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626

16-12-2006 13:56:37
dia 27
DEIXE A IMAGINAÇÃO SAIR FORA DA RAZÃO
Quando alguém diz que «não se deve querer compreender tudo», o que é que quer dizer? Para tentar compreender o que possa querer dizer, começamos por ver o que diz... 
[desisti da continuar e agora liga bem... com qualquer coisa, é um soluto perfeito, pronto a entrar em solução com qualquer solvente] 

«
1 - Imagine que o que eu queria dizer já ficou dito, agora apenas continuo a falar, para nos fazermos mutuamente companhia: eu falo e ouve-me, quando quiser falar, eu calo-me.
2 - Não importa, se, para falar, aproveito um breve pausa sua?
1 - Não, que importância é que isso pode ter?
2 - É má educação, interromper as pessoas.
1 - Isso pressupõe que as pessoas estão interessadas no que dizem, pedi-lhe para imaginar «que/ o que eu queria/ dizer já ficou dito».
2 - Refere-se ao que escreveu?
»
[pensei este diálogo para epígrafe...]

1 - Sim, claro, aquilo que já tinha escrito antes. Dei a ouvir, como se o dissesse nesse momento. Como se, só nesse momento fosse, realmente dito. Até esse momento, o da sua audição, estava apenas escrito. O mesmo aconteceria se lho desse a ler, antes de ler apenas teria escrito.
2 - Quando se escreve nada se diz?
1 - Imagine que me observa a escrever, dou-lhe a ver a minha atenção, possivelmente poderá deduzir se estou preocupado, feliz ou simplesmente ali...
2 - Tudo se reduz a uma representação?
1 - Tudo se reduz se formos redutores, tudo começa a partir duma representação. Qualquer coisa é, apenas e não mais, aquilo que representa.
2 - Posso pedir-lhe que escreva, para o ver escrever?
1 - Dá-me papel e caneta...

IMAGINE
que
o que eu queria
dizer já ficou dito 

não pense
deixe a imaginação

sair fora da razão...

2 - É um poema?
1 - Que lhe parece?
2 - Parece-me que a concisão e intencionalidade utilizadas - fazem com que as palavras ditas - digam mais que uma simples frase ou frases.
1 - Um poema seria - um texto que diz - mais que as palavras ditas?
2 - Boa definição de poema, mesmo se insuficiente.
1 - O que lhe falta?
2 - Tudo?
1 - Basta dizer alguma coisa e já não faltará tudo; alguma coisa é sempre tudo, quando mais nada é dito.
2 - «um texto que diz mais que as palavras ditas» é qualquer texto, basta não sabermos lê-lo e já será desenho, basta soletrar o som das suas letras e será som, basta dizer esse som sem sentido... e será fala.
1 - Um texto que diz mais que as palavras ditas escritas em versos, satisfaz?
2 - Sim, desse modo não me resta qualquer dúvida, é poesia.
1 - Porquê?
2 - Identifico um género literário, a Poesia, encontro o conteúdo dado, a poesia.
1 - Voltamos à poesia como aquilo «que diz mais que as palavras ditas».
2 - O que dá sentido à vida.
1 - Um texto em verso que dá sentido à vida?
2 - «Um texto em verso que dá sentido à vida»!

1 - Não interrogou no texto a frase repetida «IMAGINE/ que/ o que eu queria/ dizer já ficou dito»?
2 - Reconheci a frase, mas o final pareceu-me o mais importante, foi o que me chamou a atenção: «deixe a imaginação// sair fora da razão...»

Desde dia 26, no texto 626
Este, isto, esta...

1 - «Deixe a imaginação sair fora da razão...», não será encontrar onde fica, está, começa... a racionalidade?
2 - Concerteza, viajando no sentido inverso, entrando na razão.
1 - Gostei desta nossa viagem!
2 - Amei :)

Imagine que tinha alguma relevância ouvir o que está escrito, deste modo ouvia, juntamente com o que está escrito, toda a pontuação. Seria a mais completa descrição da escrita, a mais indiscreta. [28-11-2006 0:48:12]
[lendo no dia 22 do corrente, escrevi]

Agora vou dormir, mas primeiro

TRANSIÇÃO
escrevo em silêncio sem ouvir nada
até me decidir por escrever em verso
fazendo a transição duma linha para
outra linha onde continuo na mesma
linha a pensar cada frase pontuando

o poema inteiramente cultivado por
um entendimento superior dum infra
refrão do funcionamento do coração
na miragem do batimento cardíaco

semelhante à beleza retida na retina
quando olhamos a linha do horizonte
num dia intensamente azul límpido

onde seu texto seria escrito nu agora
brotando essa nascente do horizonte

quase sem transição entre mar e céu

NOME ÍNDIO
- Se me perguntar se me é suficiente a Beleza, é porque eu pedi esta pergunta. Seria uma ajuda, mesmo sem a saber explicar sem antes me aplicar nessa explicação.
- A Beleza é-lhe suficiente?
- Nunca, de modo menhum.
- E a fealdade?
- Talvez. A fealdade intriga-me, o não lhe saber encontrar solução pode ser, sem solução, uma solução suficiente.
- Pediu a pergunta, conseguiu a ajuda?
- A Beleza intriga-me muito mais que a fealdade, a fealdade pode ser Beleza. O contrário não me parece verdadeiro, por isso a Beleza tanto me atrai.
- Gosto da Beleza encarnada em qualquer coisa, como pensamento é sempre uma ideia vaga do Belo.
- Achei o seu Amei belo, encontro-me sobre essa influência.
- Vou declamar-lhe um poema:

TRANSIÇÃO
Memorizei-o por uma única razão, pareceu e parece-me ser resposta para tudo e coisa nenhuma, surge e surgiu-me como evidência da palavra "transição". Gostei e guardei, antes de dormir digo-o mentalmente. Uso-o como oração, com ela pago a passagem ao estado de vigília, a partir daí deixo de vigiar a transição para o sono.
- Já imaginou como terá sido a sua escrita?
- Leio-o como sendo a clara transcrição duma "transição" à/para a escrita.
- Concordo, a nomeação é descritiva, quase um nome índio.
- Mergulho no horizonte, vejo-o como a linha horizontal dum verso escrito numa folha branca em branco, ainda antes do escrever. Imagino o movimento dum gesto para a escrita, as palavras dessa transição de fora para dentro ou de dentro para fora, a forma duma forma onde vazamos o pensamento dentro do momento: o pensamento é a matéria da forma, o momento é a forma para essa matéria.
- Também sei um poema, cito Miguel Torga, de memória:
«
sei um ninho
e o ninho tem um ovo
e o ovo passarinho novo,
mas escusam de me tentar
não vou contar a ninguém,
pois quero ter um amigo
que quando for crescidinho
saiba fazer pino a voar!
»
Chamar-lhe-ia "ninho", um ninho que acarinho.

