se engane: a despeito de não ser autônomo, o texto traz em si  mesmo ( na sua própria cadência verbal) energias vibratórias que, de imediato, criam um elo de causa e efeito e que podem cobrar – e caro! – daqueles que o utilizem uma postura de reconsideração do pensamento expresso.  Mas que seja notório isto: poucas aventuras são de tal modo excitantes quanto essa, a de se abismar no conjunto das frases, sentir o seu aroma peculiar, a sua textura devida, o seu sabor suigeneris; percorrer suas sintáticas geografias, seus labirintos de interpretação, , escorregar nas suas gramaticais exigências, cair, sorrir, levantar-se novamente, caminhar, fazendo disso um ritual de humildade ante uma deusa implacável não obstante tão generosa... Oh! Sim, as frases são uma espetacular, atraente e difícil deusa vocabular, que premia os corajosos que a enfrentem e a venerem: dá-lhes por isso a convivência com os ritmos, o gozo na contemplação das metáforas, a cada devoto responsável oferecendo benesses segundo sua tendência intelectual, sendo, portanto, dialética.

Desse modo, nada melhor que a solitude das horas calmas, dentro das quais - entre a leitura de um Vergílio e um Homero - busca-se uma harmonia em face do intelecto e do coração, cada qual querendo que prevaleça seu ponto de vista, e tenta-se, por conseguinte, criar um bom texto que agrade aos ouvidos e satisfaça as ansiedade da alma.




         
CAVALAIRE
Enviado por CAVALAIRE em 26/11/2005
Reeditado em 26/11/2005
Código do texto: T76469
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Sobre o autor
CAVALAIRE
Alagoinhas - Bahia - Brasil, 57 anos
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