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O PARNASIANISMO NO BRASIL

Estudos Literários

 

O Parnasianismo é a manifestação em poesia, do Realismo-Naturalismo que foi representado pela prosa. Surgiu na França em 1896, com a publicação da revista Le Parnasse Contemporain (que também deu origem ao nome da escola), onde se destacavam poetas como Baudelaire e Théophile Gautier.

Enquanto a prosa realista representou uma reação contra a literatura sentimental e extremamente sentimental dos romântico, a poesia Parnasiana significou a rejeição total da linguagem declamatória e coloquial do Romantismo. O Parnasianismo valorizava as descrições, o cuidado com a linguagem e com as concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima, ou seja: objetividade temática e culto da forma. Daí resultar uma poesia carregada de descrições objetivas e impessoais.

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o

Casualmente, uma vez, de um perfumado

Contador sobre o mármore luzidio

Entre um leque e o começo de um bordado.

Nesse fragmento do soneto Vaso Chinês, do poeta Alberto de Oliveira, podemos observar o gosto pela descrição, o cuidado com a linguagem e o culto da forma: o traço mais característico da poética parnasiana.

Ressuscitaram o soneto e substituíram o decassílabo romântico (dez silabas poéticas) pelo alexandrino clássico (doze sílabas poéticas). A versificação torna-se perfeita: rima rica e rara, períodos longos, inversão de termos e sintaxe clássica. Tudo, opondo-se aos versos livres e brancos cultivados pelos românticos.

O Parnasianismo defendia a "arte pela arte", ou seja, para os parnasianos a arte não tem nenhum sentido utilitário e nenhum compromisso para com a humanidade, a não ser o compromisso com a beleza. Contudo, o nosso Parnasianismo não é mera reprodução da "arte pela arte" francesa. Certo subjetivismo e romantismo continuam subjacentes à composição perfeita dos versos, exceto em autores, realmente impassíveis e objetivos, como Alberto de Oliveira e Francisca Júlia.

Por outro lado, desinteressados de seu presente histórico, voltam-se para a Antiguidade Greco-Romana, buscando lá os temas e as imagens para seus poemas.  A admiração pelo Classicismo e o desejo de recuperar suas formas é definidora do Parnasianismo. O próprio nome do estilo já diz isso: Parnaso é o nome de uma montanha grega consagrada a Apolo (deus da luz e das artes) e às musas. A perfeição Clássica é desejada, como afirma Olavo Bilac:

Quero que a estrofe cristalina

Dobrada ao jeito

Do ourives, saia da oficina

Sem um defeito.

Assim procedo. Minha pena

Segue essa norma,

Por te servir, Deusa serena

Serena forma.

No Brasil, a poesia romântica foi atacada pela primeira vez, em 1878, quando ocorreu em jornais cariocas, uma polêmica em versos que ficou conhecida como Batalha do Parnaso. Em 1882, Teófilo Dias, publicou seu livro de poesias Fanfarras, considerado o marco inicial do Parnasianismo brasileiro, prolongando-se até a Semana das Arte Moderna, em 1922. O movimento terá mestres em Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que constituem a famosa tríade parnasiana. Tamanho foi o domínio exercido pelos parnasianos sobre a massa leitora que durante cerca de quarenta anos (1882-1920) o poeta que se recusasse aceitar os princípios da escola eram considerados poetas inferiores. Isso se prova pelo fato de que os simbolistas dos fins do século, muito mais criadores que os parnasianos, tenham sido ridicularizados ou ignorados.

Raimundo da Mota Azevedo Correia (1859-1911) – dentre todos os méritos que teve, salienta-se sua arte especial na composição de sonetos: Mal Secreto, As Pombas, A Cavalgada, são exemplares antológicos. Sua poesia é filosófica, de meditação, marcada pela desilusão e por um forte pessimismo.

Alberto de Oliveira (1857-1937) – cultuou a arte pela arte e a exaltação da Antiguidade Clássica: perfeição formal, métrica rígida e linguagem extremamente trabalhada que chegava, por vezes, ao rebuscamento, como no fragmento abaixo:

As mãos o escropo, olhando o mármor: "Quero

— o estatuário disse – uma por uma

As perfeições que tem as formas de Hero

Trabalhar em pedra que o ideal resuma".

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918) – Fechando a tríade, veio Olavo Bilac, é um dos poetas mais lidos da língua portuguesa. Seu livro, Poesias, continua a ser reeditado com grande aceitação do público. Seus versos primam pela perfeição formal e alguns se tornaram antológicos, como Via Láctea e o Caçador de Esmeraldas. Em 1907, em eleição promovida por uma revista feminina, recebe o título de "Príncipe dos Poetas". ®Sérgio.

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Informações foram retiradas e adaptadas ao texto de: Paulino, Graça; Estudo das formas e estilos literários; São Paulo, FTD, 1987.

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Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 24/07/2009
Reeditado em 29/05/2010
Código do texto: T1717669

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 66 anos
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