10-12-2006 22:29:18
Se quiser ou_vir do princípio...
http://www.recantodasletras.com.br/audio.php?cod=1440

dia 28 
Como posso querer escrever seja para quem for se nem para mim escrevo?
Parto desta dúvida para a seguinte certeza: não tendo qualquer certeza, neste caso, isso deve-se a não ter uma dúvida?
Escrevo no emaranhado da Rede. 
 
03-12-2006 17:27:09
dia 29 
email
Das frases que ontem compus, es_colho uma para ti:
«cada um vive com a sombra que trás ao mundo»
E, continuo mais um pouco:
«colecciono o umbigo de frases sem ambiguidade»
ou:
«a imaginação é um transporte fiável»

01-12-2006 16:32:48
dia 30
história
Vou-lhe contar uma história, talvez ache triste... Acordei, calcei os chinelos de quarto, abri a janela, fui à casa-de-banho, lavei a cara, vesti-me e sentei-me sobre o colchão para calçar os sapatos. Cheio de pressa para coisa nenhuma.
Calcei o esquerdo, parei e pus-me a pensar "Devia calçar o direito?". Entrar no dia com o pé direito? Descalcei o sapato, pus-me de pé e dei uma cambalhota no ar para trás. Como pensei que não seria capaz de aterrar de pé, aterrei ajoelhado.
Com o impulso das molas do colchão, rolei para a frente e dei um passo em frente, com o pé direito. Quando me sentei para calçar os sapatos, já estava a pensar nesta história. Indiferente saber que sapato calcei primeiro mas, por acaso, voltou a ser o esquerdo.

30-11-2006 2:18:30 
30/01 - Nov/Dez
Sempre gostei de ideias de conjunto, capazes de transformar o conjunto na ideia dum todo inteligível.
Transformar a inteligência em valor estético, equivalente dinâmico - em arte - da capacidade inata do caçador para hipnotizar a caça.
Gosto de artigos definidos... (o) equivalente, pássaro, artigo, definido.
Artigo indefinido é ler um livro como um livro.

26 NOVEMBRO
27
28
29
30
01 DEZEMBRO


pedra(da) para(da) apanha(da) fruto da escrita
Atrair o leitor para dentro do texto, mostrar como um texto pode e deve ser inesgotável.
Obra: esta noção aparentemente simples, dada na sua mais elementar complexidade, ideia simples (da) matéria.
Se aqui construir ao longo dos dias um único texto, o texto torna-se pretexto para o encarar como uma realidade autónoma, plena e realizada, completamente inacabada...
Ideia que trabalho de modo incansável, seguindo prática alquímica: a Pedra Filosofal é amor à sabedoria, "pedra" do conhecimento.

(antes de adormecer)

(depois de acordar :)

30-11-2006 11:41:14
Influenciado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, reformulo-a: "acordar pode ser maravilhoso"

*
POEMA DEDICADO
à Mim Mesmo, a
Mim Própria,
o Assim
casou-se e não contou (nada a ninguém)

nada é mais exagerado que o Nada,
quando não existe, está sempre
presente; mesmo nas mais
simples coisas, ele, o
nada anónimo!

chamar Nada ao nada é
um exagero tremendo, destes de
trazer por casa e sair com ele à rua,
é o primeiro sinal evidente da loucura:

passear o nada sem trela pela rua
(deixando O farejar as saias cumpridas
das meninas de mini-saia)

deixando O balão subir no céu...
nu céu!

passear o Nada sem trela pela rua!*

{Foto: "autor não identificado"
Faço imensos planos, nenhum é melhor que o próximo. Imaginar que este esteja associado ao anterior! Faço do anterior o próximo: próximo do Nada...
R
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=296316
Quando entregamos o Poder Temporal aos personagens é para as pessoas poderem viver a ficção de uma inteira feição, aquela que "pisca o olho" aos aventureiros e mostra o olho aos temerosos.
Mais (1) para a biografia, acrescento .1. momento
30-11-2006 12:24:48}

01-12-2006 16:58:55 
dia 1 
materializando a metáfora
Durante o tempo ne_cessá_rio imaginei escrever sobre um rolo-de-papel-hegiénico, materializando a metáfora. 
01-12-2006 16:36:50
Não estou escrevendo para ter mais leituras, procuro mais leitura... a arte (se) a_pura! 

02-12-2006 13:27:02
Dia 2 
1,80m
Não tenho grande dificuldade em imaginar-me como não sou, sou também um pouco Isso. Passarei a ser Isso, para fazer uma história. Serei romântico, talvez não.
Ela mandou-me uma foto, nem muito bonita, nem muito jovem, nem muito produzida…
Queira ou não, há palavras que me denunciam, eu sou prático e pragmático.
O engraçado..., é que estou a falar duma grande Senhora do teatro, e eu? Eu sou um jovem já com idade para assentar e ter juízo, cada vez mais adolescente.
Quando acabei o Curso de Teatro estava decidido a ser actor, depois fiquei fascinado pelas actrizes da Moda… Comecei a frequentar as passagens de modelos, pouco teatro tenho feito.
Tenho uma figura que não me faz passar despercebido, mesmo se não me torna particular em nada que possa generalizar como uma minha particularidade.
Tenho trinta anos, quando os fizer este ano. 1,78m, já não chegaram ao 1,80m que digo ter. Uso o pescoço direito, na continuidade das costas. Sinto-me alto, sou da altura das modelos que não são mais altas que eu. Deste modo, falo de mulheres altas, as quais em mim exercem atracção e sedução.
Nada nesta história falará muito mais da minha pessoa, pensei falar duma experiência e entrecruzá-la com uma outra. Comecei por onde estou, na idade. Já aflorei a correspondência como um meio de conhecimento, agora só falta continuar a escrever como se não tivesse mais que fazer.
Gosto demasiado das palavras para não me importar de ser apenas mais um escritor mediano, como nunca encontrei remédio certo para esse incerto mal, faço uns versos insinuando a inspiração como "transpiração da alma". Tinta para umas tiradas que uso em declamações empoladas, quase diria artificiais por "arte & ofício".
Rendo-me à evidência, esta história só vai falar de Isso. Esqueci-me de completar a descrição, sem me alongar muito. Lembrei-me agora dum elogio, és a pessoa que usa melhor um laço ao pescoço.
Olhava-me nos olhos, respondi "Estás-me a pôr um laço ao pescoço, atraindo e prendendo". Ela sorriu, como se…, naquele sorriso, escondesse um Ovo da Páscoa.
Foi nessa altura que conheci a "grande Senhora do teatro", com idade para ser minha mãe… 
http://www.recantodasletras.com.br/contos/10411


