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RIMAS POBRES, RICAS E RARAS

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Estudos Literários

 

Eis algumas sugestões para suas rimas, além, é claro, de um bom dicionário de rimas:

RIMAS POBRES - Consideram-se "pobres" as rimas de palavras da mesma classe gramatical (substantivo / substantivo, verbo / verbo, etc.), ou quando as palavras finalizam em sons corriqueiros, triviais. Por exemplo:

1. As que se fazem com advérbios em [mente]: Alegremente - docemente -pobremente, etc.

2. As que se fazem com terminações:

[ão] coração, irmão;

[eza] – beleza, natureza, tristeza;

[or e dor] – amor, sonhador;

[ando] - devastando, criando;

[ado] – criado, amado;

[oso] saudoso, desejoso;

[ar] - amar, sonhar, calar, etc.

As rimas pobres, por serem pobres não devem ser desdenhadas. Rimas do particípio passado, por exemplo, foram usadas por Camões (sossegado / repousado / deitado / nomeado) em seus sonetos. Ficaram tão bem que ninguém repara que são todas do particípio.

RIMAS RICAS - Quando rimam palavras raras que surpreendem pela novidade, ou pertencentes a classes gramaticais diversas:

[brilha - maravilha];

[saudade - nade];

[assumes - vaga-lumes];

[dele - aquele];

[fibra - vibra], etc.

Belas, airosas, pálidas, altivas,

Como tu mesma, outras mulheres vejo:

São rainhas, e segue-as num cortejo

Extensa multidão de almas cativas.

(Vicente de Carvalho, Velho Tema, soneto III)

RIMAS RARAS - Diz-se que uma rima é rara quando obtidas com palavras para os quais só haja poucas rimas possíveis. É o caso, entre outros, de [cisne] que só há a rima [tisne]; para [estirpe], só a forma verbal [extirpe]. Eis um exemplo:

Um dia um cisne morrerá por certo:

quando chegar esse momento incerto,

no lago, onde talvez a água se tisne,

nem nade nunca ao lado de outro cisne! (Julio Salusse)

RIMAS PRECIOSAS - São as rimas artificiais, feitas, forjadas com palavras combinadas, tais como:

[múmia com resume-a];

[vence-a com sonolência];

[pântanos com quebranta-nos];

[águia com alague-a], etc.

Fernandes, no seu “Dicionário de Rimas da Língua Portuguesa” cita um curioso exemplo de preciosismo, que nos dá o poeta Arthur de Azevedo (muitos consideram o preciosismo de Arthur de péssimo gosto):

Mandou-me o senhor vigário

que lhe comprasse uma lâmpada

para alumiar a estampa da

Senhora do Rosário.

Para concluirmos, Augusto dos Anjos, numa desconcertante rima de [apodrece] com [s], é ler para crer:

Toma conta do corpo que apodrece...

E até os membros da família engulham,

Vendo as larvas malignas que se embrulham

No cadáver malsão, fazendo um s. ®Sérgio.

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Bibliografia: José Augusto, Dicionário de Rimas, pp. 9-19, Editora Record. / Massaud Moisés, A criação Poética, pp 433-445, Editora Cultrix.

Se você encontrar omissões e/ou erros (inclusive de português), relate-me. Só enriquecerá o trabalho.

Agradeço a leitura do texto e, antecipadamente, qualquer comentário. Volte Sempre!

 

Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 03/01/2006
Reeditado em 14/05/2012
Código do texto: T93650

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 66 anos
1281 textos (13391442 leituras)
7 e-livros (5637 leituras)
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