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O SIMBOLISMO

Estudos Literários

"Descrever um objeto é suprimir três quarto da fruição de um poema, que é feito da felicidade de adivinhar, pouco a pouco. Sugeri-lo, eis o sonho." (Mallarmé (1842-1898), poeta francês simbolista)

O Simbolismo (1913-1918) representa um movimento literário que se manifesta na poesia, e que se opõe ao parnasianismo, movimento de que é contemporâneo. A diferença entre o Simbolismo e o Parnasianismo não está, rigidamente, na forma - já que ambos empregam o uso do soneto, da métrica tradicional e das rimas ricas e raras -, mas sim, no conteúdo e na visão de mundo do artista.

O Simbolismo é uma volta ao Romantismo, especificamente ao "mal do século", que marcou a segunda fase romântica. Apesar de várias de suas características coincidirem, o Simbolismo optou pela expressão da subjetividade sem o sentimentalismo choroso e superficial dos românticos.

 Os simbolistas mergulharam no inconsciente, na introspecção do "eu", no vago, no misterioso, no ilógico, porque consideravam a vida misteriosa e inexplicável e, assim, representaram-na de maneira pouco precisa, vaga, ilógica, indireta e obscura, ou seja, simbolicamente. Daí a preferência por temas como a Morte, o Destino, Deus, tendo como meio uma linguagem pessimista e versos que exploravam a sonoridade (aliterações) e a sinestesia (mistura de sensações), figuras na qual a carga emotiva das palavras é ressaltada e a musicalidade valorizada. Observe este fragmento de Cruz e Souza, principal autor brasileiro desse período:

Enche de estranhas vibrações sonoras

a tua Estrofe, majestosamente...

Põe nela todo o incêndio das auroras

para torná-la emocional e ardente.

Derrama luz e cânticos e poemas

no verso e torna-o musical e doce,

como o coração nessas supremas

Estrofes, puro e diluído fosse.

Enquanto no Parnasianismo, Olavo Bilac compara o poeta a um ourives, Cruz e Souza o aproxima de um músico. O simbolista idealizava reintroduzir a música na poesia, realizar nas palavras o que as notas faziam na música.

Em seus poemas, os simbolistas, faziam frequentes alusões a elementos evocadores de rituais religiosos (altares, incenso, arcanjos, salmos, cânticos, etc.). Envolviam a mulher num clima de sonho em que predomina o vago, o impreciso e o etéreo. De maneira que, impregnavam a poesia de misticismo e espiritualidade.

"As Flores do Mal" (1857), de Baudelaire (poeta francês, 1821-1867), é geralmente tido como ponto de partida para o estabelecimento das diretrizes fundamentais do movimento.

Em 15 de novembro de 1881, Paul Bourget estampa, em uma revista francesa, um artigo intitulado Theórie de la décadence em que analisa a idéia de decadência. A partir daí, o termo é usado para designar o novo movimento. Portanto, o Simbolismo começou com o nome de Decadentismo. Decadente referia-se ao "mal do fim do século XIX", isto é, da impressão de que tudo, religiões, costumes, justiça, estava em decomposição, dando impressão de um caos apocalíptico. Em 1886, Jean Moréas propõe a troca do termo decadente por Simbolismo. Organizam-se, então, duas hostes, pró-decadentes e os pró-simbolistas, que se digladiam até a consolidação do termo Simbolismo.

Atribui-se a Edgard Allan Poe (1809-1849) influência decisiva na formação do movimento simbolista. Poetas como Rimbaud (1854-1891), Verlaine (1844-1896) e Mallarmé (1842-1898), consolidaram o estilo.

O Simbolismo no Teatro – como o movimento rejeita a abordagem da vida real, no palco os personagens não são humanos, mas a representação de idéias e sentimentos. O som, a luz, a cor e o movimento destacam-se nas encenações. Um dos principais textos teatrais é Pelléas et Mélisande, do belga Maurice Maeterlinck (1862-1949). Em cena, os personagens materializam expressões poéticas sobre a brevidade e a falta de sentido da vida.

O simbolismo teve uma vida efêmera. A sociedade em geral estava embalada na euforia técnico-científica. A burguesia vivia a belle époque, mergulhada em prazeres materiais. A crítica oficial recusou-se a admitir toda a poesia posterior a Baudelaire, a qual chamou de "escândalo" e "barbárie" simbolistas. Por volta de 1890, o movimento simbolista francês já dava mostras de esgotamento e, cinco anos mais tarde, entrava em franco declínio, o que deu origem a várias deserções.

Embora, o Simbolismo tenha sido de curta duração, preparou o advento do Modernismo, e está na base dos movimentos de vanguarda modernos: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, e outros. ®Sérgio.

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Informações foram retiradas e adaptadas ao texto de:

MOISÉS, Massaud. O Simbolismo. São Paulo: Cultrix, 1966.

Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura.

Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquercomentário.

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Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 05/08/2009
Reeditado em 29/05/2010
Código do texto: T1738902

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 66 anos
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