03-12-2006 17:21:26
dia 3
a coisa
«Olho sem pressas as coisas que não sou e deixo-as acontecer, como se as tivesse feito»
Resumo um romance num conto feito à pressa, mesmo se com este vagar de vagar as frases. Esta próxima será tão pessoal como a primeira, pelo menos escolho-a da mesma maneira.
«Depois de ler "conto erótico 2" interrogo-me sobre o que terá sido o "conto erótico 3" (supondo que já foi, é...*), o que ainda será?»
Dou-me conta de, não assinando os coisas, tudo ser "a coisa". Isso torna erótico tudo o que escrevo, basta a sua cabeleira basta onde procuro, por entre os dedos, sentir até ao baixo ventre e "Entre": falar com o vento, foi ele quem fez bater a porta.
«Agora acabo esta história longa, sem ela jamais me ter cansado. Mesmo quando adormeci a escrever, acordando a meio de uma frase, pronto a continuá-la na manhã seguinte como se não contassem as horas de sono»
Tal como no romance "a coisa", também aqui o prazer penetra toda a vida. A grande diferença surge em relação ao sono, aqui a_guardo-o para poder dormir e ter novos sonhos: "a coisa" completa.(!).
* Supondo que já foi, é... 
http://www.recantodasletras.com.br/contos/10459

07-12-2006 19:52:00
o_s dia_s
Deitei-me cedo, adormeci e quase acordei no dia de ontem.
Pouco passa da meia-noite, escrita por duas palavras numa só palavra, procurando um ponto dividindo um dia do outro.
Ontem nada publiquei e escrevi e pensei publicar:
«
dia 4
depois de escrever um poema gótico

cemitério lunar

respiro o ar rarefeito dum ataúde
acordo num sonho sonhando
a morte e suas práticas macabras
as cabras das carpideiras
e o meu gozoo de morto respirando
melhor dentro do sarcófago
que pessoas em ambiente de velas
velando a morte dos outros
nu ganhar dum céu sem estrelas
onde a esperança é crédula?

viajo na noite em espírito
para me deitar de costas frias
numa laje de mármore de campa
onde penso em ti como se faz
o amor inexplicavelmente gótico
das minhas pernas abertas
para te deixar ajoelhada
contemplar a arquitectura nua
dum esqueleto animado a sexo.!.

confesso que o canto da coruja/
/ pia piamente, piamente o Piu!

como é alegre surpreender-me a mim próprio ouvindo o eco da minha voz a esterilizar-se prenhe deste silêncio dado às formas das palavras repousando na sua letra sem a música de ouvir a festa onde me sento a um canto feliz meditando sobre as propriedades do álcool misturado com a devoção sem nem pensar em democrático voto sobre coisa alguma entregue a decisão nenhuma e dançar sim mas na cama com a euforia de vibrar em excessos aos quais dás a chama da paixão e desmaio antes de dormir escandalizando quem me ler sem perceber como cheguei ao SPAM...
...
»

dia 5
querido/a leitor/a

Queres que fale de "cemitério lunar"? Calculei que Sim, faço de conta! Melhor dizendo, decido que... Sim. A tua resposta pertence-te agora, actua, é tua. Queiras ou não, é bom que queiras, és tu a ideia deste... Sim.
As palavras saltam do texto para a vida!
AsSim como hoje me encontras a escrever sobre o mistério dos dias, onde acabam e começam, onde a "narrativa erótica" nos leva e nus trás...
Assim te desencarno lentamente Assim, lentamente Mim: leitor ou leitora. Escrevo-te como se fosses meu mestre e heterónimo Assim, meu amor paixão e permanente divagação Mim.
Sim mestre, sim deusa e mulher_es as palavras agora são nítidas, cada uma vale por si...
Pensem o mesmo que eu, depois de "conto erótico 4" qual será O "conto erótico 5"?
Não existe, não foi escrito. Vou es_cre_vê-lo agora, publicá-lo-ei no dia 6.
Agora, menos do que já escrevi, o que prometi: "cemitério lunar" é dedicado a uma amiga querida, como poderia ter sido qualquer dos contos eróticos, escritos como cânticos à Lua nu(m)a celebração gótica: ui_vos de voz... ao luar!
Pronto o poema está explicado, aplicado e interpretar é função vital do poema-leitor: meia-noite...
Beijos & Abraços & Saudações Recantuais

10-12-2006 3:15:15
dia 6 
Acabo de publicar reflexão 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=314172
, fazer ligação a conto erótico 4 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=10596
, ontem escrevi conto erótico 5 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=311274
, hoje oralizei, gravei.

dia7
lanço âncora
Admito que os meus dias se fazem de formas intensas, sem outras razões que estas nenhumas com que alimento a escrita. Adiro mentalmente a esta realidade de me surpreender com o destino traçado por letras alimentando a divagação que navega entre os sons, tentando abalroar sentidos que possam emergir à tona das ideias como rochas acentes sobre um fundo cuja presença diz bem da consistência com que os sentidos tentam confrontar a fluidez onde melhor me movo. Sou as flutuações dum humor onde o riso não me faz pingar do nariz, nem me constipa de alérgica alegria. Refiro-me ao riso com o qual, desde que nasci, faço a felicidade navegar. Ah, como sou feliz! A benção lembra-me as lágrimas de fogo, para mistério, a semelhança não acaba aí nas lágrimas caindo do céu, antes irradia duma energia livre e solta onde a prosa avança na proa de versos, no arredondado casco duma fala, a prometer ao amor o silêncio da inutilidade. Conseguem acostar e atracam. Daria um traque, se o tivesse mas, mesmo sem ele, lanço âncora!
Chego à perfeição deste destino onde não hesito reconhecer o paraíso, vou pois... dormir sem dor nem ir, ficou. De luz apagada, contarei carneiros e ovelhas, um rebanho indiferente e indiferenciado, gado que deixo a pastar. Vou tentar ser com as flores silvestres, a cor que elas deixam nos pastos! Vou pastar os sonhos...

dia 8
um pouco isto...
se a paixão não fosse um pouco isto...
l
ê...
este poço
sem fundo
onde abarco
viagens sempre
novas e virgens a
cada dia onde onda
se forma sem norma
enorme o espanto solto
mesmo quando esperado
e repetido até à eternidade
nua dar orgasmo nu momento
(nus da alma, porque do corpo.!.
só precisamos dum gozar... limpo
ou porco, como um ronco... louco!)

