No momento não quero fazer versos para ninguém, tampouco lamentar o que passou, o que deixei de fazer, o que deixei de falar, enfim, estou triste e diante de um emaranhado.
Esquadrinhar a vida em minha tela mental já é o bastante. Sinto muito, mas ninguém está merecendo que eu perca meu precioso tempo com poesias ou contos, bem como prosas que levem meu pensamento de encontro àquilo que não quero mais lembrar... Àquilo que me fez e faz mal.
Então, diante desse quadro caótico só me restam versos que, presentes em minh'alma, saem a esmo sem que eu tenha controle sobre eles. É assim...

Acordo tarde, porque, feito bebê, troco à noite pelo dia;
Às madrugadas vazias passo em claro escrevinhando ou fazendo borrões que falam sobre a vida.
A vida é boa, é bela, é gostosa, fantasiosa, mas é cruel em alguns momentos.
Os momentos cruéis que ela nos prepara nos pegam de surpresa e aí é que deve entrar o raciocínio lógico, a reflexão e a tentativa de nos mantermos firmes para não sermos reféns do medo, da insegurança, da raiva e até mesmo da depreciação de nós mesmos.

Somos seres engraçados, pois vivemos sempre os extremos. Ou nos achamos vítimas ou, simplesmente, nos achamos os super culpados por tudo que acontece. Mas onde está o equilíbrio para o autojulgamento? É... Não devemos julgar os outros, porque desconhecemos a natureza dos seus pensamentos. Constatamos fatos gerados por cabeças que não são nossas, apenas quando essas pessoas nos demonstram suas atitudes e aí tudo fica claro e podemos tirar algumas conclusões.

De resto, apenas nos cabe encontrar um ponto de partida dentro de nós para que nossa soberba não estrague nossas soluções, tampouco nosso orgulho desmantele nossos sonhos.

É sempre bom abrirmos a janela da alma para recebermos a luz que vem de fora. E como fazer isso? Escutando mais, falando menos e, na trilha do bem, seguirmos os sinais que Deus nos aponta.

Por isso, hoje, consideravelmente, nada tenho a dizer a quem quer que seja, nem mesmo escrever versos que vão de encontro a minha vida ou a de outrem. Nada, nada mesmo me fará pensar ou raciocinar qualquer gesto alheio ou meu próprio.

Estou à sombra do meu eu, tentando, ao menos, resgatar minha intimidade e livrar-me das armadilhas criadas pelo meu egoísmo, pela minha tolice, pelas ações que minha preguiça impediu que eu praticasse, enfim, hoje quero me entregar ao meu pensar.

Hoje, ninguém merece que eu escreva algo sobre o amor;
Ninguém merece que eu sinta saudade do que passou
Ninguém merece ser alvo do lugar perfeito do meu coração
Ninguém merece saber qual o peso de minha cruz e como estou
Ninguém merece que eu escreva algo lembrado por minha emoção


Hoje, sei, que ninguém amou como eu amei... Nem eu amei mais do que ninguém.
Às vezes, paro e penso no passado, mas, hoje, não quero nada que não seja meu.
Quero que minhas ações reflitam meu sucesso e resgatem meu vil insucesso
E que eu seja melhor do que fui, mais atenta à vida e detentora do meu eu.
Não quero escrever versos para quem do ódio é possesso.

Coração que se assemelha ao sol que ilumina a lua numa noite de chuva,
Em que ela no céu desaparece e não resplandece como deveria.
Que pena ser tão prática quando escrevo e impotente com a realidade,
Essa que me acompanha e me deixa louca pela frieza sem fantasia.
Não quero fazer versos para quem não merece que eu diga a verdade.

Ninguém merece, hoje, que eu pense no amor que vivi;
Nos momentos alegres ou tristes que tive e os que deixei de ter;
Na vida cativa, torpe e desarvorada que desejei nunca viver;
E no amor que pensei dar e esperei ardentemente receber.
Hoje, não quero fazer versos para quem não merecer.

Quero entrar novamente pela noite vazia e esperar para dormir de dia
E... Fico acordada a noite e durmo de dia, talvez para fugir à realidade,
Entregando-me ligeiramente aos sonhos e às minhas vagas fantasias.
Hoje, nem sonho, nem realidade podem amansar meu coração acabrunhado.
Porque ninguém merece que eu escreva versos de tristeza ou de alegrias.