PESSOA
Pessoa é este Pessoa que escreveu:
«
A cada personalidade mais demorada, que o autor destes livros, conseguiu viver dentro de si, ele deu uma índole expressiva, e fez dessa personalidade um autor com um livro, ou livros, com as ideias, as emoções, e a arte das quais, ele, o autor real (ou por ventura aparente, porque não sabemos o que seja a realidade), nada tem, salvo o ter sido, no escrevê-las, o médium de figuras que ele próprio criou.
Nem esta obra, nem as que se lhe seguirão têm nada a ver com quem as escreve. Ele não concorda com o que nelas vai escrito, nem discorda. Como se lhe fosse ditado escreve; e, como se lhe fosse ditado por quem fosse amigo, e portanto com razão lhe pedisse para que escrevesse o que ditava, acha interessante - por ventura só por amizade - o que, ditado, vai escrevendo.
O autor humano destes livros não conhece em si-próprio personalidade nenhuma. Quando acaso sente uma personalidade emergir dentro de si, cedo vê que é um ente diferente do que ele é, embora parecido; filho mental, talvez, e com propriedades herdadas, mas as diferenças de ser outrem.
», p. XVII do Livro do Desassossego da Ática, Lisboa 1997 (actualizei ortografia)

Nota: não há dois Livros do Desassossego iguais em editoras diferentes, nem mesmo naqueles que, publicados no estrangeiro, são traduções; salvo erro... Já devo ter lido uns seis Livro do Desassossego, para o sossego cego de conversar de olhos abertos com o Pessoa como Vicente Guedes ou Bernardo Soares, consoante opte por um semi-heterónimo ou por um heterónimo. Isto ao gosto dos que nos fazem fregueses da literatura da pessoa do Pessoa.

Noutro dia, este mês já, escrevi Isso algures neste texto que vai crescendo com os dias. Isso foi um novo ente, solto numa palavra, vindo e ido, num repente. Não teve qualquer personalidade, senão a minha que nada dita, a não ser que faz o que lhe dita a sua própria personalidade ou o que quer que seja que cada um de si-próprio é.
Também eu não pretendo saber o que é a realidade, apenas sabendo que ela é a real idade de cada momento. Sendo que, a cada momento, a realidade muda.
«
a minha que nada dita, a não ser que faz o que lhe dita
»
O que acontece quando volto ao que seria dito, se dito fosse o que deixei escrito? Será que dito a mim próprio, num "si-próprio", o que há em Mim?
Será a Mim minha, do Assim ou de outro qualquer que queira... chamar Mim ao seu amor ou Dulcineia?
Entre eu e D.Quixote, sinto-me um Pixote... Dom Pixote é igual, maior ou superior ao Quixote, tira a armadura que não usa e até pode calçar peúgas sujas e ser tão natural como o cheiro desses pés calçados que põe dentro das meias mesmo sujas, se não tiver umas limpas e os pés lavados ou coisa que lhe valha.
Tudo isto para voltar a transcrever:
«
Com uma tal falta de literatura, como há hoje, que pode um homem de génio fazer senão converter-se, ele só, em uma literatura. (*)
»
«

(*) Os excertos acima transcritos fazem parte de um texto mais longo já publicado integralmente in Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação.
», idem, XVIII
Fico a pensar com os meus botões que, a mais bela existência, é a d’Isso. Um Dom Isso, cavaleiro andante, montando uma ideia pura, com um puro sangue, a cavalgar por esse mundo de Deus ou de Alá o seu profeta ou todos os outros. Mundo que na Terra vamos fazendo com Gaia Ciência ou simples paciência de corno de quem usa os cornos para imaginar, por exemplo, como será que vacas e bois vêm a erva que pastam e depois ruminam e ruminam ruminantes agora como dantes, com um desinteressado amor de quem por ela erva daria a vida?
Sim, penso que não. Diriam, como Pessoa, não sentir dentro de si qualquer personalidade a respeito da relva, da vida ou do que quer que seja. Dêem-lhes uma cria e vão ver como a personalidade se manifesta, seja ela qual for.
De Isso, sei o que disse e mais não digo, dito tudo... disse. Já não disto nada de dizer disse, que até já disse. Já Disse foi o nome do meu primeiro cão literário mas, "para literatura", por agora, disse:
- Já Disse, venha cá, já disse!...

conto erótico 6
Há muitas Anas, felizmente; vou, no entanto, citar uma de quem gosto há muitos anos:
«
- Ah, não percebo nada de botânica, agora estou a ler os Poetas-Portugueses.
», pode ler-se no "Mestre" de Ana Hatherly, p.47, Ed. Quimera, Lisboa 1995.

A literatura é isto, ler e escrever como se quisesse fazer livros ou um livro. Das receitas de cozinha desisti, mesmo antes de tentar. Tenho dedicado a minha atenção às mais estranhas receitas dedicadas ao prazer, ao erotismo, claro.
Provavelmente nem uma Anas haverá, mas...
Anas descruzou as pernas, nitidamente entre abriu-as, para que o ar pudesse subir por entre as pernas e refrescar o espaço até onde ele termina entre-pernas. Está quente, poisa o livro, acabou de ler este conto onde lhe transmiti o entusiasmo dos Poetas-Portugueses quando falam do amor e dizem que as palavras cantam na fenda da mulher onde os poetas esfregam sua língua enquanto as comem com um prazer sues de quem é boa rês e goza perdidamente... à Florbela Espanca! Nada me espanta que suba as saias e se acaricie sem a ajuda de nenhuma das suas aias, D_ona Anas está só, olhando o mar.
O seu olhar se espraia e vislumbra, no horizonte, entre mar e céu, um verso intrigante, a alma penada dum poeta antigo... a escrever-lhe uma cantiga que a faz chorar e rir enquanto se masturba e o mar se turva e ela se perturba até gritar sozinha: - Meu amor!... Fala dum poeta de quem se quer prenhe, abana a cabeça para a esquerda, a mão direita para a direita. Escorre, dos seus olhos fechados, uma lágrima de felicidade: sente-se, ali, já Anas sou... (age a Língua, lembrando Bocage), acompanhada.!.

nota
Desconheço o motivo da felicidade duns textos em relação a outros, des_cubro ser o "conto erótico 285" o texto que está a dar cartas...
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=99404
Vou lá deixar uma nota dizendo que escrevi esta nota aqui, para ver se alguém me escreve "uma carta" dizendo porque está a ser tão lido.
Também eu aproveito e vou lê-lo, matando saudades dum texto do qual já não lembro. O que faz das saudades almas desencarnadas que encarnam nas memórias do corpo, em visita ao tempo temp(l)o da memória.
É esta a breve história deste texto que explica o seu porquê, com a sinceridade duma confissão onde direi o que sei, o que sinto, o prazer do que pode ser isto de escrever: leitura... 69
Faz tempo vou seguindo a evolução do "Top Ten" dos textos mais lidos nesta escrivaninha, é uma permanente e curiosa leitura. Aí radica e lança raízes a planta que serviu de mapa, para navegar até este texto. Quanto à planta, esta nota, breve esquisso.
pastel de nata
Já algures escrevi que o Assim era anarca, embora isso possa ser o que ele pensa de mim. Quanto à Mim duvido nos tome, a mim ou a ele, por anarquistas. Se não quero que ninguém me governe, começo por não querer ser nada... Anarca agrada-me, parece-me um belo nome para uma marca de pasteis de nata. Parece que andam fazendo furor por esse mundo fora, ainda ninguém se lembrou de lhes dar marcas próprias? Esta poia, o corrector desconhece que seja um pastel de merda natural, chamar-se-ia “pastel de marca Anarca”. Como não gosto da ideia, faço publicidade ao que é bom!

ponto de vista
A melhor coisa que um homem e uma mulher podem fazer-se mutuamente, é seduzirem-se. Quando a sedução é unilateral, alguém está marginal na relação. Daí a não existir, é um ponto de vista: existirá sempre, para quem a mantém.
Apeteceu-me escrever “ponto de vista”, parece-me ser isto, está V_isto...

Faz um poema, digo-me eu como quem "se" incentiva para uma grande empresa. Oiço a ideia e escrevo-a, depois espero que a ideia se desenvolva. Ela enrola-se sobre si mesma, fica na mesma. Quanto ao poema, é sempre uma boa ideia quando desse modo "se" revela.

eclipse
I
uma palavra de amor
quase inequívoca soa sem som
porque ainda não foi
mas já os versos chegam e são
o que nunca chega se
a condição essencial eclipsada
ignorar a luz incendiária
do riso apenas com dentes
iguais às teclas de piano:
queda imaginação sem música

II
sou o primeiro a reconhecer
a estranha forma
imprimida
ao sentido das palavras
onde fica desconhecida essa
inicial convocada
sem sucesso aparente

III
a conclusão já ronda
para parar parada parecida
com uma roda quadrada

IV
a alma como um verso...

dia 9
As primeiras palavras do dia são representações que procuro sentir como água de nascente aberta...

sintagma verbal 

enigmático
magma dos enigmas
entra em erupção

canção do poema
como lava

corre incandescente...
Assim

li_sa...

a pele
na língua
à flor da pele

(d_um comentário)

baralhações = baralhar (in)acções
Vou apagar "626" e "nu espaço-tempo" e incluir "reflexão" e "conto erótico 5"; tudo o que faço nos textos, inclusive escrever no Mural, aqui tento registar. O porquê?
O "conto erótico 5" e, já agora... (o) "conto erótico 6" aparecem aqui no "626" e "nu espaço-tempo" fica aqui :) "3 – narrativa erótica"
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=275993
O "626" áudio era apenas o texto inicial deste texto, deixemo-lo continuar a ser, mesmo se não é um dos melhores áudio, assinala essa origem perdida... 
http://www.recantodasletras.com.br/audio.php?cod=1440
Deixo ficar as "malditas" e mal ditas palavras de "nu espaço-tempo", memória duma constipação que espero tenha sido vacina! 
http://www.recantodasletras.com.br/audio.php?cod=1144

à noite

à noite
com o tempo
onde o encontramos
para ter a leitura e a escrita

encontro palavras tuas
e começo
eu
este gozoo de (a)prender

liberdade ao ser
que se
que se des-
pe

onde os versos
começam
com
e

x
i
s
t

i
R

(a palavra rompe-se mas
não se rasga a sua
leitura, pois
cres_ce
...)

Acabei de publicar os últimos quatro dias 6 (7 & 8) 9 

10-12-2006 22:27:50
dia 10
Alterar o nome de “conto erótico 5” para “método científico”! É a aplicação do método (): Ah, também terei de mudar no áudio?
O que fazer do que se escreve e é físico? É sempre bom guardar originais :)
Uma Boa Semana e Saudações Recantuais!!

13-12-2006 0:18:17
dia 12
Recebo email e trás uma ligação, 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=315640
seguindo-a podem encontrar:

FALTOU UMA ESTRELA PRA NÓS...
UMA PRA NÓS...

Saudade...
Ó mulher tu tem-me c_alma...
falta tua presença neste quarto,
estou nos quadros aí
o gosto do teu beijo,
em tudo que te rodeia
teu perfume na minha pele,
como uma chama acesa
teu sono ressonando no meu,
procurando luz no pavio
murmúrios na minha nuca,
a boca perto ao teu pescoço
teu gozo culminando meu orgasmo,
o êxtase de sentir vindo de ti
teus traços no toque dos meus dedos,
como se fóssemos texto-poema
teus lábios deslizando por meus seios.
um corpo aceso preso numa teia
Eu...tua gueixa. E não me queixo...

Saudade...
Ah! Amorosa mulher...
falta teu bom humor,
meu riso anda abanando
teu leve sorriso de ironia,
o paraíso onde vou dormir
falta o café divido entre olhares,
esta morte sem podermos ter
a torrada ao lado do pão fresquinho e quente,
o carinho do hábito sem monge
queijo-de-minas e queijo prato lado a lado,
onde te queria dar bênção sempre
as manchetes de jornal que discutíamos,
nas razões e "desrazões" acasaladas
o banho, primeiro você, depois eu, ou ambos
do banho à cama e a ordem inversa...
misturando espumas e planos para o dia...
sem cansar jamais da vida
Rotina tão sem rotina,
mesmo o dia-a-dia agora ainda é...
sempre com cara de data especial.
FantasiaR!

Abro a janela na madrugada das noites,
o dia está claro e, claro..., à tua espera
aragem de azul de metileno,
como uma paisagem de quadro
espio a avenida do começo ao fim...
sentado no ser a olh_ar-te.

Do jardim do edifício
onde agora vivemos
o ar exala as damas-da-noite,
nas cartas dum jogo sem regras
tão marcantes e tão frágeis, vida curta,
para jamais ser...
aroma que vem e logo vai...

Voltarás um dia?
té_nu_e...
Preparo nossa folia?

No tecido celeste, a estrela da saudade.
té_nu_a…
Brilha, brilha, veste-me, cobre-me de brilho.

Hoje não vejo a estrela da esperança.
pensa "thé"
Atrasou-se, talvez.

Saudade...
à hora do chá
Rima da crueldade.

Kathleen ML
Publicado no Recanto das Letras em 02/12/2006
Francisco Coimbra
Publicado no "Canto das Letras" em 3 e 4/12/2006

FALTOU UMA ESTRELA PRA NÓS (Kathleen ML)

Saudade...
falta tua presença neste quarto,
o gosto do teu beijo,
teu perfume na minha pele,
teu sono ressonando no meu,
murmúrios na minha nuca,
teu gozo culminando meu orgasmo,
teus traços no toque dos meus dedos,
teus lábios deslizando por meus seios.
Eu...tua gueixa.

Saudade...
falta teu bom humor,
teu leve sorriso de ironia,
falta o café divido entre olhares,
a torrada ao lado do pão fresquinho e quente,
queijo-de-minas e queijo prato lado a lado,
as manchetes de jornal que discutíamos,
o banho, primeiro você, depois eu, ou ambos
misturando espumas e planos para o dia...
Rotina tão sem rotina,
sempre com cara de data especial.

Abro a janela na madrugada das noites,
aragem de azul de metileno,
espio a avenida do começo ao fim...
Do jardim do edifício
o ar exala as damas-da-noite,
tão marcantes e tão frágeis, vida curta,
aroma que vem e logo vai...

Voltarás um dia?
Preparo nossa folia?

No tecido celeste, a estrela da saudade.
Brilha, brilha, veste-me, cobre-me de brilho.

Hoje não vejo a estrela da esperança.
Atrasou-se, talvez.

Saudade...
Rima da crueldade.

UMA PARA NÓS (FRANCISCO COIMBRA)
estrela-poesia

Ó mulher tu tem-me c_alma...
estou nos quadros aí
em tudo que te rodeia
como uma chama acesa
procurando luz no pavio
a boca perto ao teu pescoço
o êxtase de sentir vindo de ti
como se fossemos texto-poema
um corpo aceso preso numa teia
e não me queixo...

Ah! Amorosa mulher...
meu riso anda abanando
o paraíso onde vou dormir
esta morte sem podermos ter
o carinho do hábito sem monge
onde te queria dar benção sempre
nas razões e "desrazões" acasaladas
do banho à cama e a ordem inversa...
sem cansar jamais da vida
mesmo o dia-a-dia agora ainda é...
FantasiaR!

o dia está claro e, claro..., à tua espera
como uma paisagem de quadro
sentado no ser a olh_ar-te
onde agora vivemos
nas cartas dum jogo sem regras
para jamais ser...

té_nu_e...

té_nu_a…

pensa “thé”

à hora do chá

Um ditado antigo diz «entre homem e mulher não metas a colher», numa poesia da mulher para seu homem, na ausência física deste, para fazer surgir dueto, entrei num processo de reencarnação/ criação onde procurei dar voz à presença evocada. Não há qualquer equívoco, não há colher, houve a metafórica presença da pena, utensílio simbólico da escrita, para com ela voar/ evocar!...
Assim como este poema remonta aos dias 3 e 4 do corrente, hei-de voltar ao dia de ontem para não o deixar passar em claro; claro que escrevi, de_claro que escrevi :) 

14-12-2006 1:37:10
dia 13
(o) objecto artístico
A minha ideia é simples, materializá-la simples será mas, como tudo que tem de ser feito, demora tempo e ocupa um espaço que, no caso de um único texto, se explana segundo um plano mais coerente.
O que pretendo fazer é, num único texto..., fazer uma representação que funcione como apresentação dum diário à imagem e semelhança do que, desde o inicio, tenho feito.
Pensar o que seja e o que possa ser um diário, tendo por motivação "o prazer da escrita", remete para a experiência pessoal do registo obtido através desta prática cuja presença tem, procuro dar-lhe, uma leitura literal do que pode e deve ser a literatura: a sua ficção e horizonte.
Sendo o horizonte a vida, a ficção é tudo o que a alarga ou restringe: alarga numa desmesurada ultrapassagem de limites, numa metafísica da linguagem e, em bom rigor, da própria realidade; restringe na medida em que instaura os limites do real, a construção mental do que seja ou possa ser a ficção, a vida, a realidade própria ou outra, toda e qualquer.
A instauração destas duas instâncias, uma notoriamente metafísica e outra fisicamente notória, na realização do texto e da sua própria natureza, vai-se definindo: por um lado a procura duma filosofia, a articulação dum saber ou da prática onde o domínio dum conhecimento seja concebível, por outro, teremos a ideação dum objecto triclínico (tendo por eixos: tempo, espaço e imaginação), também ele uma concepção de razão e sensibilidade: o objecto artístico fruto de pulsões, volições, sensações e emoções onde, como num jogo, a arte se faz e desfaz como a prática dum ilusionismo onde assistimos ao que julgamos ver e guardamos, juntamente com a memória, o nosso ponto de partida que, só se mantém, se continua_da_mente continuarmos a procurar/ encontrar "o objecto"...
Continuo entregue ao imediatismo! Um "ismo" sem mediar grandes teorizações, a não ser todo o teor da acção:)
triclínico
do Gr. tri (treîs), três + klínein, inclinar
adj., relativo ou pertencente ao sistema cristalográfico caracterizado por três eixos desiguais, oblíquos entre si. 

14-12-2006 20:48:58
dia 14 
Caro jax,
«Escrevo para organizar os meus pensamentos, sentimentos e emoções.»
Gosto desta frase lapidar com que abres o teu perfil!
Hoje vou apenas publicar o que aqui escrever, o que acabei de escrever, centralizado na página, um cone ligeiramente arredondado: um cálice! 

na lareira a lenha arde
num belo espectáculo
ao remexer as cinzas
dum cone luminoso
com a cor de oiro
o fogo liberta-se
dissipando-se
como calor
divino
!
Glosando:
"Caem os céus, fogem os deuses"

Carlos Luanda

Acabo de encontrar o teu comentário:
No método experimental, mesmo quando dá errado está certo. Abraços.

Enviado por
Jax Levin em 14/12/2006 14:15
para o texto
"método ciêntifico"
Bem verdadeiro, na experiência tudo se aproveita.
Se na "narrativa erótica" a correspondência era a pedra de toque aqui, neste texto, fax hoje aparição.
Permite inclua aqui o que escreveu um outro amigo:
Essa questão do método ficou mesmo uma pintura, caro amigo. Uma delícia de se ler. Gostaria de suas considerações sobre o meu Quase Manifesto Tardio. Abraços

Enviado por
Aldo Guerra em 13/12/2006 10:31
para o texto
"conto erótico 5"
Dar destaque aos dois comentários permite-me analisar a importância dos nomes, desde logo, na distinção dos conteúdos. Ambos comentam o mesmo texto, um acedeu pelo áudio outro pelo texto. Qual possa ser o resultado da observação? 
Na observação nunca devemos interferir na experiência, sob pena de alterar os seus resultados. Fico-me por fazer uma observação sem consequência? :)
Tenho uma ligação que passa a vida a cair, por via dela ando até “mal educado” em relação à falta de resposta com que tenho deixado muitas atenções recebidas. Vem isto a propósito de comentário que já tinha feito para o Aldo 
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/313169
antecipando-me ao pedido dele:
Eis um "Quase Manifesto..." que fala dizendo "reverberação", "alfazema", "cachaça", "escárnios" e citações..., pensamentos, ideias e o ideal? É que deixa os ideais para as ideias, a poesia com qualquer, você ou eu e quais quer leitores. Parabéns!
Já é de antes-de-ontem, estamos sempre entregues ao a_caso...
Antes de acabar esta carta, também quero, pelo menos ler o teu último texto.
Comecei pela brevidade do poetrix, condensando e criando a cristalização nele mencionada. Agora no conto, 
http://www.recantodasletras.com.br/contosinsolitos/317795
O final podia ser o descarregar da tenção, mas não: um sus_pender!...
Abraços 

Post Script
«Eu faço o que escolhi fazer», corrigi em "método cientifico" ou "conto erótico 5"
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=314172
o "inventei", infeliz..., por "escolhi", mais objectivo.

14-12-2006 22:53:36
tatuagem
Eu acredito que o tempo pára quando nos movemos para a esquerda da direita e entramos por cima no fundo do mundo que se recria na linguagem que o quer para modelo. A realidade senta-se, levanta-se, fica inquieta, nem a olho; escrevo, sobre ela, o que me apetece. Desse modo a tomo e nela me gravo, deixando "tatuagem".

16-12-2006 3:36:37
mundo, verdade e im(p)unidade
em três tempos...
1
mundo novo
Escrever aqui é como ter um caderno novo, é como um "mundo novo" que se abre. Nunca fiz um Diário que verdadeiramente o fosse, no sentido de ser um registo com uma realidade específica de ser um registo dessa mesma realidade.
2
boa verdade
Em "boa verdade" tenho um Diário mais velho que eu, mesmo se esta é uma afirmação arrojada. Vou arrojá-la às palavras, deixar que elas a comam e, quem as ler, que faça a digestão.
3
im(p)unidade
Gosto da unidade do meu "eu", mesmo se não vale grande coisa sendo apenas "uma coisa". Questiono no entanto a validade dessa coisa que será o "eu"? Se "eu" sou o que me lembro e quero ser também um "eu" para os outros, a minha "escrita" é, pode ser, muito mais que eu.

dar conta do recado
Depois disto, vou-me deitar!

Vou fazer uma coisa que pratiquei com alguma frequência e agora é cada vez mais difícil: um rallye de comentários, a agradecer os comentários recebidos. Já houve alturas em que tinha muitos comentários, graças a esta genuína simpatia redistributiva da simpatia/ companhia recebida. Quando deixei de "dar conta do recado", mas ainda fazia bastante... Conseguia visitar uma página de comentários, os dez últimos recebidos, é o que irei fazer amanhã!
Quem mais jura mais mente..., Juro! Pode ser que não esteja a mentir.

A experiência deste "626" diz muito do que podemos fazer do que fazemos, já não sei o que fiz, mesmo sabendo o que quero fazer e vou fazendo: não ter pressa e ser presa dessa pressa que não quero ter. Continuo a ler o Livro do Desassossego:
«
«Quero-te só para sonho» dizem à mulher amada, em versos que lhe não enviam, os que não ousam dizer-lhe nada. Este «quero-te só para sonho» é um verso de um velho poema meu. Registro a memória com um sorriso, e nem o sorriso comento.
»
Fragmento 274, pág. 311, idem..., Pessoa.

Quero-te só para sonho
I
sem sequer imaginar-te assim
acordado e sóbrio pensando a cor
com as sombras a luz e colorido
de dias que não te conhecem
II
mulher dos meus sonhos de ser
sonhos que não recordo acordado
deles não dando acordo de os ter
mesmo se os sonho poder ter tido
III
abraço-te neste traço duma dança
onde cada verso avança e recua
como os passos duma valsa
onde nus nós nos completamos.(!).
IV
num horizonte igual ao ontem
onde amanhã me encontrarei
sentindo que te tive no passado
e para sempre és o meu futuro
V
e, no desencontro deste encontro, o
poema se completa na nossa viva
poesia de todo o poeta merecer
a poesia que consegue amar!

Maravilhoso poema, só um poeta como eu o poderia ter escrito. Pessoa não desdenharia ter escrito o poema, ficaria contudo deslumbrado pela despersonalização desta frase e não a daria a assinar a nenhum heterónimo. Também eu a escrevo, como se só a frase existisse. Depois dela, existir, já não tem a mais pequena importância; se existe a frase, que importância tem ter sido escrita? Quero-me seu leitor apenas, o mesmo digo do poema e da vida. Lembrando-me de qualquer coisa que escrevi e tenho de passar e, quando passar, nunca será nada parecido com o que escrevi nesta frase onde: existir nunca me aconteceu!
Acalmo a serenidade até as lágrimas descobrirem um rosto onde comecem no canto dos olhos, até o riso assomar no canto dos lábios. Assomos de sábio a estudar as emoções para alimentar os pássaros, com a canção dos seus sonhos, em telepatia trinados.
Bom, já devia ter trinado tudo, mas hoje o meu coração fala mais alto e vou continuar o pema.

VI
quando adormeço acordo e digo
"o dia anda à volta do Sol e a Lua
orbito a cada hora fazendo viagem
segundo a segundo nos minutos"
VII
quando é a tua vez de acordar
despertam-me sentidos sabedores
de saborear os teus sabores amor
"o Sol também anda com a Lua"
VIII
felizmente desconheço a moral
tal como a pregam as religiões
proibindo a carne em certos dias
"a Lua também anda com o Sol"

Amanhã já não perceberei a quinta quadra, a ruptura, a partir do centro do poema, ficará no final da qua(rt)a qua(dr)a nu patati-patatá dum giroflé-giroflá. Agora, estou mais que preparado para sonhar a dormir! 

dia 15
felizmente desconheço a moral
tal como a pregam as religiões
proibindo a carne em certos dias
"a Lua também anda com o Sol"

Quando leio o que (es_cre)vi, leio que escrevi e p®onto.
Quando leio (o) que vi...
Há falas que podiam ser ditas e falas interditas, tudo é mistério e coisa nenhuma. Sendo "coisa nenhuma" o maior (dos) mistério(s). Este "dedo", esta marca duma deusa virgem e transparente às aparências... Patati Patatá, deusa do Ceará, inspiradora de Patativa?
Pois é, os legisladores da religião cristã ou da cruz, viviam numa zona quente do globo onde se comia carne. Vai daí, proibiram o seu consumo, pelo menos um dia por semana. Tudo na boa fé, aquela que não exige maiúscula, para uma desintoxicação do organismo. Apologistas tímidos das virtudes do vegeterianismo! Calor e carne, toxinas, intoxicações: tóxico...
Acordei e já me intoxiquei de ideias-palavras, vou desintoxicar.


(com)sequência 

sequência 

I
duche 

verte a água do crivo
regando o corpo

ver-te aí é leitura
para várias vidas

nua e boa!!
da sedução nu-visão

II
sonho
para um momento intimo

leva o búzio ao ouvido
para ficar a ouvir
a voz do mar

deixa
cair a lágrima
ainda presa ao canto...

III
intimidação
intima ruptura

nem a palavra verdadeira

existe
nem
a palavra verdadeira
existe
nem a palavra
verdadeira existe
só o poema

(a) alimenta e inventa!!

IV
hipótese hipnótica

neste momento
a vida é igual ao gato da vizinha
se ele estiver a dormir
e isto vier a ser

definição

A Arte diz-se em meia dúzia de palavras,
mas tem de ser feita apenas numa: Merda!...
Deve ser solta como uma exclamação,
pulverizando perfume!!
Uma ou duas vezes, não mais...
para evitar saturar o ar com um cheiro
denso, pesado e pestilento.
O poema é/ este momento/ de ruptura.
R

Nenhum poema que se presa integra uma sequência, fazendo-o é presa (é o que somos/ gomos deste fruto Terra).

o poema ideal

1
o poema ideal
é lido de olhos fechados
sem esforço de compreensão

contudo
pede-o

em cada verso

2
o poema ideal
é uma memorização
silenciosa

feita do eco
em volta

das palavras soltas

3
o poema ideal
é a tua voz a segredar
Amor...

fazendo-me
vir

no orgasmo nu (!)
Assim 

http://www.escritacriativa.com/userinfo.php?uid=1037

16-12-2006 13:44:49
dia 16
preparando novos áudio

1
Vou ler um dos contos que nomeei de "conto erótico", fazendo-lhe suceder um número. Este é conto erótico 6 e inclui em 626, um texto que vai de dia 26 a..., irá. Por enquanto é um texto que cresce diariamente, estando este conto nu no dia 8.

2
Finalmente vou tentar ser organizado, coisa que me desorganiza um bocado o esquema... Não liguem, é paleio de poeta, devaneio de artista, ou mania de pianista no teclado dum PC onde alinhavo as ideias do que vou ler. Sim, que isto é muito organizado!...
O mais certo é não acreditarem e pensarem: deve ter posto os auscultadores nos ouvidos, tem o micro ligado e está a debitar ideias.
Adoro os ouvintes-leitores que criam a sua própria ficção, afinal, essa é a minha ficção.
O conto que vou ler é, destacadamente, o texto mais lido da minha escrivaninha. Uma espécie de "best seller" cuja sorte se alicerçou em atingir o Top e aí tem vindo a perpetuar a sua posição.
Com prazer partilharia a "notoriedade" com a musa inspiradora do mesmo, porque é bom que se diga que a essência deste texto é a leitura, a sua escrita essa será a sua natureza.
Depois de ditas estas palavras de grande beleza, beleza... Cá vamos: conto erótico 2.

Top Ten
conto erótico 2 Contos 08/04/05 16169 -16163=6 
http://www.recantodasletras.com.br/contos/10411
conto erótico 1 Textos Eróticos > Contos 07/04/05 7384 -7371=13 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=10217
conto erótico 4 Contos 10/04/05 6269 -6268=1 
http://www.recantodasletras.com.br/contos/10596
conto erótico 111 Textos Eróticos > Contos 19/04/05 4794 -4778=16 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=12095
conto erótico 3 Contos 09/04/05 2986 - 
http://www.recantodasletras.com.br/contos/10459
conto erótico 285 Contos > Causos 16/01/06 2065 -2046=19 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=99404
porque amanhã... Mensagens > Aniversário 02/06/06 1028 - 
http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdeaniversario/168093
em público Textos Eróticos > Contos 06/04/05 976 -975=1 
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=10002
Dedicatória Mensagens > Aniversário 02/03/06 854 -851=3 
http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdeaniversario/117742
o que eu disse... Mensagens > Reconciliação 27/10/05 848 -847=1 
http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdereconciliacao/64374
[16-12-2006 3:16:24 29h 60]

Aí têm o segredo da minha contenção... Já me vou dando por feliz com a sorte das leituras recebidas! Depois, sem projecto, "a escrita" não existe: existe o mero acto de escrever.
O meu projecto também é uma coisa simples, antes de perfazer dois anos de Recanto..., concluir uma leitura do que tenho andado a escrever. O que, se por uma lado, passará por imprimir as coisas que escrevi, por outro lado, leva ao desejo, aqui na escrivaninha, de ligar entre si todos os textos.
Saber que lados sejam estes, por um um, por outro outro, é como encarar a direita e a esquerda da linguagem: agir no tempo, por um lado o antes, por outro o depois. O mais certo é não ser nada disto e poder ser outra coisa qualquer, esta é a grande virtude duma realidade, a linguagem, que sem imaginação, perde a cor.

16-12-2006 17:07:09
Querida Mim, [Hoje a Mim és tu... Kat]
Tu é que me entendes... Um Bom Sábado ou o que resta dele!
Gosto muito da tua companhia e hoje dá para sentir...
Estou a reler o 626... a acrescentá-lo! Juntei dia 27 logo no inicio, agora tenho estado à procura das "aspas" que ficam formatadas noutro tipo de letra. Pentelhices...
Sou um perfeccionista, como todo o artista que visa atingir a perfeição: esse é mais um dos motivos porque te amo, outro :), és das poucas pessoas que me pode ajudar! Porque, por ti, és capaz de chamar a atenção para o que a ti "chama a atenção". Não o fizeste em relação ao dueto ou ao ser "múmia" nada dizendo..., creio que disse, até para chamar a atenção para também ter publicado o nosso dueto. Se não o fiz, por favor, avisa! Avisa sempre..., sempre que alguma coisa "chame a atenção". Se for uma pentelhice..., tanto melhor! Um erro ortográfico, uma falha de concordância...
A diferença, não tenhamos a mais pequena dúvida, é uma questão de pormenor: a pôr maior... a qualidade!
Sabes, gosto de pensar que até as pequenas anotações, os comentários, os emails que escrevemos sem pensar... Era o caso deste, agora pensei nisto mas nada altera. O importante é sermos capazes de, até a dormir, continuar sempre a procurar a per_feição...
Se tivesse paciência, toda a nossa correspondência guardaria, juntaria e leria como um texto: um texto é, pode ser, é... uma obra.
Dar continuidade, manter uma escrita: esta é a minha "escrita" e não mais qualquer outra coisa identificada com Arte. A "arte" não é nem pode ser outra coisa diferente disto: tentar viver a per_feição, procurar a nossa feição própria de ver o Mundo e viver a Vida! Esta a minha poesia, a religião que pratico. Não é Poesia, tem a ver, mas não tem a haver em particular com versos, nem sequer com as Letras...
Beijos
R

dia 17
Foi Domingo, ainda hei-de escrever o que escrevi.

dia 18
um terço de três textos é um texto :)
I
Clima

Se um diário, o caso deste texto, reflecte o “clima” de quem o escreve: cá estou eu a reflectir :)
II
Dias perdidos
Saber recuperar os “dias perdidos”, é acreditar que hoje é antes de amanhã e aí ainda encontraremos o dia de ontem e todos os outros: assim tenham(os) deles deixado alguma memória!
III
Boa semana
Votos duma Boa Semana!

«o ressonar que implica o respirar do louco travo da palavra», encontro... no dia de Sábado passado, aqui: http://madrugadaventanias.blogspot.com/

O narradoR foi inventado a partir dum personagem dum conto, conto...
Nasceu já faz tempo, só com tempo descobriu a sua vocação...
Primeiro andou escrevendo contos, mas... eu que me conte!
Com tempo... e se alguém quiser saber!?
R

Enquanto procurava O P(R)ESO
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=120892
encontrei e registo:
conto erótico 0
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=54677
conto erótico 1_69
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=61899

O narrador tem a possibilidade de fazer... a narração!
Começaria “os contos eróticos” com este conto:
O POLIGLOTA
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=11888

Continuação em: canção sem sono 
http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/322782

Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 01/12/2006
Reeditado em 28/12/2006
Código do texto: T306313

Áudio
conto erótico 6 - Francisco Coimbra
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